Com trabalho plástico impecável, São Clemente faz maior desfile de sua história

Junte um alto investimento ao talento inegável de um jovem artista. O resultado será o mesmo visto durante a passagem da São Clemente na Marquês de Sapucaí na noite desta segunda-feira. Falando sobre a história dos musicais brasileiros, a Preto e Amarelo fez o que ser considerado o melhor de desfile de sua história, justo no carnaval que completa 50 anos de existência. A escola de Botafogo mostrou uma conjunto primoroso de fantasias e alegorias, com destaque para o bom acabamento e o bom uso dos materiais. O bubuú no bobobó do samba aos poucos caiu nas graças da galera e foi bem cantado pela escola do princípio ao fim do desfile. O desenvolvimento do enredo também foi um ponto bastante positivo do desfile da São Clemente. Fábio Ricardo, tal qual os grandes gênios do carnaval, criou a sua própria história e o tema clementiano foi entendido de maneira fácil e leve.

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Alguns problemas ocorreram. Não foi um desfile perfeito no que tange, principalmente, o quesito evolução, mas bem suficiente para a São Clemente se firmar de vez no Grupo Especial. Com o desfile feito, não pode cair. Animado com o trabalho bem feito, Fábio Ricardo desfilou fantasiado na segunda ala da São Clemente – Vaudeville – à frente do tripé Cidade das Esmeraldas, fantasiado como um dos personagens do Mágico de Oz. Outro talento da escola, o intérprete Igor Sorriso, deu seu show particular ao interpretar a obra com bastante qualidade.

Análise cabines 1 e 4

Com a estreante Cláudia Motta no comando, a comissão de frente da São Clemente mostrou bastante originalidade em sua coreografia. Representando os Saltimbancos, o grupo representou fielmente o papel e encantou a plateia nos dois módulos. A coreografia tinha como base um tripé. Nele, cada integrante abria uma caixa e, escondidos, colocavam braços postiços. Posteriormente começam a movimentar um dos braços reais, já por baixo da fantasia, de onde surgia uma máscara, muito bem acabada por sinal. A coreografia, apesar de não muito dinâmica, mostrou uma proposta artística bem interessante e adequada ao enredo.

* Estreando com elogios na comissão da São Clemente, coreógrafa comemora

Na sequência, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Bira e Denadir, mostrou um bom desempenho. Com uma coreografia bem concebida e elegante, os dois a executaram de forma perfeita no primeiro módulo. A fantasia de ambos, belíssima, como todo o conjunto da escola, ajudou a abrilhantar a performance. Denadir controlou muito bem a bandeira e o corpo, já que a fantasia era bem pesada. No quarto módulo, um pequeno deslize, a bandeira da escola resvalou no chapéu da fantasia de Bira.

O conjunto de fantasias apresentado pela São Clemente talvez tenha sido o melhor visto até agora neste carnaval. Da cabeça aos pés, o requinte e o bom gosto nas indumentárias pôde ser percebido sem exceção. Fábio Ricardo mostra amadurecimento e capacidade para mesclar o luxo e a originalidade como poucos. Destaque para o último setor, homenageando as comissões de frente, e o terceiro, que trazia uma ala fantasiada de Cabaret, um verdadeiro primor.

A qualidade das fantasias foi acompanhada pelas alegorias e elementos cenográficos, que, aliás, foram muitos, outro ponto que deixou o desfile da escola ainda mais interessante e dinâmico. Esta forma de contar o enredo trouxe uma cara mais leve à passagem da escola pela Avenida. O acabamento das alegorias também foi aprovado, assim como a cartela de cores usada. A quinta alegoria, O País das Maravilhas, foi a mais impactante. Uma falha ocorrida no quesito foi o desacoplamento da última parte do abre-alas com o restante do carro. Sorte que a escola trouxe sete alegorias, uma a menos que o limite máximo.

O canto da São Clemente foi bastante satisfatório. Os componentes participaram bem nesse ponto e fizeram o desfile render ainda mais. Apenas a ala fantasiada de Revista Fritzmac, a nona da escola, destoou do resto. O uso do violino no carro de som deu um charme a mais à interpretação do samba.

A evolução da São Clemente talvez tenha sido o maior problema do desfile da escola. No primeiro e no último módulo, houve espaçamento em algumas alas, mas nenhum buraco foi formado. A entrada da bateria no segundo recuo transcorreu sem problemas.

