De volta à Grande Rio, Dudu Azevedo ressalta que está em casa: ‘Sempre me balança’

0 Flares 0 Flares ×
dudu02
Fotos: Vinicius Vasconcelos

Depois de colocar sua metodologia de desfile no Salgueiro e deixar a escola da Tijuca muito próxima de voltar a ser campeã em mais de uma oportunidade, Dudu Azevedo surpreendeu o mundo do samba ao deixar a escola para voltar a apostar na agremiação que faz seu coração bater mais forte. Em entrevista ao CARNAVALESCO Dudu deixa claro que sua atitude de regressar para “casa” não pode ser encarada como uma coisa tão surpreendente assim.

– Sou um profissional do carnaval. Mas todo mundo tem aquele lugar que o coração bate mais forte mesmo. É como no futebol. Eu tenho muito orgulho do meu trabalho no Salgueiro, uma grande gratidão e amizade pela presidente Regina, mas a Grande Rio me fez um convite que me fez balançar. Foi aqui que tudo começou e eu não tinha como deixar de buscar mais esse desafio. Desde 2003 sempre voltamos nas campeãs, exceto em 2011 quando não fomos julgados e ano passado. Algumas coisas precisavam ser ajustadas – pondera.

Dudu substituiu um dos profissionais mais gabaritados do carnaval, Ricardo Fernandes. O diretor de carnaval da Grande Rio considera que não há mistério para se alcançar a nota máxima nos quesitos de pista.

– Nossos ensaios têm sido grandiosos, com um canto forte da comunidade. Com relação a isso nada precisou ser mexido. O segredo do carnaval no aspecto da técnica de desfile não é nenhum mistério na verdade. As notas de chão só chegam mediante um massivo trabalho com ensaios. Não tem outra forma de você alcançar a excelência em harmonia, evolução, bateria e samba-enredo no dia da apuração – opina.

Na era Ricardo Fernandes a Grande Rio só não alcançou a nota máxima em evolução em 2014, mas no quesito harmonia a escola não fecha a nota desde o Carnaval 2008, quando o próprio Dudu era o diretor de carnaval. Segundo ele o desafio maior está na leitura correta no Manual do Julgador.

– Algumas pessoas se esquecem de uma palavrinha que está lá no Manual do Julgador no quesito evolução chamada espontaneidade. As alas precisam estar coesas, organizadas, mas o componente deve estar solto, alegre. Não é um desfile militar, é carnaval. Eu tenho observado muitas justificativas nesse sentido e diversas batem na tecla da falta de espontaneidade do componente. Essa é uma situação que as pessoas já verão em nosso desfile de 2017 – pontua.

Dudu não precisou de nenhum período de adaptação à Grande Rio, já que o próprio profissional sente-se em casa na tricolor de Caxias. Não bastasse isso seu retorno promoveu o reencontro com um velho companheiro de samba e amigo de longa data, o intérprete oficial Emerson Dias. Ao lado dos dois o mestre de bateria Thiago Diogo forma um trio infernal nos bastidores mas que joga por música.

– É muito gratificante pra mim ver o crescimento profissional dos dois. Emerson vive o auge da carreira e tem a escola na mão, o Thiago é um dos mais talentosos mestres de bateria que temos no carnaval. É claro que tem hora que eu tenho que puxar a orelha porque o clima é bem informal mesmo, quem está dentro da escola sabe o quanto existe uma forte amizade aqui. Isso deixa o trabalho muito mais prazeroso sem dúvida. Mas tem hora que eu precisa falar grosso (risos) – brinca o diretor de carnaval.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 0 Flares ×
0 Flares Twitter 0 Facebook 0 0 Flares ×