Diferenças no julgamento do Grupo Especial do Rio e de SP

Por Matheus Emanuel

mangueira_desfile_2017_080A apuração é um dos momentos mais esperados do carnaval. As escolas se reúnem para ouvir a nota do trabalho de um ano todo. Em comum, sempre a busca pela nota máxima para que a agremiação se sagre campeã do carnaval. Do outro lado dessa questão, estão os julgadores, que são os profissionais que acompanham o desfile para detectar os defeitos de cada quesito. O site CARNAVALESCO se debruçou nos manuais de julgadores do carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo para evidenciar as diferenças entre os dois julgamentos. Analisamos quesito a quesito e iremos mostrar a diferença no julgamento dos dois carnavais mais importantes do país.

Harmonia

O quesito harmonia é julgado igualmente pelos dois carnavais. Ambos levam em consideração o ritmo do canto dos componentes e sua consonância junto ao intérprete da agremiação. Os julgadores penalizam as escolas que não cantam no ritmo adequado e que se confundem em dado momento no que diz respeito ao andamento do samba.

Bateria

O julgamento do Rio de Janeiro prevê perda de pontos para a bateria que não for criativa e versátil. Já em São Paulo, há uma preocupação grande no que diz respeito ao entrosamento entre os diversos naipes de instrumentos, onde pode ocorrer penalidades severas caso haja incoerências dentro de um mesmo naipe ou entre vários naipes, por exemplo.

Samba-enredo

O quesito samba-enredo é dividido em duas partes, tanto no Rio, quanto em São Paulo. Essas duas partes se referem a letra e a melodia do Samba. Porém, somente no Rio, os julgadores são obrigados a dar uma nota para melodia e outra para a letra. A nota máxima para a melodia é de 5 pontos e o da letra também, assim, o samba-enredo que obtiver um desempenho máximo nos dois sub-quesitos ganhará nota 10.

Evolução

O julgamento do Rio de Janeiro preza mais pela fluência do desfile. Penalizando o excesso de velocidade na evolução e a abertura de buracos. O carnaval de São Paulo também se pega nessas questões, entretanto, o julgador também punirá onde ocorrer efeito sanfona e invasões de alas. O quesito é julgado de forma bem equivalente nos dois estados.

Enredo

No Rio de Janeiro, o quesito enredo é dividido em dois, concepção e realização. Sendo assim, o jurado dará nota de 4,5 até 5,0 para cada sub-quesito. Em São Paulo, estes dois sub-quesitos são levados em conta, porém, não se encontra presente essa divisão de nota. No Rio de Janeiro também é analisada a criatividade e a originalidade do enredo, enquanto em São Paulo, prevê um julgamento inteiramente técnico com relação ao enredo proposto pela agremiação.

Alegoria

O quesito no Rio de Janeiro se chama Alegorias e Adereços. Em São Paulo, apenas Alegorias. A divisão de notas em concepção e realização se repete no Rio de Janeiro. Em ambos os casos, a execução e o acabamento possuem um peso fundamental no resultado final da nota.

Fantasia

Concebido novamente em dois sub-quesitos, concepção e execução. O quesito Fantasia no Rio de Janeiro tem como principal diferencial o julgamento da impressão causada pela forma e pelo entrosamento, utilização, exploração e distribuição de materiais e cores. Os outros aspectos do julgamento são bem semelhantes. Visam a uniformidade entre as fantasias, o acabamento e o sentido das fantasias dentro do enredo.

Comissão de frente

Concebido em concepção e execução no Rio de Janeiro, o principal diferencial no julgamento carioca é o fato do julgador levar em conta a capacidade de impactar o público e consequentemente a escola na hora de sua apresentação. Em São Paulo o quesito também analisa a integridade entre fantasia e tripé. Além dos julgamentos que são feitos nos dois carnavais de forma idêntica.

Mestre-sala e Porta bandeira

Em ambos os estados, a leveza e a simpatia do casal conta bastante. Porém, em São Paulo o julgador é mais rígido no que diz respeito a postura do mestre-sala e da porta-bandeira. No Rio de Janeiro, o regulamento deixa claro que o casal precisa demonstrar o bailado em ritmo de samba e não executar o ato de sambar em si. Nos dois julgamentos, fica claro que o carinho com o pavilhão tem de ser imenso durante a apresentação. Em São Paulo, o mestre-sala é penalizado se tocar o pavilhão com força extrema, por exemplo.