Dependentes do ‘impacto’, Comissões de Frente testam transformações

0 Flares 0 Flares ×
Ela já teve diversas formações. E transformações também. Começou apenas com grupos de diretores que desfilavam à frente da escola. Passou em seguida a tê-los melhor vestidos, com roupas elegantes – uma tendência lançada por Paulo da Portela, que acreditava que os sambistas deveriam desfazer a imagem negativa que as classes dominantes tinham sobre eles. Tempos depois, com a entrada de artistas nas agremiações, começou a tolerar fantasias e objetos cenográficos. Agora, praticamente depende deles. Mas há também outros ingredientes fundamentais para o sucesso das Comissões de Frente: criatividade e, principalmente, a capacidade de causar impacto.


Para o coreógrafo Carlinhos de Jesus, que assinou seus trabalhos por muitos anos na Mangueira e agora está na Beija-Flor, essas mudanças são naturais. De acordo com o artista, aliar coreografia com criatividade de forma que satisfaça o público e também os jurados é o maior desafio. Tudo sem esquecer da palavra do momento: "impacto".

– É aí que entra o valor artístico do coreógrafo. A evolução é saudável, é a inovação do carnaval sempre presente. Lembro quando fiz a minha primeira comissão, houve quem criticasse. Mas tem que mudar sem perder a tradição, o sentido, a essência. A comissão é o cartão de visitas da escola – lembra.

Responsável por comissões de frente memoráveis, como a do enredo campeão da Mangueira em 2002, sobre o Nordeste, e a de 1999, quando falou do século do samba, Carlinhos promete um elemento impactante para o Carnaval de 2011 na Beija-Flor. O autor, no entanto, não revela o que vem por aí.

– Esse ano eu venho com uma comissão que vai causar impacto. É a primeira vez que isso vai acontecer na Avenida. Agora, se é criativo ou não, não sei. O importante é causar impacto. Tudo depende da sacação do artista – afirma o coreógrafo.

Comissão de Frente de 1999 da Mangueira

Priscila Mota: 'Tudo se modernizou, por que a comissão não poderia?'

No carnaval deste ano, a surpresa ficou por conta da Unidos da Tijuca, que levou à Avenida um show de ilusionismo com truques de mágica. A ideia do carnavalesco Paulo Barros, desenvolvida pelos coreógrafos Rodrigo Neri e Priscila Mota, foi para Carlinhos de Jesus um "casamento perfeito com o enredo e com o samba". Para ele, o "gênio" Paulo Barros "é o Joãozinho Trinta da atualidade".

Uma das responsáveis por colocar em prática as ideias de Paulo Barros, Priscila Mota acredita que o que se vê hoje em dia é um reflexo de uma geração inovadora, composta, entre outros, pelo próprio Carlinhos de Jesus e por Fábio de Melo. Para ela, que está praticamente começando no carnaval junto a Rodrigo, a dupla se tornou "referência".

– O que a gente fez esse ano, totalmente despretenciosamente, é outro ciclo. A gente faz parte disso. Nos tornamos uma referência para nós mesmos, e repetir esse fenômeno vai ser difícil, por mais que tentemos manter um formato impactante. Conseguimos criar toda uma atmosfera para a escola, foi um sucesso, mas não podemos nos deixar levar pela expectativa que se formou. Passamos pela pressão no anonimato, agora é diferente.

Comissão de Frente de 2010 da Unidos da Tijuca

De acordo com a coreógrafa, é preciso ainda agradar o público. Afinal, ele é o maior interessado no carnaval.

– Acho que o público também gosta. A maneira como fomos recebidos na Sapucaí foi espetacular, nunca vou esquecer aquele momento. Parecia que todo mundo estava esperando aquilo. Nós fazemos carnaval para o povo, mas sem esquecer da responsabilidade que temos. Esse é o caminho. Tudo se modernizou, por que a comissão não poderia? – finaliza.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 0 Flares ×
0 Flares Twitter 0 Facebook 0 0 Flares ×