Com ótimo desempenho, o samba é o grande destaque do ensaio de rua do Império da Tijuca

Por Diogo Cesar Sampaio e Matheus Emanuel

daniel_silvaO Império da Tijuca reuniu sua comunidade e seus componentes para realizar seu ensaio de rua na Conde de Bonfim. O samba se sobressaiu e contagiou os presentes, fazendo o balanço final ser positivo, mesmo com alguns pequenos problemas em harmonia e evolução que ainda precisam ser acertados.

– Graças a Deus, a gente conseguiu fazer um ensaio legal. Acho que as pessoas que participaram perceberam que o Império da Tijuca vem com uma força muito grande na avenida, pessoal está cantando, acho que a escola ficou coesa, ficou com um conjunto interessante. A evolução foi interessante, bateria desempenhou muito bem de novo na rua, e o conjunto do carro de som foi mais uma vez muito bem. Acho que no quesito de chão, no conjunto da obra, a gente fez um trabalho muito legal hoje. Nós iremos para a Marques de Sapucaí com um número aproximado de 2.300, 2.500 componentes, em torno de 75 e 80% de fantasias vão ser doadas a comunidade – disse João Vieira, diretor de harmonia.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

it_ensaio1401_4Com a comissão de frente ausente, o ensaio foi aberto tendo o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Jerferson Souza e Gleice Simpatia, a frente da escola. A dupla exala alegria e cumplicidade, além demonstrar bastante sincronia nos movimentos durante a dança. O casal, que estava vestido com as cores da agremiação (verde e branco), citou a responsabilidade de defender o pavilhão

– Realmente, dá um frio na barriga sim. Mas depois de tantos ensaios, quando a gente chega na avenida, já estamos bem tranquilos. E vai dar tudo certo, com certeza – declarou Gleice.

– A gente vem se preparando bastante. Nós somos um casal. É como uma pessoa só, porque vale os 40 pontos – afirmou o mestre-sala.

Samba-enredo

Valente e aguerrido foi o grande destaque do ensaio do Império da Tijuca. Com um desempenho seguro de Daniel Silva e seu carro de som, a obra rendeu bem e contagiou não só os desfilantes como também o público que assistia a apresentação. Coeso e com uma melodia belíssima, o samba foi cantado do início ao fim do ensaio pela maioria dos componentes. ODaniel Silva comandou a sua equipe com o fôlego e a alegria que já é habitual.

it_ensaio1401_2– Apesar das dificuldades que o carnaval está passando, eu tenho certeza que faremos um desfile excepcional. Da comunidade, eu tenho visto a cada ensaio, a garra e a vontade de vencer, a vontade de fazer um desfile do tamanho que o Império da Tijuca é: gigante. Pode esperar que o Império da Tijuca vai vir para ganhar. Ninguém está de bobeira, e muito menos a gente – afirmou confiante Daniel.

Bateria

A Sinfonia Imperial comandada pelos mestres Jordan, Julio e Paulinho teve boa performance, mostrou estar encaixada ao samba, além de ter demonstrado entrosamento com Daniel Silva e o carro de som como um todo. A apresentação da bateria teve direito a fogos e efeitos de fumaça, além da execução de uma coreografia onde os ritmistas se ajoelham e a rainha Laynara Telles passa pelo meio deles, levantando o público.

Segundo Jordan, um dos comandantes da Sinfonia Imperial, o ensaio foi proveitoso. O mestre ainda declarou que seus 240 ritmistas que estarão na Sapucaí reservam outras surpresas não reveladas no ensaio:

– O ensaio foi muito produtivo. A gente precisa ensaiar na rua, porque temos a noção de como vai ser lá na avenida. Na quadra a gente não tem muito espaço, já que ela é pequena. A gente tem que ter um espaço para ensaiar e a rua é a melhor coisa que tem. Nós estamos indo com quatro bossas, e em uma delas nós vamos fazer uma saudação a um orixá que é nosso enredo. E vamos fazer umas surpresinhas que só vão saber lá na avenida – declarou o comandante.

Harmonia

it_ensaio1401_3A harmonia teve seus altos e baixos, mas no geral teve um desempenho satisfatório. Algumas alas cantaram mais que as outras, com destaque para a ala das crianças que berrava a plenos pulmões a obra. lguns componentes estavam com a letra do samba da mão e outros não cantaram o samba à pleno vapor. Vale ressaltar também o desempenho da primeira ala, a única coreografada, que mostrou empolgação e cantou o samba do inicio ao fim.

Evolução

Com uma falta de organização e alinhamento entre e dentro das alas, a evolução foi o ponto negativo da noite. Algumas alas estavam emboladas, dificultando o entendimento de onde acabava uma e iniciava a outra. Algumas alas se mostraram confusas e com certa lentidão para evoluir. Em outros momentos abriam-se pequenos clarões entre elas, mas que eram rapidamente ocupados. Também houve alas com componentes que passaram sem empolgação, destoando dos demais.

it_ensaio1401Outros Destaques

Presenças ilustres de mestre Marcão e a presidente do Salgueiro, Regina Celi, que prestigiaram a coirmã de bairro. O samba no pé da rainha Laynara Telles, e, principalmente, sua interação com os ritmistas e plateia. A ala das baianas e de passistas também foram outros momentos altos do ensaio.