Compositores da Vila Isabel falam sobre a expectativa para a grande final de samba

Com a final da disputa da Vila Isabel, nesse sábado, se aproximando, o site CARNAVALESCO ouviu compositores das parcerias finalistas para saber o que eles consideram como diferencial em seus sambas e o que pretendem fazer na final. A azul e branca, que tem como enredo o político pernambucano Miguel Arraes, teve nove sambas inscritos na disputa e levará quatro obras para a final.

“É o samba mais adequado ao enredo”, afirma Martinho

Martinho da Vila, um dos autores do samba que conta também com a assinatura de outros grandes nomes, como Arlindo Cruz, André Diniz e Mart’Nália, além de Leonel, destaca a coerência da obra com o enredo ‘Memórias de Pai Arraia – um sonho pernambucano, um legado brasileiro’.

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– Acho que é o samba que melhor conta o enredo. Se ganhar, acho que ainda precisa de algumas alterações. Tinha algumas coisas que eu já queria ter mudado, mas tava muito em cima do prazo da entrega, por isso tivemos que esperar e, agora, depois da disputa, caso o samba ganhe, nós vamos nos reunir para fazer algumas mudanças, que é algo normal quando você escreve uma obra. Mas, de uma forma geral, acho que é um samba muito bom.

Leonel, outro compositor da parceria, acredita que o samba merece ganhar por ter uma “letra muito forte e melodia emocionante, independente de quem esteja assinando a obra”. Ele destaca o rendimento da composição nas eliminatórias como algo positivo e adianta que a parceria está preparando surpresas para o dia da final.

– O samba vem crescendo gradativamente na quadra. A disputa da Vila foi menor esse ano, então tivemos poucas apresentações. Mas a receptividade tem sido muito boa com o nosso samba. No dia da final, vamos fazer aquela festa tradicional, com bandeiras e fogos, mas também vamos trazer algumas surpresas, que não posso revelar.
 
“Nosso samba é perfeito para o momento da escola”, declara Alcir Hygino
 
Alcyr Higino, um dos autores da parceria com Professor Lacerda e Jurandir Terra, acredita que o seu samba tem como diferencial a letra “bem elaborada e inteligente”. O compositor destaca o refrão central da obra, que possui o verso “E a Vila tão seca de bons resultados”, como seu trecho predileto e que mais tem empolgado a quadra.

– O refrão do meio é a parte mais forte do nosso samba. É um refrão ousado, mas que mexe com quem realmente é Vila Isabel. A gente vem de uma fase ruim, ficando em décimo, décimo primeiro lugar, por isso “A Vila tão seca de bons resultados”. Ao mesmo tempo que faz referência à seca que o Pai Arraia via. Então, é uma metáfora muito bonita.
 
Alcir defende que sua composição é a que mais se encaixa ao momento que a escola vive. – Acho que é o samba mais empolgante. A Vila vai abrir o desfile de segunda, algo que não é fácil, então a escola precisa de um samba que empolgue. Pro momento que a gente tá vivendo, acho que é o samba mais adequado – diz o compositor, que afirma que a parceria fará uma festa tradicional na final da disputa.
 
“É um samba bonito do primeiro ao último verso”, afirma Claudio Emiliano
 
Claudio Emiliano, da parceria com J.P., Marcos Trappani, Kaoma e Beto Habilidade, destaca o cuidado que ele e seus colegas tiveram na feitura de seu samba. Para ele, o diferencial de sua parceria é o fato do samba ter uma letra “caprichada e bem inteligente”.
 
– A gente caprichou muito no samba. Procuramos fazer uma obra inteligente, bem elaborada, com a cara da Vila Isabel. A gente quis fazer um samba inteligente até porque o homenageado, Miguel Arraes, era um homem muito inteligente. É um samba bonito do primeiro ao último verso. Além disso, tivemos o cuidado de ter um bom estúdio, de fazer um CD bem bacana. Agora, vamos esperar pela decisão da escola. Esperamos que seja a escolha tenha lisura e que a escola seja feliz com o samba que ganhar.
 
Claudio diz ter preferência pelos dois refrões da obra, que, segundo ele, são as partes do samba que mais tem empolgado a quadra da escola nas eliminatórias. Ele conta que sua parceria teve a preocupação de fazer uma obra marcante e espera que a final sirva para o samba ser ‘abraçado’ pela comunidade.
 
– Como a Vila vai abrir os desfiles de segunda, achamos que a escola precisava de um samba com muitos pontos altos, para empolgar o público. Na final, teremos, é claro, aquele show de sempre, com bandeiras, bolas, fogos de artifício e papel picado, mas, além da nossa torcida, contamos com as pessoas da escola para que o samba seja abraçado.
 
“É uma obra que evoca as raízes de Vila Isabel”, diz Jaiminho Harmonia
 
Jaiminho Harmonia, compositor na parceria de Thales Nunes, Hugo Oliveira, Bonsucesso e Serjão da Vila, aposta na força do samba como fator decisivo na hora da escolha. Ele ressalta que a obra tem passado muito bem na quadra, principalmente no refrão principal, que ele acredita ser a melhor parte da composição.
 
– Acho que o nosso refrão é muito especial, porque evoca as raízes de Vila Isabel, de todo o bairro, de toda a comunidade. Se tivermos a honra de ter nosso samba escolhido, acredito que iremos representar muito bem a Vila e nosso refrão tem tudo para dar um sacode na Avenida.
 
Thales Nunes, também compositor da parceria, destaca que a obra tem dois refrões “muito fortes” e que “resume perfeitamente o enredo”. – A gente se preocupou em fazer um samba curto e objetivo. Acredito na força do nosso samba, mas, ao mesmo tempo, quero o melhor para a escola. Os quatro finalistas são bons e o que eu torço é para que a Vila faça a escolha certa. Na final, vamos contar com o canto e o apoio da nossa torcida, e vamos fazer aquela festa de sempre com bandeiras e papel picado.