Diretores de carnaval contam suas experiências nos quesitos Harmonia e Evolução nos ensaios técnicos

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Após um longo intervalo entre as finais de samba-enredo, gravações e lançamentos de CDs, janeiro chegou e o início dos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí, local em que todas as escolas do Especial e Série A tem uma única e exclusiva oportunidade de por em prática o que vem sendo treinado dentro das quadras e em seus ensaios de rua. Diferente do último pré-carnaval, em que os ensaios começaram em dezembro de 2015, os preparativos para 2017 sofreram mudanças e tiveram seu início adiado apenas para a segunda quinzena de janeiro, devido as diversas modificações que o Sambódromo teve que passar para ser palco dos Jogos Rio 2016.

O site CARNAVALESCO foi ao encontro de craques quando se trata do quesito Harmonia e Evolução para esclarecer algumas dúvidas que permanecem ao longo dos anos. Seja por componentes de escolas que estão ensaiando, ou os foliões que estão nas arquibancadas. Junior Schall (Vila Isabel), Fernando Costa (Tijuca), Marquinho Marino (Mocidade) e Junior Escafura (Imperatriz Leopoldinense) foram os escolhidos para expor as realidades que todas as agremiações passam no dia de seu ensaio técnico.

final_imperatriz_1018-20-copyDas 12 escolas do Grupo Especial, apenas Imperatriz, São Clemente e Beija-Flor não realizam ensaios de rua nos arredores de suas comunidades. Seja em quadra ou rua – os diretores são de opinião única: ensaiar no ‘campo’ de jogo é sempre bom.

– Já deixa o componente mais empolgado e familiarizado com a avenida, aumenta ainda mais a sensação de que está chegando a hora do desfile, isso é um fator motivacional a mais. Fora isso, o trabalho de canto e evolução é o mesmo que fazemos na quadra, o grande lance mesmo é estar na avenida e ver o que acontece com quase toda a totalidade de componentes. Na quadra, por conta do espaço físico não é possível ver como o canto vai ecoar, num campo aberto produz uma emoção ainda maior – disse Junior Escafura.

Para o diretor de carnaval da Vila Isabel, a hora ainda é de poluir para crescer e alcançar o ponto desejado.

– Mesmo sendo só um ensaio, observamos o time quase todo na avenida. E depois disso ainda podemos fazer uma lapidação do que pode melhorar. O nosso ensaio é dia 05 de fevereiro, obviamente já vamos formatando tudo para que ele aconteça da melhor maneira, porém, é um ensaio. Observamos tudo além desse ponto. Nesse intervalo, até o dia do desfile vamos ensaiando na rua e na quadra, convocando ala por ala até chegar o número final. Na quadra estimulamos o componente a cantar para que no dia do ensaio seja natural, o nosso próprio samba estimula isso. Não só o canto, mas a evolução do corpo é primordial. É de conhecimento de todos os diretores do carnaval que um grande samba ajuda em torno de 4 a 5 quesitos, e o nosso samba causa isso. Mas ainda há o que polir, até chegar a comunhão perfeita entre harmonia, coordenação e comunidade, todos devem crescer juntos – afirmou Schall.

Os fãs do carnaval gostariam que as escolas pudessem ensaiar mais vezes na Sapucaí. E para os diretores, a opinião é a mesma. Mas, devido a crise que afunda o país, seria inviável financeiramente para grande parte das agremiações.

– Não só eu, mas a Mocidade gostaria de ter mais datas para ensaiar. Infelizmente, nós estamos passando por uma crise e fica difícil. Ensaiar na Sapucaí tem uma logística cara e se torna inviável – ressaltou Marquinho Marino.

horta-e-fernando-costaO diretor Fernando Costa, da Unidos da Tijuca, também é da opinião que seria melhor ter mais datas para ensaios.

