Com direito a dança de casal em cima de pista ensaboada, Caprichosos está perto do acesso

Não foi o desfile que todos esperavam da Caprichosos, mas a tradicional Azul e Branco Suburbana confirmou na pista o favoritismo do pré-carnaval. Demonstrando claramente um carnaval de maior investimento que as demais agremiações do grupo, a Caprichosos teve como maior drama de seu desfile a situação vivida pelo primeiro casal da escola, Diego Falcão e Jaqueline, que dançaram nos dois primeiros módulos em cima da água e do sabão despejados pela segunda alegoria. A dupla deu um show e foi responsável pelo momento mais emocionante da noite. De resto, a Caprichosos mostrou o melhor conjunto de alegorias e foi a que mais cantou entre as onze desfilantes.

O maior problema do desfile foi justamente a evolução. Não que isso tenha atrapalhado tanto, mas não foi perfeita. Alguns pequenos buracos no segundo e no terceiro módulo. Além disso, a água e o sabão despejados na pista pela segunda alegoria fizeram com que a escola evoluísse um pouco presa, já que era difícil até mesmo andar normalmente. No final do desfile, a escola precisou apertar um pouco o passo para passar no tempo.

Na comissão de frente, a Caprichosos mostrou bastante originalidade. O coreógrafo Márcio Moura, que também é responsável pela comissão da Portela, levou para a Avenida um grupo de componentes que encenava os sonhos de uma menina, todos eles coma temática da história da Caprichosos, tema do enredo. O grupo usou uma cama como tripé e usou uma fantasia muito original e bem feita. A coreografia parece ter cativado os julgadores, que não esconderam a empolgação com a comissão de frente da Caprichosos.

Logo no abre-alas foi possível perceber o alto investimento- em nível de Grupo B –  feito pela Caprichosos de Pilares. Pelo menos três de suas alegorias passariam tranquilamente no desfile de sábado, no Grupo A. Problemas só com a segunda alegoria que, além de inundar a pista com água e sabão, perdeu a escultura de uma escova de dente em plena Avenida. A leitura delas esteve bem clara e o público aplaudiu a passagem de cada uma delas.

O que dizer do primeiro casal da escola, Diego Falcão e Jaqueline. Eles dançaram literalmente em cima da água e do sabão nas duas primeiras cabines. O desempenho foi sensacional, já que em nenhum momento a dança foi prejudicada. Mesmo na pior situação possível, executaram movimentos complicados e não perderam a simpatia e elegância. Nas duas últimas cabines eles passaram para a frente da segunda alegoria, fato que pode prejudicar a escola na avaliação dos quesitos enredo e conjunto, mas que foi importante para que tivessem uma segunda metade de desfile mais interessante.

Mesmo demonstrando um canto ainda longe de ser considerado ideal, a Caprichosos cantou de maneira satisfatória para o nível da noite. Sem dúvida foi a melhor escola nesse ponto. A leveza do samba e a boa interpretação do intérprete Clóvis Pê ajudaram bastante.

As fantasias da Caprichosos mostraram um trabalho caprichado do carnavalesco Amauri Santos, mas não seguiram o padrão de beleza e qualidade das alegorias. Mesmo assim, foi um dos melhores trabalhos da noite nesse aspecto e a leitura das indumentárias era bem clara. O enredo foi bem desenvolvido.

A bateria da Caprichosos, comandada por mestre Alexandre, mostrou uma educação musical superior à vista em suas últimas apresentações. Desta forma, a boa afinação foi mantida e o andamento esteve num ponto bem confortável, ideal para um desfile. As bossas mostraram coesão com a melodia e foram bem executadas. O desenho rítmico feito pelos tamborins também deu mais ‘molho’ ao ritmo caprichoso.