E agora, entenderam? Unidos da Tijuca desenvolve bem enredo e é uma das favoritas

 

Não foi a catarse coletiva vista no desfiles de 2010 e 2011, mas o desfile da Unidos da Tijuca mostrou mais uma vez o porquê de sempre estar na disputa por títulos nos últimos três carnavais. A integração entre os diversos segmentos da escola dentro da mesma concepção artística é impressionante e o conjunto tijucano foi o mais forte de seu desfile, praticamente perfeito tecnicamente. O esperado trabalho de Paulo Barros sobre o Rei do Baião que, em suas mãos virou o Rei do Sertão, Luiz Gonzaga, mostrou um lado do carnavalesco mais preocupado com a riqueza de detalhes nas fantasias e alegorias e usando menos os conhecidos efeitos nas alegorias. A comissão de frente provocou mais uma vez o delírio do público com a manutenção da mesma criatividade que consagrou o grupo nos últimos dois anos.
 

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No desenvolvimento do enredo, Paulo parece ter dado uma leve cutucada nos julgadores, já que em diversos momentos do desfile, quando os ''monarcas'' apareciam no enredo, um deles, Priscila, a Rainha do Deserto, exibia uma placa com a pergunta: ''E agora, entenderam?'' Numa clara alusão às notas de enredo que a escola recebeu no carnaval passado. Mesmo com o protesto velado, Paulo mostrou-se mais preocupado em 'didatizar' o desfile da Unidos da Tijuca, pois em diversos momentos os monarcas apareciam participando da grande viagem pela cultura nordestina que o desfile da escola do Borel mostrou. Se os julgadores vão entender como algo ofensivo ou não, só a quarta-feira de cinzas dirá.

Criticado por não imprimir uma ordem cronológica a seus enredos, Paulo desta vez levou para a Avenida algo do tipo, já que toda as realezas desembarcavam no grande aeroporto do abre-alas e eram convidadas a um passeio pelo sertão nordestino. No fim, eles foram os convidados de honra da festa que coroou o mais novo Rei do Sertão.

Análise das cabines 1 e 4

A comissão de frente da Unidos da Tijuca, coreografada por Rodrigo Negri e Priscila Motta, fez uma grande brincadeira usando o fole do sanfonero Luiz Gonzaga como base. Os integrantes entravam dentro de pequenos elementos cenográficos e realizavam uma interessante coreografia usando o desenho do fole como efeito, mas o auge da coreografia era o surgimento de um grande fole, saído imensa sanfona, que serviu como tripé para o grupo. O integrante dentro do fole gigante e colorido, realizava diversos movimentos corporais que davam origem a formas diferenciadas, levando o público ao delírio. Ao fim da coreografia, o integrante saia do fole e, vestido de Luiz Gonzaga, segurava uma sanfona em tamanho original. Nos dois módulos a coreografia foi executada com perfeição e as arquibancadas deliraram. Mais um show da dupla de coreógrafos.

Ainda na 'cabeça' da escola, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marquinho e Giovanna, vestidos de Maria Bonita e Lampião, foram muito bem nas duas cabines e confirmaram a expectativa positiva em torno do trabalho deles. A sincronia e a explosão de ambos na dança é algo impressionante. Destaque para os passos característicos de Marquinho e a classe de Giovanna para empunhar o pavilhão tijucano.

As alegorias tijucanas mostraram um Paulo Barros mais atento aos detalhes de acabamento. A semelhança entre a segunda alegoria e o Mercado São Josdé, em Recife, foi impressionante. Apenas a quinta alegoria, com problemas de acabamento no lado direito não seguiu o padrão de qualidade visto nas outras. A terceira alegoria, que representava a arte do mestre Vitalino, também impressionou pelo bom gosto e pelo acerto na concepção. As famosas coreografias, marca do trabalho do carnavalesco, também apareceram, mas desta vez em menor escala que em outros desfiles.

As fantasias da Tijuca foram outro show à parte. A escola esteve muito bem vestida e a qualidade das indumentárias dá a dimensão do investimento para esse desfile. Talvez tenha sido o melhor conjunto de fantasias que passou na Marquês de Sapucaí neste carnaval, muito bom gosto e clareza na proposta adota.