– Gostaria de ter mais oportunidades para ensaiar na Marquês. Pra nós, quanto mais vezes se ensaia no local oficial melhor. Teve um ano que a Tijuca estava sem local de ensaio de rua e ensaiávamos na Sapucaí toda quinta-feira, era uma maravilha. Não usávamos a pista toda, mas um pedaço que era confortável para avaliar os erros – comentou.

A única escola que possui o direito de fazer seu ensaio técnico com a passarela do samba quase que 100% pronta é a campeã do ano anterior. Esse ano, a honra será da Estação Primeira de Mangueira. Fora isso, todas as outras 11 realizam seus treinos com o trio e precisam se desdobrar para que o canto entre componentes e carro de som esteja minimamente igual do início ao fim. Mas o que fazer para o canto não atravessar?

– Aprendi isso com o nosso ilustre Evandro Bocão, sempre ouvi ele falando e hoje passo para os componentes. Temos que cantar, cantar, cantar e cantar. Não pode parar de cantar um minuto. A Vila Isabel tem um chão poderoso, não estou puxando sardinha para o lado da escola pois todos sabem disso. Durante grande parte do tempo todas as fantasias eram doadas, e isso gerou uma espinha dorsal muito forte. Fora a campeã, todas tem que trabalhar continuamente o exercício de canto, feliz é a escola que consegue fazer a adição do canto forte com evolução e a Vila está nesse caminho. Quando o corpo dos foliões está feliz espontaneamente, isso agita a escola. Digo isso porque hoje é um assunto delicado, alguns sambas possuem data de validade, e isso é ruim. O meu poder de convencimento não pode ter data para terminar, é um lado lúdico mas tem que se tornar real. Quanto ao limite da bateria para entrar e sair do recuo, isso muitas vezes prejudica algumas escolas. Mas tem de haver muita comunicação da harmonia com direção, se for ruim, da errado mesmo. Contamos muito com o apoio do Wallan, e esse ano vamos ensaiar separadamente na Sapucaí também, só a bateria. Com uma boa direção e flexibilidade das alas, o trabalho fica mais fácil. Ter uma ala de cobertura atrás que saiba o papel num caso emergencial – pontuou o diretor da Vila Isabel.

marino– O canto forte é primordial. Precisamos da nossa comunidade cantando o tempo inteiro em consonância com o carro de som. E trabalho concentrado de todos os diretores de harmonia de ponta a ponta da Sapucaí – lembrou Marino.

Ainda sobre o canto das escolas, Escafura afirma que dependendo do período de ensaio ainda é permitido que os componentes levem uma “cola” do samba para concentração, mas na hora do ensaio isso não deve acontecer.

– Dependendo do período, quem vai ensaiar agora no início, por exemplo, ainda dá tempo de melhorar o canto na quadra. No caso da Imperatriz, que ensaiamos uma semana antes do desfile, já não é mais permitido. Na área de concentração nós colocamos o áudio do samba o tempo inteiro para que o componente fique com aquilo na cabeça. Até esse momento ainda é permitido colar, mas entrar na avenida com papel não é legal.

– O samba tem que estar na ponta da língua. Eu lendo posso até cantar, mas meu corpo não se expressa da maneira que necessito. Na Sapucaí não há espaço para não ter animação, e querendo ou não acaba virando uma competição. Se eu tenho um grande samba e a mídia me diz isso, se os componentes sabem disso, eles tem que estar com o samba a plenos pulmões – disse Schall.

Ao longo dos anos grande parte das escolas se adaptou a desfilar de forma compacta. Terão que se vigiar ainda mais para 2017. Com a mudança no tempo total do desfile, os diretores precisam ficar de olho no relógio para não ultrapassarem o limite. A respeito dessa compactação, cada diretor tem sua forma de dividir a escola.

