Dragões encanta Anhembi novamente e entra na briga pelo título

dragoes_desfile2018_-30A Dragões da Real foi a sexta escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial de São Paulo. A apresentação da tricolor comprovou a incrível ascensão da agremiação desde que chegou ao Grupo Especial. Com um desfile sem erros e percalços e com o samba se destacando a escola entrou na briga pelo campeonato da elite do carnaval, o que será  um feito inédito para a escola. A Dragões apresentou o conjunto alegórico mais didático dos dois dias de desfile. Bastava olhar para entender toda a proposta. Fantasias leves e que seguiam a mesma linha objetiva dos carros completaram o bom trabalho da Dragões nos quesitos plásticos. No aspecto de pista também passou bem tecnicamente. Renê Sobral teve mais uma grande noite.

Enredo

No desenvolvimento proposto pelo Dragões da Real foi a própria música caipira quem contou sua história no Anhembi. O enredo abordou na avenida não apenas as músicas capipras mas o surgimento, as conquistas e vitórias enquanto gênero musical. O desenvolvimento abordou aspectos como a inspiração, o cotidiano do caipira, a cultura das regiões onde o gênero se desenvolveu, a moda caipira e o eclodir de um gênero que conquistou o coração do Brasil.

dragoes_desfile2018_-17Comissão de Frente

Um cenário adaptado para representar a alma do caipira, sua casa, seu lado engraçado, suas crendices e o seu jeito simples de brincar e se divertir com tudo esteve na representação da comissão de frente. Os berrantes representaram o chamado que a escola fez a todos os amantes do gênero para vibrar junto com a agremiação. Para levar às lágrimas os fãs do gênero, além da mãe e de nove integrantes caipiras, estiveram representados Sérgio Reis, Tonico e Tinoco, Inezita Barroso e Tião Carreiro, figuras fundamentais que fizeram a história do gênero caipira.

Alegorias e Adereços

O abre-alas do desfile era uma carroça no estilo caipira, cujas laterais evocavam violas. Um trem, ao centro do segundo carro, representou a alegria e o orgulho do caipira em ver a sua plantação se transformar em pratos da culinária local. Na terceira alegoria, um santuário com inúmeras referência do sincretismo católico foi acompanhado por devotos da Festa do Divino. O sucesso da música caipira que passou a ser executada nos rádios, televisão, cinema e teatro foi representado no quarto carro do Dragões. Na última alegoria, a representação de uma festa simbolizando os palcos da música caipira, violeiros, artistas e fãs.

dragoes_desfile2018_-4Bateria

Os ritmistas vieram representando no desfile os espantalhos, responsáveis por cuidar do milharal, evitando que pássaros indesejados se aproveitem. No enredo o figurino foi responsável por ditar o ritmo do samba que homangeia a música caipira.

Fantasias

Um dos mais belos figurinos a cruzar o Anhembi nas duas noites de desfile foi representado pelas baianas da Dragões. A inspiração de muitos versos caipiras foi o tapeta branco formado pelos frutos dos pés de algodão, representados no figurino das matriarcas da Dragões. Em um desfile marcado pela leitura das fantasias destaca-se o último setor com as canções e artistas que marcaram o gênero caipira.

dragoes_desfile2018_-25Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O bailado do zangão zunindo, buscando a melhor posição para pousar no girassol foi a inspiração para o figurino de Rubens de Castro e Evelyn Silva. A representação da cena inspirou e inspira diversas canções caipiras ao longo dos tempos.

Samba, Evolução e Harmonia

Renê Sobral agiu como um maestro na avenida. A condução do samba na avenida impulsionou a comunidade a cantar o samba o tempo todo. Além disso o cantor mostra toda sua perícia ao ousar fazer terças na avenida como fazem as duplas caipiras. Uma ousadia que coube muito bem no desfile. A evolução do desfile da Dragões esteve perfeita. Não houve uma ala sequer que não brincasse o carnaval, não evoluísse solta e dançando. O andamento de desfile também se deu sem nenhum percalço. A escola deslizou pela pista.