O explosivo canto tijucano não foi tão explosivo desta vez. Não que a escola não tenha cantado, mas o rendimento poderia ser melhor. Algumas alas, como a ala 18, fantasiada de Vaqueiros, deixaram à desejar. A ala 24, Maracatu, também cantou abaixo da média tijucana. No canto, destaque para o primeiro setor e os componentes das alegorias, todos eles cantavam o samba. No carro de som, uma sanfona pôde ser ouvida fazendo belos desenhos melódicos ao longo do desfile. Bola dentro da escola.

A evolução tijucana não apresentou nenhum grande problema, apenas uma oscilação entre o rítmo da escola até a saída da comissão e do casal da Avenida. Depois disso, a Tijuca só parou para a apresentação da bateria nas cabines de julgadores. A disposição dos componentes dentro das alas esteve perfeita, mas a espontaneidade foi o forte do componente tijucano. A escola exalou alegria durante sua passagem na pista.

A bateria da Unidos da Tijuca apresentou a afinação equilibrada característica e executou as bossas somente nos momentos certos. Os comandados de mestre Casagrande abrilhantaram ainda mais a melodia do samba tocando com muita educação musical e fazendo uma apresentação irrepreensível.

Cabine 2

A Comissão de Frente foi um show. Apresentação muito maneira e com uma coreografia em sobre uma sanfona, do qual um dos integrantes simulava uma mola sanfonada.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira, que vieram de Lampião e Maria Bonita, utilizaram elementos cenográficos simulando a entrada no sertão. Depois da apresentação, os guardiões se reuniam e tiravam uma foto do casal.

No quesito harmonia, a primeira metade da escola passou cantando muito bem. Já a partir da segunda metade da escola o ritmo diminuiu um pouco.

Evolução perfeita, com todas as alas compactadas. Foi a escola que passou mais rápido pela segunda cabine de avaliação.

As alegorias e as fantasias estavam de acordo com o enredo, porém, alguns carros estavam mal acabados. As fantasias estavam muito boas e retratavam bem o enredo.

A Bateria passou muito bem pelo módulo e fez uma bossa. Fato curioso, o Mestre Casagrande se apresentou para os jurados e realizou uma bossa. Com o dedo indicador, batia na própria orelha pedindo para o julgador prestar atenção e escutar bem a apresentação. Ao final, ergueu o braço e perguntou ao julgador se poderia prosseguir o desfile. Autorizado pelo julgador, a escola seguiu em frente bastante aplaudido.

Cabine 3

A Comissão de Frente passou pela terceira cabine com 21 minutos, Tripé executava uma coreografia em volta e em ciam do tripé. Eles eram molas e se movimentavam como sanfonas. Aplausos para a comissão, tanto dos jurados quanto do público.

A apresentação do casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira contou com um tripé como elemento cenográfico que servia de cenário para a apresentação do casal. Coreografia correta e bem ensaiada. Ao término da apresentação, o casal encenou com guardiões e interagiu com a ala que vinha atrás. A Porta-Bandeira, emocionada, chorou durante parte da apresentação aos julgadores.

O carro abre-alas era um aeroporto, onde os convidados chegam para a festa de coroação do Rei do Sertão. No carro estavam figuras como piloto de avião, aeromoças, e personagens como Michael Jackson, Pelé, Roberto Carlos, que desciam e subiam no carro. O conjunto de fantasias possuía acabamento perfeito. O segundo carro, apresentou problemas de acabamento na lateral direita e em parte da frente. A ala 11, trouxe bonecos de barro e causou euforia no público. Essa ala emendava com o terceiro carro, que utilizava o mesmo efeito da vestimenta da ala anterior. Esse carro possuía uma gangorra e uma alegoria humana. Os componentes cantavam forte e o carro era acoplado e haviam componentes pendurados nele.

A ala 14, o elemento cenográfico e o retorno dos personagens inicias durante a viagem para a festa do rei do Sertão. Os convidados apareceram em várias partes do desfile. A bateria parou para os jurados e executou bossa.

O quarto carro alegórico, estava como leitura confusa e não era condizente com o roteiro. Esse carro estava com problemas de acabamento e na pintura. O quinto carro, que representava o Rio São Francisco, tinha um buraco na lateral. No sexto carro, uma festa junina, que se fechava transformando-se em uma sanfona. O sétimo carro passou pelo terceiro módulo com uma hora e três minutos, e trazia os convidados na frente.

Durante todo o desfile, não houve problemas de harmonia e evolução a apresentação da Tijuca.

 

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