De volta ao Grupo Especial, Pérola Negra apresenta boas alegorias em desfile sobre a felicidade

 

 

Se no ano passado o retorno ao Grupo Especial foi motivo de alegria para a comunidade da Vila Madalena, em 2014, os componentes da Pérola Negra podem se orgulhar do desfile da escola. Com um conjunto alegórico muito bem idealizado pelo carnavalesco André Machado, e a bateria de Mestre Bola realizando bossas que animaram o público, a escola fez um desfile sem grandes problemas e pode pensar mais que somente lutar contra o rebaixamento, comum para escolas que sobem à elite do carnaval. O único porém da boa apresentação da Joia Rara do Samba, ficou por conta do costeiro da fantasia do mestre-sala, que caiu em frente ao recuo de bateria.

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A comissão de frente da Pérola Negra contou a história de Creso, o poderoso rei da Lídia, que feliz por suas conquistas e fortuna pensou que poderia atacar qualquer reino existente. A encenação mostrou a soberania de Creso em relação aos outros soldados. O tripé preparado pela escola trouxe o trono do soberano na parte da frente e a reprodução de uma pira, onde o tirano seria queimado vivo, na parte de cima. Todos os bailarinos empunhavam o mesmo tipo de espada com seus escudos presos nos braceletes.

O mestre-sala Everson Sena representou o deus Netuno e a porta-bandeira Giza Camillo encenou a água-marinha, considerada um símbolo de felicidade na mitologia grega. Já os guardiões do casal representaram os cavalos-marinhos.

As três mini alegorias, representando as Graças, Deusas da Felicidade abriram o caminho para o desfile da agremiação. O carro abre-alas trouxe o símbolo da escola, a enorme escultura da Pérola Negra, junto com ninfas e mais deusas da felicidade. O destaque principal representava Zeus. A quarta ala, representou a tragédia grega e abriu espaço para um dos maiores expoentes de felicidade do desfile: a bateria. Inspirada na música de Chico Buarque, os ritmistas de mestre Bola representavam “A banda” que através de sua música alegrava os lugares por onde passavam.

O segundo setor da escola apresentou as filosofias que apresentam o caminho para a felicidade através das filosofias orientais. Elementos de hinduísmo, taoísmo e budismo foram vistos na alegoria que ainda tinha a flor de lótus como o elemento de ligação para o mundo espiritual.

O terceiro setor da escola apresentou a Idade Média e todas as suas dúvidas sobre o julgamento antes do espírito entrar no paraíso para se aproveitar da felicidade eterna. O portal do paraíso cercado por anjos celestiais e cabeças de demônios que se misturavam a livros sagrados e às tábuas de Moisés contendo os dez mandamentos.

O quarto carro mostrou o mercado da felicidade, muito comum nos dias atuais. A escola fez uma crítica à sociedade de consumo, onde a felicidade das pessoas está atrelada ao poder de compra que ela tem. Esculturas de uma família, formada pelo pai, a mãe e dois casais de filhos representaram o ideal de felicidade de consumo, onde cada um tinha gravado no corpo os ideais que almejavam.

O último setor do desfile trouxe as baianas da Vila Madalena. Representando a Pérola Negra, Joia Rara do samba, as tias abriram caminho para a comemoração do quadragésimo aniversário da escola. A última alegoria da escola reproduziu o cenário de um bar, instalado em cima do pandeiro símbolo da agremiação em uma mistura dos integrantes da velha-guarda se reunindo com a ala de crianças e celebrando sob o comando do Rei Momo que convidou o público a fazer parte da festa, que terminou aos 64 minutos de desfile.

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