Com desfile técnico, X-9 Paulistana pode sonhar com a volta ao desfile das campeãs

 

 

Remodelada, a X-9 Paulistana pisou no Anhembi disposta a voltar a ser uma das protagonistas do Carnaval de São Paulo. Fora do desfile das campeãs desde 2005, a escola da Zona Norte fez um desfile técnico que pode credenciá-la a voltar na sexta-feira das campeãs. O conjunto de alegorias, em especial o quinto carro sobre a Apoteose Carnavalesca, o samba enredo, bem interpretado por Royce do Cavaco e seu time de intérpretes, e a bateria comandada por Mestre Adamastor foram os destaques da apresentação da escola.

* VEJA A GALERIA DE FOTOS DO DESFILE

A comissão de frente começou o desfile enlouquecendo a Avenida. Representando os impulsos nervosos responsáveis pelo afloramento do colapso que separa o mundo real dos delírios da loucura, os bailarinos se apresentaram com vigor e força. João Carlos e Laís, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, representaram o surto psicótico, primeiro passo para a insanidade na infância. Uma forma carnavalesca de representar esse grande surto.

A grande máquina da insanidade foi mostrada já no carro abre-alas da escola da Zona Norte, onde foi observado uma grande exaltação à loucura já no primeiro setor do desfile. O carro decorado com elementos de hipnose era o convite a mergulhar na loucura proposta pelo carnavalesco e se deixar levar pela insanidade as X9.

Já no início do desfile, os passistas, com a fantasia que fazia referência à época da inquisição, onde a loucura andava de mãos dadas com a incoerência e com a estupidez, mostravam samba no pé. A Bateria Pulsação Nota 1000, sob o comando de Mestre Adamastor, que retornou à escola qual foi campeão em 1997, apresentou a fantasia fazendo referência ao Chapeleiro Maluco, do livro Alice no País das Maravilhas. A fantasia escolhida pela internet ganhou uma epresentação imortalizada pelo ator Johnny Depp, no filme do diretor Tim Burton.

Uma grande nau dos insensatos, onde a eterna luta entre o céu e inferno esteve presente no desfile da X-9, fechou o segundo setor da escola. A alegoria apresentou de maneira carnavalizada o eterno conflito entre o céu e o inferno. Na parte de baixo da alegoria os componentes davam a impressão de estar nas portas do inferno e na parte de cima uma grande representação da “Arca da Aliança” estilizava o paraíso que tanto perturba os passageiros da vida.

A loucura não tem preconceito. O delírio atinge reis e plebeus, homens e mulheres sem distinção e as baianas da Vermelha e Branca encarnaram Dona Maria I, a rainha portuguesa que enlouqueceu ao ver seu reino ameaçado por outro maluco, Napoleão. Nesse setor o carnavalesco mostrou a loucura que atingiu os reinos ao longo dos anos. No terceiro carro, um castelo de ponta cabeça e a escultura de um rei debochado que tratava o povo como rato nos mostrou o “Real Império da Loucura”.

Arte e loucura sempre andaram de mãos dadas e o quarto setor do desfile da X-9 homenageou todos os artistas que fizeram da insanidade uma forma artística de se manifestar. Einstein, Van Gogh,  Bethoven e Raul Seixas são alguns dos nomes lembrados pela escola como os “Ilustres malucos beleza” da folia. Como não poderia deixar de ser, foi nesse setor que a agremiação lembrou de Ziraldo e seu “Menino Maluquinho”, devidamente representado pela ala de crianças da X-9.

No último setor de sua apresentação, a X-9 prestou uma grande reverência aos grandes mestres da folia, insanos operários da alegria que ajudaram a transformar o carnaval no maior espetáculo da Terra. Fernando Pamplona, Maria Augusta, Arlindo Rodrigues, Fernando Pinto, Joãozinho 30, Max Lopes, Renato Lage, Rosa Magalhães e Paulo Barros estavam devidamente homenageados nas últimas alas da escola. A agremiação trouxe uma grande “Apoteose Carnavalesca” para encerrar sua passagem pela Avenida. Os templos da insanidade, devidamente representados pelos sambódromos do Anhembi e da Sapucaí, mostraram os devaneios dos componentes que estão loucos para ganhar o carnaval, o que não acontece desde o ano 2000.

Comente: