Compositores finalistas no Salgueiro conversam com o CARNAVALESCO sobre final de samba

Antes do derradeiro duelo dos sambas salgueirenses, a reportagem do site CARNAVALESCO ouviu os compositores que estão na grande dinal de samba deste domingo. Antônio Gonzaga e Marcelo Motta responderam a nossos questionamentos sobre a grande decisão no Salgueiro. O inédito confronto entre somente duas parcerias nesta final opõe um jovem compositor que já alcança sua segunda final na Academia a outro já campeão em outras ocasiões, com sambas marcantes na história da escola. Estilos diferentes que dão o molho especial à grande final da Copa do Samba.

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'Um samba diferente para uma escola diferente', aponta Gonzaga

Antônio Gonzaga viu sua vida mudar em um ano. O jovem despretensioso que apenas colocava sambas por paixão pela escola mudou. A intenção depois de estrear em uma final em 2015 era a de ser campeão em 2016. Para isso era preciso montar uma parceria com condições de encarar uma disputa. – Eu recebi diversas sondagens e um convite de uma grande parceria dentro da escola. Entretanto foi com esse grupo que identifiquei uma afinidade musical e de ideias sobre o que eu desejava para o samba deste ano. Não é possível encarar uma disputa no Salgueiro sozinho – salientou.

Gonzaga pode não vencer, mas tem o samba mais comentado do carnaval. O "doi, doi, doi" ganhou as ruas do Rio de Janeiro. Críticas e elogios pipocaram sobre a obra. Mesmo jovem, o compositor tem a serenidade de um veterano para justificar o porquê que seu samba merece os louros da vitória. – Apenas porque optamos pelo caminho diferente, pela fuga do lugar comum. O Salgueiro é uma escola diferente, que sempre optou pelo caminho da inovação. Nosso samba segue nessa linha. E é totalmente adequado ao enredo. Uma escola diferente precisa de um samba diferente – disse Gonzaga.

'É o maior samba da minha vida', diz Marcelo Motta

Do outro lado da disputa estão Marcelo Motta e seus parceiros. Tetracampeão na Academia e um dos autores de Candaces, um dos sambas mais cantados da escola, até hoje lembrado como um memorável desfile do Salgueiro. Mas Motta não tem a menor dúvida em sacramentar que o samba deste ano é sua maior composição. – Eu acho que esse é o meu melhor trabalho. É uma conjunção de acertos que fez todo salgueirense se identificar com a gente. Fomos muito felizes com essa obra – declara Motta.

Para o compositor o malandro batqueiro vivenciado no samba ganhou vida ao longo da disputa. – Impressionante como o malandro batuqueiro, cria do morro do Salgueiro se tornou um personagem vivo nessa trajetória que construímos. Cada salgueirense se identifica com o malandro, aquele pedido de licença toda vez que sai de casa. Depois a volta já de manhã depois de uma grande noite de samba. É preciso dividir o mérito também com esse enredo fabuloso – finaliza Marcelo.