Dirigentes levantam suspeita sobre apuração da Lesga. Reginaldo Gomes diz que é ‘estalinho’

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Mais uma polêmica no Grupo de Acesso. Dessa vez, o ex-presidente da Caprichosos de Pilares, Paulo de Almeida, que exercia o cargo de presidente do Conselho Deliberativo da Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso (Lesga), afirmou que vai encaminhar ao Ministério Público uma denúncia de suposta manipulação de resultados no último carnaval organizado pela Lesga. A questão seria o texto escrito pelo jurado Samuel Pinto no mapa da apuração, que teria sofrido alteração, segundo Paulo de Almeida.

Em entrevista exclusiva ao CARNAVALESCO, Paulo disse que o presidente Olivier Pelé, da Acadêmicos do Cubango, encaminhou diversos requerimentos de denúncias sobre irregularidades nos desfiles e contestações que foram ignorados pela direção da entidade.

– O Pelé me procurou contestando o resultado do carnaval 2011. Os recursos deveriam ser entregues para Lesga. Como a entidade não recebeu foram encaminhados a mim. Quando o mapa de justificativa foi divulgado, o Pelé encaminhou para um perito indicado pelo renomado Ricardo Molina, que participou do caso do tesoureiro PC Farias, que constatou a incompatibilidade de escrita entre alguns aspectos do mapa. Cumpri meu dever e estou encaminhando tudo nos próximos dias para o Ministério Público que vai tomar a decisão final – afirmou Paulo de Almeida.

Entidade criada após o carnaval de 2008 para resolver as constantes discordâncias que estavam acontecendo na Associação das Escolas de Samba, a Lesga se vê envolvida em constantes problemas desde seu nascimento.

– Isso não pode mais acontecer. Todo ano o resultado do carnaval dos Grupos de Acesso apresenta problemas. Ano passado foi aquela briga enorme (quando o presidente Reginaldo Gomes teve que sair escoltado no carro da polícia da apuração). Neste ano, apesar de não haver briga, teve muito xingamento e muita gritaria. Não há mais espaço para isso no carnaval. A Lesga foi criada para moralizar a bagunça que acontecia na Associação. Temos que acabar com a conversa fiada. O Pelé e a Vera Lucia (presidente do Império Serrano), inclusive, foram impedidos de entrar na segunda reunião que aconteceu na Lesga após o carnaval, exatamente por terem contestado o resultado proclamado pela entidade. A entidade não tem dono. Os donos da entidade são as escolas. Tem que haver transparência – disse o ex-mandatário da Caprichosos.

Perguntado se foi destituído da presidência do Conselho Deliberativo da Lesga por causa das denúncias feitas pela diretoria da Cubango, Paulo supôs ter sido esse o motivo de sua saída.

– Suponho que tenha sido por causa da Cubango e das denúncias que recebi. O presidente Pelé me procurou depois de encaminhar diversos recursos e requerimentos para Lesga sem que nenhum fosse atendido. Além do mais, um dos jurados afirmou que as notas divulgadas não foram as notas atribuídas por ele. Como presidente do Conselho eu recebi as denúncias e comecei a dar prosseguimento no trâmite legal de apuração. Felizmente não estou aí para agradar ninguém. A diretoria não pode destituir o Conselho, mas o Conselho pode destituir a diretoria – finalizou.

Presidente da Lesga responde

Procurado pela reportagem do CARNAVALESCO, o presidente da Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso (LESGA), Reginaldo Gomes, rebateu Paulo de Almeida.

– O Paulo deve estar chateado porque a escola dele foi rebaixada. Não há problema com o resultado do carnaval. Não tem nada disso. Nós recebemos os recursos da Cubango, onde havia um pedido de punição para a Renascer de Jacarepaguá por ter reaproveitado uma alegoria utilizada pelo Salgueiro no ano anterior, o que é proibido pelo regulamento. Esse recurso foi indeferido, pois, foi protocolado fora do prazo estabelecido pelo estatuto da entidade. Viradouro, Santa Cruz e Estácio de Sá protocolaram recursos contra a própria Cubango e que também foram indeferidos – explicou.

Sobre a destituição de Paulo de Almeida do cargo de presidente do Conselho Deliberativo da Lesga, Reginaldo Gomes afirmou que tudo foi feito atendendo as exigências legais.

– Nós realizamos uma Assembleia Geral no mês de abril para tomar essa decisão. Nada foi feito fora do que manda o estatuto da Lesga. Se o Paulo tivesse aparecido na Lesga, ele saberia o que estaria acontecendo. A última vez que o vimos foi após o desfile da Caprichosos, na manhã de domingo de carnaval. Depois ele sumiu. Nos reunimos e seguimos as orientações do estatuto que ele mesmo ajudou a escrever. O artigo reza que o presidente do Conselho Deliberativo tem que ser substituído caso sua escola seja rebaixada, dando lugar a seu suplente. No caso do Paulo de Almeida, o suplente era o filho dele, também diretor da Caprichosos, impedido de assumir. Sendo assim, estabelecemos nova eleição, onde sete presidentes votaram na nova diretoria do Conselho.

Reginaldo aproveitou para esclarecer mais alguns pontos abordados por Paulo de Almeida.

– A tal plenária que o Pelé e a Vera teriam sido barrados nunca existiu. No dia em que estava marcada a reunião, saiu a segunda parte verba que as escolas têm direito. Com isso todos os presidentes pegaram seus cheques e a plenária não aconteceu. Todos os recursos apresentados foram intempestivos. Eles falaram em CPI, em provas, em carta, em laudo, falaram que iriam apresentar uma bomba, mas o que ele mostrou até agora não passa de estalinho – declarou Reginaldo Gomes.

O presidente da Lesga confirmou que entrará com medidas legais contra a Acadêmicos do Cubango e contra Pelé, presidente da escola.

– A Lesga terá que tomar atitudes em relação a Cubango, pois, infelizmente a escola através de seu presidente, está ferindo o regulamento e será penalizada por isso. No campo pessoal vou entrar, junto com o Salomão (presidente da Renascer de Jacarepaguá) com uma ação civil e outra criminal contra o Pelé, pois, ele não pode sair falando as coisas sem que seja responsabilizado por elas – contou.

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