Descontraída, Nenê mostra bom desempenho da comunidade em desfile sobre o amor

 

 

Quinta escola a pisar na Avenida e com vontade de voltar a figurar entre as principais do carnaval paulistano, a Nenê de Vila Matilde fez um desfile sem maiores problemas. A comunidade respondeu bem ao samba interpretado por Agnaldo Amaral, que fez uma boa estreia na Azul e Branca da Zona Leste. As alas demonstraram muita alegria e descontração, deixando clara a ligação dos mesmos com a escola matildense.

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A comissão de frente da Nenê de Vila Matilde transformou a Passarela do Samba e um grande salão. Através da dança e das fantasias apresentadas pelos bailarinos, formou-se um grande baile de máscaras no asfalto do Anhembi. Com os casais formados pela chama da paixão, os componentes flertaram entre si e lembraram todo o clima de paixão que envolve os bailes de carnaval.

O carro Abre-Alas representou o mundo inferior de Hades, deus grego da morte. A paixão por Eurídice fez Orfeu ir ao submundo para buscar sua amada Eurídice que estava sob posse do senhor dos mortos. Decorado com grandes esculturas de Orfeu e Eurídice, a alegoria possuía na parte de trás, uma enorme representação de Hades sentado em seu trono e cercado por caveiras e objetos sombrios que caracterizavam o ambiente do mundo inferior.

O amor proibido entre Ares e Afrodite foi reproduzido no figurino das baianas de Vila Matilde. A fantasia dividida em duas cores representou na parte vermelha, a guerra de Ares, e na parte branca, a paz de Afrodite. o primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, André Guedes e Janny Moreno, representaram o amor de Sansão e Dalila, no mitológico desfile da Nenê. Com trajes representando a artilharia francesa, a Bateria de Bambas, de Mestre Renato Sudário lembrou que até mesmo Napoleão Boanaparte teve sua paixão proibida.

O amor intenso de Cleópatra e Marco Antônio apareceu na segunda alegoria que reproduziu o palácio da rainha do Egito, onde seu rei, após ser derrotado, se escondia das tropas do general Otávio Augusto. Como mandava os costumes da época, a alegoria parecia ser puxada por duas bigas romana e possuía esculturas de divindades admiradas por Cleópatra. Na parte superior a reprodução de Marco Antônio de joelhos fazendo juras de amor para sua amada chamou a atenção do público.

O amor proibido entre o imperador Dom Pedro I e a Marquesa de Santos foi reproduzido no terceiro carro na Azul e Branca. A escola reproduziu o luxuoso solar de Domitila de Castro e encenou um baile, onde membros da corte que eram casados podiam ser vistos em companhia de moças solteiras. Um dos detalhes que mais chamou a atenção foi a enorme coroa real localizada na frente da alegoria.

A mais famosa história de amor que se tem conhecimento não poderia ficar de fora do desfile da Nenê. A reprodução dos jardins de Verona receberam tons de rosa e roxo para celebrar o amor de Romeu e Julieta. O casal apaixonado foi reproduzido em esculturas dentro de um livro, fazendo uma ligação com a literatura que imortalizou a tragédia amorosa dos jovens apaixonados.

Com a velha-guarda da Nenê dentro do coração posicionado na parte da frente da última alegoria, a Nenê encerou seu desfile mostrando a paixão da Colombina pelo Pierrot, sentado na lua enamorada. Em toda a alegoria havia águias estilizadas e fantasiadas com trajes típicos de carnaval. O maior símbolo da Nenê também apareceu reproduzida em uma grande escultura na parte traseira do carro que ainda trouxe uma moldura em homenagem ao “Seo” Nenê, fundador da escola.

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