Comissão de Frente é destaque da Em Cima da Hora, que sonha com permanência na Sapucaí

 

 

Quem pensou que a Em Cima da Hora faria um desfile sem forças para permanecer na Série A, uma vez que a agremiação de Cavalcanti é oriunda da Intendente Magalhães, se surpreendeu positivamente. A Azul e Branco pisou dignamente na Avenida e teve na sua comissão de frente o ponto alto de um desfile que superou em muito a apresentação do Unidos do Jacarezinho no ano passado, como efeito comparativo.

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A comissão, coreografada por Jardel Lemos, chegou a levantar o público com suas apresentações. Simples, mas muito criativa, provou que não é necessária tanta pirotecnia, elementos alegóricos e nem muita mágica para encantar. Sem dúvida o ponto de destaque da boa apresentação da agremiação.

O enredo foi apresentado muito bem pelo carnavalesco Marco Antonio. Cumpriu a promessa de não fazer um carnaval pesado, enfocando exclusivamente o sofrimento e a dor do povo sertanejo, mas também dar uma certa leveza ao tema. Destaque para o setor da escola que apresentou a Guerra de Canudos, alegorias e fantasias de muito fácil entendimento. Entretanto o trecho final do desfile quebrou um pouco o bom sequenciamento do enredo. O setor "Apoteose ao Sertanejo" não cumpriu o papel, ao se limitar em louvar figuras notáveis da escola, em uma justa homenagem, mas que em nada lembra o povo do sertão, como sugeria o roteiro da escola.

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A comissão de frente trouxe 15 integrantes que desempenharam uma coreografia muito criativa. Em um primeiro momento um integrante vestido de Antônio Conselheiro (com uma fantasia que poderia ser mais bem acabada) saudava o público, com os demais (7 homens de pernas de pau e 7 mulheres vestidas de bonecas de pano) o rodeando. Em um segundo momento, o ponto alto da apresentação. Um novelo de fitas saía das mãos dos homens, era puxado pelas mulheres e ficava sobre Antônio Conselheiro. No segundo módulo de julgamento, todos os jurados aplaudiram a passagem dos bailarinos. Já o casal Luis Augusto e Shaiene, que em um dado momento interagiu com a comissão, enfrentou problemas. A porta-bandeira estava nitidamente nervosa e não conseguiu desfraldar a bandeira corretamente na altura do terceiro módulo de julgamento. O vento na altura do último módulo prejudicou a apresentação e em vários momentos foi possível notar uma falta de entrosamento entre eles, com um dançando de costas para o outro.

Harmonia

Com um dos maiores sambas-enredo de todos os tempos, temia-se que o exacerbado aceleramento da obra causasse problemas na harmonia. E foi o que aconteceu. Muito fraco o canto da escola, por mais incrível que isso possa parecer. Poucas foram as alas que conseguiam cantar o clássico "Os Sertões". A dupla de intérpretes, Antonio Carlos e Arthur da Mocidade, defenderam com dignidade a obra, mas a sensação que ficou é que pela qualidade deste samba a escola cantou bem pouco.

Evolução 

A evolução da Em Cima da Hora pode ser analisada em dois momentos distintos. O início da escola foi muito forte, com a escola pisando com dignidade e mostrando que mesmo depois de 10 carnavais longe da Sapucaí, ali é o seu lugar. Alas cantando, evoluindo desenvoltas, talvez empolgadas pela boa resposta do público com a apresentação da comissão. Mas a partir da entrada da bateria no recuo o que se viu foi um descontrole na evolução. A escola acelerou desnecessariamente sua passagem e com 48 minutos de desfile a bateria já se encaminhava para fechar o desfile. Uma falha clamorosa da direção de carnaval. A correria foi tanta que as alas embolaram claramente. O conjunto da escola esteve muito bem até o último setor, quando a alegoria "Apoteose ao Sertanejo" fugiu da proposta cromática e visual da escola. Patreceu uma tentativa de colocar no enredo figuras notáveis da escola, mas que quebrou o sequenciamento do conjunto.

Fantasias

As fantasias da Em Cima da Hora, ao lado da apresentação da comissão de frente, foram o aspecto de maior surpresa positiva do desfile. Uso de materias muito simples, como espumas, mas de uma leitura muito fácil, um acabamento muito bem feito e uma beleza estética de fazer muita escola rica ficar de queixo caído. Novamente o setor que mostrava a Guerra de Canudos se destacou. 

Alegorias

As alegorias da Em Cima da Hora estavam simples, mas também bem acabadas. A terceira, "A Guerra mancha o sertão" trazia um grupo teatral jogando poeira em uma solução muito simples e funcional. O último carro, além de quebrar o conjunto visual, tinha sérios problemas de acabamento em sua traseira.

Ficou a nítida sensação de que com esse desfile a Em Cima da Hora pode sonhar com a permanência na Sapucaí, a não ser que passem pela Avenida nas demais 16 agremiações desfiles sensacionais, no que se configuraria em um carnaval de muito mais alto nível que os últimos do grupo de acesso.

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