Compositores da Mocidade falam ao CARNAVALESCO sobre a expectativa para a final

A Mocidade realiza neste sábado a sua grande final para o Carnaval 2016. Buscando resgatar os tempos de bons resultados, a Estrela Guia tem como enredo ‘Brasil de La Mancha – Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes. Sou Quixote cavaleiro, Pixote brasileiro’, do carnavalesco Alexandre Louzada. O site CARNAVALESCO ouviu os compositores das quatro parcerias finalistas, que falaram sobre suas expectativas para o sábado e apontaram os diferenciais de seus sambas.

* OUÇA AQUI OS SAMBAS FINALISTAS DA MOCIDADE

“É uma parceria de apaixonados pela Mocidade”, defende Diego Nicolau

Diego Nicolau, compositor da parceira com Gabriel Teixeira, Irlan Rios, Edu Velocci e Ricardo Mendonça, destacou como seu trecho preferido do samba o final da obra, com os versos “Canta, minha Mocidade, faz esse Brasil mudar/ Barreiras vão existir, mas é preciso seguir/ Sonhar, sonhar”. Diego também enalteceu a força dos dois refrões da obra e apontou como destaque da gravação a participação de uma criança cantando, ideia de Ricardo Mendonça. – O diferencial da nossa parceria é que tanto eu, como cantor do carro de som da escola, tanto o Gabriel, que é cavaquinista aqui também, conhecemos bem a dinâmica da Mocidade, a forma como ela desfila, o que se encaixa no carro de som, na nossa bateria. É uma parceria de pessoas que amam a Mocidade.

Diego afirmou que o samba foi “abraçado pela comunidade” e que a parceria promete fazer uma grande festa na apresentação deste sábado, investindo, principalmente, no canto da torcida. – Nosso samba agradou aos segmentos, foi ganhando espontaneamente torcedores da escola. A parte final do samba toca o coração dos independentes, virou até nosso alusivo na quadra. Estamos sonhando em conquistar a vitória igual diz o samba: “barreiras vão existir, mas é preciso seguir… sonhar, sonhar” – disse o compositor.

“A Mocidade é a minha raiz”, afirma Wander Pires

Wander Pires, compositor da parceria com Jefinho Rodrigues, Wander Pires, Marquinho Índio, J. Medeiros, Domingos Pressão, Jonas Marques, Paulo Ferraz, Lauro Silva e Lero Pires, acredita que o diferencial de seu samba é ter aceitado em cheio no coração da comunidade de Padre Miguel. Wander afirma que ele e seus parceiros se preocuparam em fazer uma letra identificada com as tradições da escola e destacou os versos “Eu hei de cantar por toda vida/ Minha Mocidade, escola querida” como trecho mais emocionante da obra. – O samba como um todo é muito bonito e tem empolgado bastante a quadra. Nós procuramos fazer um samba à altura da história da Estrela Guia. Acreditamos na atual diretoria e queremos ajudar a escola nesse retorno aos velhos tempos.

Assim como Paulinho Mocidade, Wander também já possui uma história na verde e branca da Zona Oeste, e vê esse retorno como compositor com um “sabor diferente”, afirmando que, embora esteja acostumado a defender sambas em disputas, o faz com “mais amor” neste caso. – A Mocidade é onde tudo começou, é minha casa, onde eu tenho minhas raízes. Na final, prometemos fazer uma apresentação para ganhar, embora a gente tenha respeito pelos outros sambas, que também têm condições. Estou contando com a ajuda de amigos, do meu fã clube, da família, até o meu irmão, Lero Pires, que tá na parceria comigo. Muita gente gostou do samba e foi ajudando, divulgando. Estou muito feliz.

“É um samba que toca o coração dos independentes”, afirma Paulinho Mocidade

Paulinho Mocidade, compositor da parceria com Dico da Viola, Denilson do Rozário, Léo Peres, Mauro Dias, Rogerinho, Cristiano Placido, Xandy Biral, Tunicão Rangel, Carlinhos da Chácara, Reinaldo Azevedo, Davi Fernandes e Flavinho Bento, aposta na junção de nomes experientes da Estrela Guia com compositores jovens como segredo de sucesso da parceria. Ele classificou a melodia da obra como “muito envolvente” e elegeu como trecho de maior destaque na obra os versos “Mocidade Independente, és a voz da esperança, coragem, bonança/ Em nome desse sonho, erga essa bandeira/ Brava gente brasileira, brava gente brasileira”, que, segundo ele, refletem perfeitamente o “atual momento político do país”. – Se as pessoas forem analisar a letra do nosso samba, vão ver algo muito adequado com a situação pela qual o povo brasileiro está passando atualmente. Nós nos preocupamos em fazer um samba valente, pra cima. Os dois refrões são fortes e têm passado muito bem na quadra.

Feliz com a recepção que o samba tem tido na comunidade independente, Paulinho agora sonha em conquistar a sua quarta vitória na escola, após as obras “Elis, um trem de emoções”, “Como era verde o meu Xingu” e o clássico “Sonhar não custa nada, ou quase nada”. Para a final, o compositor promete uma grande festa, não só com os elementos tradicionais como bandeiras e papel picado, mas também “carteiras de identidade” gigantes, em referência ao samba. – Uma coisa muito legal que a gente trouxe na semifinal foram as carteiras de identidade, que os nossos torcedores ficam balançando. O nosso samba fala que “Vila Vintém, minha raiz/ Quem tem na identidade o verde e branco/ É obrigado a ser feliz”. Por isso, trazemos identidades com imagens de grandes figuras da escola, como Dr. Castor, Toco, Chico Mendes, e até nós próprios, Tico da Viola e Paulinho Mocidade.

“Nosso samba se encaixou perfeitamente com a bateria da escola”, diz Ribeirinho

Ribeirinho, compositor da parceria com Rodrigo Barbosa, Elton Babu e Jorge Maia, apontou como destaque da obra o verso “Vai cavaleiro, rumo à vitória/ Resgata o caminho do bem” e elegeu o refrão principal como o trecho de mais força na quadra. Ribeirinho acredita que a diretoria irá escolher o samba que tiver conseguido “cativar os segmentos e a comunidade”. – Todos nós estamos colocando muita fé nessa nova diretoria da escola. Acredito que eles irão saber escolher o que for melhor para a Mocidade. Nosso samba tem uma proposta diferente e já nas eliminatórias a bateria tem se encaixado muito bem à ele. As outras parcerias também são fortes, acredito que será uma final muito equilibrada.

Ribeirinho conta que começou a compor na Mocidade em 1998, ficando até 2001, quando se mudou para a Beija-Flor e sagrou-se campeão em alguns anos, inclusive em 2015. Nessa “peregrinação”, conforme ele mesmo chama, também passou pelo Salgueiro e, agora, está de volta à Estrela Guia, justificando seu retorno por confiar na nova diretoria da agremiação. – A atual diretoria está buscando reerguer a escola, recuperar aquela velha Mocidade. Eu comecei compondo na escola justamente nessa época de ouro. Fui campeão na Beija-Flor ano passado e agora, com toda humildade, quero repetir o feito, ganhando o samba no sábado e ajudando a escola a ser campeã do carnaval.