A bateria da São Clemente conseguiu segurar bem o samba com um andamento mais acelerado e que já vem virando característica da bateria. As bossas foram bem feitas e mostraram conformidade com a melodia do samba. Ressalva para a falta de padronização na batida de caixa.

Cabine 2

A Comissão de Frente veio com componentes representado saltimbancos e tinham elementos cenográficos no qual os integrantes realizavam coreografias. O curioso da comissão, foi a utilização de uma máscara, que saia da altura do peito e interagia com os demais componentes. Apresentação muito boa, que arrancou aplausos do público.

* Na dispersão, a porta-bandeira da São Clemente comentou o desfile

O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira fez uma bonita apresentação de um minuto e meio diante da cabine 2, com muitos giros. A apresentação só teve uma falha, quando a bandeira raspou no Mestre-Sala.

A escola trouxe fantasias e alegorias muito bonitas num grande trabalho do carnavalesco Fábio Ricardo. A São Clemente veio muito bem vestida, de fácil leitura, porém, o final da terceira alegoria não estava acendendo por completo. A última alegoria apresentou pequenos problemas de acabamento.

A harmonia da escola cantou muito bem. Na evolução, houve um pequeno erro diante da cabine 2, quando a Comissão de Frente deixou abrir um buraco durante a apresentação do Mestre-Sala e Porta-Bandeira.

A Bateria fez uma bela apresentação, com bossa e a paradinha do violino. O público veio abaixo e o jurado aplaudiu bastante. Durante a execução do samba, no trecho “Dei um susto o fantasma sumiu (búuu)”, o público interagia com a escola repetindo o verso búuu.

Cabine 3

São Clemente irreverente, assim a Comissão de frente da escola chegou ao terceiro módulo de julgadores. Os componentes desfilaram num tripé nas cores preto e branco simulando uma caixinha de música. Os integrantes ficavam em pé na caixinha e se transformavam em bonequinhos. A apresentação era feita durante a passagem do samba. Ao término, os componentes retornavam a caixinha. O apresentador da Comissão de Frente foi o ex-carnavalesco da escola, Milton Cunha. Durante a exibição diante da cabine 3, um integrante da diretoria filmou a apresentação na frente dos jurados, o que não é permitido pelo regulamento. A apresentação da Comissão de Frente da São Clemente não empolgou o público do setor.

A apresentação do primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira foi simples e rápida.

O abre-alas, que era acoplado, entrou na avenida desacoplado. Como a escola trouxe sete carros, não haverá problemas ou penalidades no quesito alegorias. Numa parte deste carro, havia uma fantasia jogada no chão. A alegoria possuía esculturas de pierrô em preto, branco e dourado. Na traseira, havia componentes segurando balões infláveis durante toda a apresentação do desfile. O carnavalesco Fábio Ricardo, veio desfilando atrás deste carro vestindo como um personagem do musical O Mágico de Oz. A Velha Guarda desfilou logo atrás, e alguns estavam bastante emocionados.

* Vídeo da TV Globo: Veja o abre-alas da São Clemente

Na ala sete, havia um buraco dentro da ala. Na nona, um componente passou ajeitando a fantasia. Na 19, havia componentes com e sem máscara. O acessório era parte integrante da fantasia.

O segundo carro alegórico, havia movimentos giratórios nas esculturas que eram executados pelos próprios destaques.

A ala das Baianas estava com um figurino maravilhoso. Na última fileira havia apenas duas baianas que deixou um buraco na pista.

O terceiro carro alegórico trouxe quatro tripés que traziam atores globais. Dois deste tripés estava, acoplados e outros dois soltos. O carro Cabaré, trouxe componentes descalços.

A Bateria não parou em frente da cabine 3. Ela parou um pouco a frente e executou coreografias e bossas agradando ao público. Bateria fez uma paradinha diferente, mas sem os violinos. A frente da bateria havia um tripé com os componentes fantasiados de musa.

O quinto carro, na cor rosa choque, trazia apenas travestis. A ala 26 fez referência ao musical Cats. Os gatos interagiam tocando no público das frisas. O sexto carro veio uma escultura da Estátua da Liberdade que usava chinelo havaiana e tomava sorvete.

Nas últimas alas havia um balão inflável com uma mulada que sambava através dos movimentos executados por componentes, que puxavam ma fita. A galera aplaudiu de pé. O último carro da São Clemente passou no setor com uma hora e oito minutos.
 

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