– Mesmo não usando fantasias, já conhecemos todas e já sabemos o volume delas. Não podemos ensaiar para apenas mostrar que tudo está “arrumadinho”. Temos que preparar o componente tecnicamente para a “guerra”. Ensaios são feitos para treinos e testes, mas nós temos um objetivo e o que iremos fazer desde da escolha do samba. Todos componentes chegam sabendo exatamente o que tem que ser feito. O ideal do tempo de ensaio seria o tempo máximo de desfile até para dar resistência a bateria – pontuou Marino.

– Temos uma maneira de desfilar bem compacta. A Imperatriz é uma escola que ao longo dos anos se adaptou a desfilar de maneira compacta. E de uns tempos pra cá temos uma evolução mais contagiante, não é aquela coisa militarizada. O componente fica solto pra brincar, porque carnaval é isso. Brincadeira, alegria e diversão. No meu caso, oriento o componente aos diretores a estarem sempre sorridentes, alegres, para dar confiança a mais ao componente. Não me preocupo muito com fila. O pessoal sabe que não pode entrar uma ala dentro da outra. Geralmente nos programamos para fazer no tempo oficial do desfiles, claro que não é uma regra, porque não tem alegoria e o componente está mais solto – disse Escafura.

– O espaço que a Tijuca deixa livre é apenas o corpo do meu harmonia de ala, é o tamanho dele para não deixar que embole. Vamos bem agarrados mesmo, como se fosse um trem – citou Fernando Costa.

schall– Para efeito do desfile, a maioria das escolas usam 10 linhas com 8 lateralmente, eu converso muito com o Décio Bastos (diretor de harmonia) sobre isso. Cada fantasia tem cerca de 1,5m. A atenção tem que ser redobrada para que quando as paradas necessárias sejam feita não embole a escola – lembrou Schall.

Ao serem questionados sobre o motivo de nenhuma escola repetir sua entrada e saída do recuo de bateria, alguns diretores afirmaram que por ser uma coisa que já estão acostumados não há a necessidade.

– É uma coisa contínua, entrar e sair do box duas vezes. Tem um público que está lá para assistir. Repetir recuo tem que ficar mais para os ensaios de rua, ou até mesmo na Sapucaí, mas em outro dia. No dia do ensaio tem público, há um cronograma e deve ser respeitado – afirmou Escafura.

Para o diretor da Tijuca, a grande culpada da não repetição dos recuos é a imprensa. Pois, segundo ele, cada ano que passa a competição para que uma escola ensaie melhor que a outra é ainda maior.

– Na minha opinião as escolas não voltam por culpa da imprensa. Agora tem até disputa de melhor ensaio. Para melhorar isso, acredito que a Liga deveria impor um tempo máximo, e esse tempo seria usado para errar e repetir. Quando erramos, torcemos para ninguém ter reparado. Sendo que estamos ali para testar. Como não é possível parar tudo e fazer de novo porque começa o “disse me disse”, quando erramos procuramos acertar na quadra ou na Cidade do Samba.

Segundo todos os diretores, as análises dos ensaios podem servir de base para os julgadores no dia do desfile.

– Eu entendo e acredito que os jurados precisam entender daquilo que vão chancelar e julgar. Tem que fazer esse tipo de exercício. Eu não digo que influencia na hora da nota, mas o conhecimento é primordial. Obviamente, o trabalho da imprensa é necessário e consequentemente deve chegar até eles, pois são todos seres humanos e ficam curiosos – concluiu Schall.

– Há dois anos um jurado de samba-enredo copiou um comentário feito na internet e colocou na justificativa. Acho que influencia e muito. Principalmente, no quesito samba-enredo, que já vai prejulgado para avenida. Isso visivelmente acontece. Metem o pau nos sambas, e ao menos que a escola faça um super desfile e não tenha como o cara tirar nota por ter funcionado maravilhosamente bem, acontece a perda de notas. Os sambas que são malhados antes geralmente chegam no dia e tomam pau também – finalizou o diretor de Carnaval da Tijuca, Fernando Costa.

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