Comandada por comissão de frente irreverente, Ilha faz desfile rico e animado

 

A mistura entre chá e cachaça provou ter um sabor delicioso para a União da Ilha. Misturando Londres e Rio de Janeiro, com muita criatividade, a escola da Ilha do Governador fez uma apresentação que merece elogios neste domingo de carnaval. A irreverente comissão de frente e a riqueza das alegorias chamaram a atenção. O enredo foi muito bem desenvolvido e o desfile não apresentou nenhum grande erro.

* Veja a galeria de fotos do desfile da União da Ilha

* Dê a sua nota para o desfile da escola

A escola iniciou sua apresentação contando a história do império britânico, apresentando a fundação de Londres pelos romanos no ano 43 D.C. Este, talvez tenha sido o único ponto em que o enredo não teve fácil leitura, já que o carro mostrava caveiras e elementos que não pareciam ter muita relação com a história. A partir daí, a tricolor passeou pela questão religiosa da Inglaterra, fazendo menção ao santo padroeiro, São Jorge, na segunda alegoria, destacou o período das navegações no terceiro carro e retratou o grande império no quarto. Todos eles com alegorias impecáveis, setorização muito adequada e fantasias de extremo bom gosto. O quinto carro falou de Alice no País das Maravilhas, com muita cor e destaque para pesonagens lúdicos.

O ápice, no entanto, veio no fim. O sexto carro tratou da Londres como se conhece hoje – com ônibus de dois andares, cabine telefônica, Big Ben – e o último uniu os britânicos com os cariocas no que diz respeito aos Jogos Olímpicos – em 2012, serão na Inglaterra, e quatro anos depois, na Cidade Maravilhosa.

A bateria do Mestre Riquinho fez apresentação muito boa, o samba-enredo foi cantado a plenos pulmões pelos componentes em boa parte do desfile e a evolução da escola foi muito tranquila. Um desfile digno de medalha – especialmente para a irreverente comissão de frente, que colocou até os sempre sérios guardas do Palácio de Buckingham para sambar.

* Vice presidente da União da Ilha fala sobre o desfile da escola

Confira a análise cabine por cabine:

Cabine 1 – A apresentação da comissão de frente e o primeiro tripé foram os principais atrativos do começo do desfile tricolor. O tripé representava um grande portão, que simbolizava uma volta ao tempo e também as grades do Palácio Real Inglês. A comissão, por sua vez, retratou com bom humor os guardas deste palácio e seus habitantes. Famosos pelo estilo rígido e sem sorrisos, eles iniciaram a coreografia marchando e anunciando a chegada de Vossa Majestade em uma carruagem que por si só já arrancou aplausos ao se movimentar. Vinha então a primeira surpresa: o rei era o Gari Sorriso, que colocou todo mundo para sambar – guardas, rainha, público e jurados.

A escola, então, foi passando tranquila, sem problmas de evolução, cantando bem e, principalmente, mostrando uma preocupação muito grande com o visual.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez apresentação correta, com destaque para o momento em que ele "atacava" a parceira com uma lança: representando a luta de São Jorge com o Dragão.

O samba rendeu bem, o público cantou e a bateria fez boa exibição, com bossas simples e bem adequadas.

Cabine 2 – A Comissão de frente da Ilha fez uma ótima apresentação. O coreógrafo Sérgio Lobato, que já havia se destacado pela comissão apresentada na Acadêmicos da Rocinha, no sábado, foi o responsável por mais uma apresentação diferenciada. O trecho da dança em que os dançarinos imitavam os passos de Renato Sorriso levantou o público.

O primeiro casal de mestre sala e porta-bandeira apresentou uma bela coreografia, dançando sem cometer falha alguma. Ronaldinho e Verônica estavam bastante seguros.

Quanto às alegorias, problemas vistos apenas no último carro, que passou apagado diante da cabine de jurados. As fantasias, apesar de pesadas, eram luxuosas e belíssimas.

A bateria do mestre Riquinho parou diante dos jurados, se apresentou com uma bossa e executou outra logo antes de sair do módulo.

A evolução diante da cabine dois estava muito boa. Os problemas vistos nos ensaios técnicos, pelo menos até este local da avenida, pareciam ter sido corrigidos. A harmonia, no geral estava boa, apesar de algumas alas sem cantar muito o samba.

Cabine 3 – Assim como anteriormente, a comissão encantou. Renato Sorriso, quando dançava junto com os dançarinos e tirava uma bandeira da escola de sua vassoura, arrancava aplausos do público. No entanto, a "realeza" deixou a vassoura cair enquanto se apresentava diante dos jurados.

A apresentação de Ronaldinho e Verônica foi rápica, mas muito bonita e regular, animando as arquibancadas.

A bateria da União da Ilha parou diante dos jurados, se apresentou e executou belas bossas para os componentes da terceira cabine.

Apesar da boa passagem, algumas falhas foram vistas neste módulo. A primeira parte do abre-alas veio sem luzes ou efeitos e acabou fazendo contraste com a segunda parte do carro, que, com a iluminação funcionando, estava muito mais bonita. Entre as fantasias, a ala 24 tinha problemas no acabamento do adereço que os componentes carregava e os bandeirinhas da ala 27 tiveram suas fantasias brancas manchadas pela tinta vermelha que era usada no rosto dos componentes.

Em evolução e harmonia, mais alguns problemas. A terceira ala da escola, que parou diante da cabine 3 durante um bom tempo – possivelmente devido à apresentaçãpo da comissão no último módulo – pararam de dançar, como se dependessem da escola andar para que pudessem evoluir. Na ala 4, repleta de turistas, os componentes mexiam a boca fingindo cantar o samba que não sabiam e os diretores de harmonia tiveram problemas com um dos integrantes, que queria andar para trás, a fim de assistir o desempenho do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira.


Além disso, o destaque de chão que vinha à frente do segundo carro passou descalça, as saias de duas baianas prenderam diante dos jurados e um dos componentes que acompanhavam as baianas tirava fotos do desfile. Por fim, a escola, com 1:09h de desfile, começou a correr para não estourar o tempo da apresentação e isso gerou um grando buraco em frente ao sétimo carro da escola, que passou com uma parte sem iluminação.

Cabine 4 – A escola sofreu um pouco com o tempo e teve que acelerar um pouco o ritmo, mas nada que atrapalhasse muito o seu andamento. Além disso, algumas fantasias chegaram ao final do desfile com uma peça ou outra sem o melhor acabamento.

Apesar disso, o que se viu foi mais uma bela exibição dos diversos setores da escola para os jurados. Novamente, os mais aplaudidos foram a comissão de frente e a bateria.

* Veja vídeo da ala em homenagem aos craques do futebol brasileiro e inglês

Comente: