Comissão de Frente é destaque em desfile de começo morno da São Clemente

 

 

A São Clemente teve sua Comissão de Frente como principal elemento do desfile neste domingo, na Marquês de Sapucaí, pelo Grupo Especial. Com uma coreografia divertida, que contava com diversos personagens típicos das favelas, tema que a agremiação desenvolveu na avenida, a Amarela e Preta e mostrou um bom nível no quesito. Porém, o canto da escola se apresentou irregular, com a primeira metade passando sem vibração, enquanto a segunda entoou com força o samba. Também houve uma correria no fim que se mostrou desnecessária, já que a escola chegou na dispersão em confortáveis 80 minutos.

O enredo desenvolvido pelos carnavalescos Max Lopes, João Victor, Thiago Martins, Bruno, Roberto e Ricardo Almeida foi bem desenvolvido em sua maior parte, apesar de algumas fantasias de difícil leitura. A exceção ficou por conta do quinto setor, que mistou esportes, religião, lazer e gastronomia, tornando-o confuso.

Comissão de Frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A Comissão de Frente do coreógrafo Carlos Bolacha utilizou a fantasia "Transformação das favelas e suas pessoas invisíveis" e foi a melhor coisa do desfile clementiano. A comissão era dividida em dois grupos. Enquanto o primeiro se apresentava, o outro ficava escondido no elemento. A primeira coreografia chamou pouca atenção, com favelados dançando com roupas humildes. Quando eles subiam na favela, as paredes giravam e diversos personagens típicos das favelas, como o sambista, o funkeiro, o piloto de mototaxi, o pastor, entre outros, saíam para fazer uma divertida coreografia que animou o público com boas apresentações nos quatro módulos. O casal formado por Fabrício e Denadir se apresentou bem nas cabines, recebendo aplausos dos jurados dos quatro módulos. Na terceira cabine, a jurada fez anotações após a passagem da dupla.

Harmonia

A harmonia da escola pode ser dividida entre os três primeiros setores e os quatro últimos. Os primeiros passaram com muitos componentes que não cantavam o samba. A ala "Cabrochas", por exemplo, chegou a ter componentes andando calados. A ala "Lata d'Água na cabeça" também teve muitos componentes sem cantar, assim como a "Pedreiros construtores". Por outro lado, após a passagem da bateria, quando iniciava o quarto setor, os componentes clementianos deram um verdadeiro show de canto, praticamente berrando o samba bem interpretado por Igor Sorriso, mas que não rendeu muito bem.

Evolução

A Evolução da São Clemente teve alguns pequenos problemas. Algumas alas passaram emboladas pela avenida, como a "Pedreiros Construtores", onde alguns componentes pareciam não saber que espaço ocupar. O ritmo do desfile estava bom, mas no fim a escola acelerou o passo sem necessidade, já que terminou sua apresentação com tempo sobrando.

Fantasias

O quesito foi um dos mais complicados para o desfile clementiano. O segundo setor apresentou um grande desnível na qualidade das Fantasias, por exemplo. As alas "Mangueira" e "Salgueiro" eram de bom gosto, mas as alas "Complexo do Alemão" e "Dona Marta" destoavam. Algumas alas não pareciam ter nível de Grupo Especial, como a "Trouxas de Roupas". Outras eram de difícil leitura, como "Rocinha", "Samba de Roda" e "Rap". O destaque no quesito ficou para o sexto setor, que representava favelas de todo o mundo, que teve belos figurinos.

Alegorias

O abre-alas, representando a Guerra de Canudos, era dividido em dois carros alegóricos bonitos e de bom acabamento. A alegoria seguinte, "Da exclusão fez-se a Providência – a primeira favela carioca", também foi bem feito. A concepção do terceiro carro, sobre a construção dos barracos, foi criativa. No geral, plasticamente a escola passou de forma razoável pela Sapucaí. O sexto carro, "O universo da miséria – as favelas do mundo", foi um dos melhores da  São Clemente.

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