De volta ao Carnaval, mestre Celinho fala sobre expectativa para trabalhar no Tuiuti

Depois de quatro Carnavais afastado do comando de uma bateria, mestre Celinho está de volta à cena. Ele será o responsável por manter o bom rendimento da bateria do Paraíso do Tuiuti, que foi comandada por mestre Jéferson em 2011, e contou ao CARNAVALESCO como irá direcionar o seu trabalho na agremiação de São Cristóvão.

Mostrando a humildade que lhe era peculiar já na Unidos da Tijuca, Celinho disse que implementará a mesma filosofia que usou quando comandou os ritmistas do Borel, de 1999 à 2007:

– Estou contente com essa oportunidade. Vou procurar fazer o meu trabalho da mesma forma que eu sempre fiz. É um sistema que já usei e deu certo na Unidos da Tijuca. Me preocupo bastante com andamento e com a qualidade do ritmo. Quero ajudar os ritmistas que já estão na escola e pretendo levar alguns ritmistas que gostam do meu trabalho e me acompanhavam na Tijuca – afirmou Celinho.

Apesar do bom momento vivido na Unidos da Tijuca, Celinho, à época, deixou a escola alegando estar doente, mas, em nenhum momento,  revelou qual era especificamente a doença. Hoje, Celinho não confirma se estava mesmo doente, mas garante que está muito bem saúde:

– Estou muito bem. O presidente sabe dos problemas que eu tive para deixar a escola, já é passado. Tenho que tocar minha vida pra frente. Claro que me arrependo de ter saído, não tem como esconder, a Unidos da Tijuca é a minha escola de coração. Fui criado lá dentro. Desde criança desfilei na bateria.

Celinho também deixou escapar certa mágoa com mestre Casagrande, que o substituiu no cargo e integrava a sua direção de bateria:

– Não quero nem contato. Não gostaria nem de falar sobre ele. É ele lá e eu cá, não tem conversa. Os ritmistas da Unidos da Tijuca sabem quem eu sou.

Mesmo distante do comando de uma bateria, Celinho mostra que ficou bem atento às transformações que o quesito vem sofrendo. Ele lembra que o regulamento tem confundido a cabeça dos mestres de bateria:

– O que acontece é que hoje as pessoas ficam muito preocupadas com bossas e acabam esquecendo do ritmo, da afinação, da pegada da bateria. Isso é culpa do regulamento, que te obriga a fazer muitas bossas, abrir a bateria, isso deveria ser secundário. Em 2007, no meu último ano na Unidos da Tijuca, só perdi um décimo. Na justificativa, o jurado colocou falta de criatividade, somente isso. Em 2005, o pessoal já ficava falando quando fiz uma bossa só, mas naquela época já estava preocupado com isso, queria a minha bateria com qualidade, boa afinação, suingue, pegada no ritmo.

Mestre Celinho tem boas lembranças do Grupo de Acesso A. A estreia dele no comando dos ritmistas da Unidos da Tijuca aconteceu em 1999, quando a escola sagrou-se campeã da divisão de acesso à elite do Carnaval carioca com o enredo ''O dono da Terra''. O Paraíso do Tuiuti volta ao Grupo de Acesso A no Carnaval 2012 após vencer o Grupo B este ano.