‘É de enlouquecer, Viradouro’. Parceria de Zé Glória vence disputa de samba para o Carnaval 2018

Por Guilherme Ayupp, Geissa Evaristo e Luis Felipe Aragão. Fotos: Magaiver Fernandes

vira_2018_final4Os compositores Zé Glória, Lucas Macedo, William Lima, Gugu Psi, Lico Monteiro, Lucas Neves e Matheus Gaúcho desbancaram o predomínio recente da parceria de Felipe Filósofo e conquistaram a vitória na grande final de samba-enredo da Unidos do Viradouro para o Carnaval 2018, na madrugada deste domingo, em Niterói. A obra será o hino oficial da vermelha e branca para o enredo ‘Vira a cabeça pira o coração. Loucos gênios da criação’, que será desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira. O resultado saiu depois das 5h deste domingo.

Zé Glória é tetracampeão na vermelha e branca de Niterói. São de sua co-autoria os hinos levados para a avenida em 2013, 2014 e 2016. Ele é o único compositor já campeão pela escola. Todos os demais venceram pela primeira vez. Destaque para os jovens Lucas Macedo e Matheus Gaúcho, integrantes do time do carro de som da escola, comandado por Zé Paulo Sierra.

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whatsapp-image-2017-08-20-at-05-27-29O compositor Zé Glória festejou sua quarta conquista pela Viradouro e explicitou para reportagem do CARNAVALESCO os fatores que levaram o samba vencer. A parceria campeã teve um início da apresentação muito forte. O refrão principal mostrou-se bastante funcional com a torcida cantando com empolgação. O palco comandado pelo intérprete Gilsinho empolgou a torcida, valorizando a apresentação. Muitas bolas e bandeiras em vermelho e branco deixaram a passagem bonita, surpreendendo a parceria favorita de Felipe Filósofo.

– É gratificante e emocionante celebrar essa vitória. Uma disputa bastante acirrada. O que mais me comoveu nesse enredo foi a grande homenagem que vamos fazer ao Joãosinho Trinta. Acredito que o fator emoção foi primordial nessa vitória. Quero parabenizar todas as demais parcerias, amigos queridos como o PC Feital e o Filósofo, com os quais já fui campeão, inclusive, na própria Viradouro. Agora o samba é da escola, tanto que todos vieram festejar no palco – afirma o compositor.

vira_2018_final2Compositor e cantor, Lico Monteiro também falou da vitória.

– Cheguei na Viradouro no ano passado convidado pelo intérprete Zé Paulo e integrei o carro de som. Esse ano tive o desafio de escrever um samba, uma verdadeira coisa de louco, como o enredo. Nossa loucura deu certo e hoje o nosso samba é hino da Viradouro. Tenho muito orgulho e honra de vencer pela primeira vez na Viradouro. Pra mim a parte do samba que mais vai “pegar” é “Eu sou um sonhador/ Um pierrô alucinado / Artista de uma escola de verdade / Orgulho de ser comunidade …”. A sinopse belíssima e muito bem escrita ajudou muito a construção do nosso samba. Fomos felizes e abençoados por Deus.

Final com clima de Grupo Especial

whatsapp-image-2017-08-20-at-01-00-04A Viradouro preparou um grande evento para mostrar sua força. Com entrada franca até meia noite o público foi ótimo na quadra da agremiação. Personalidades do primeiro escalão das escolas de samba marcaram presença, como os presidentes da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, e Paraíso do Tuiuti, Renato Thor, que é vice-presidente da Lierj. O filho de Capitão Guimarães, Luiz Guimarães, também foi acompanhado do presidente da Vila Isabel, Bernardo. Também representando a Lierj, o diretor de carnaval da entidade, Thiago Monteiro.

Na ocasião foi apresentada a nova musa da Viradouro, Luana Bandeira, ex-rainha de bateria da Estácio de Sá. Com um figurino sensual vermelho a beldade foi recepcionada pela rainha Raíssa Oliveira, que apostou em um look em tons de ouro e vermelho, também valorizando suas curvas. O primeiro casal Julinho e Rute rasgou o chão da quadra no momento que Zé Paulo cantou o samba de 2017. Chamou atenção o momento em que o pavilhão foi oferecido a Fernando Horta e ele deu um carinhoso abraço na dupla, que defendeu o pavilhão tijucano nos últimos quatro carnavais.

Zé Paulo demonstrou sua habitual categoria no comando do palco, auxiliado pelo carro de som da Viradouro e a bateria Furacão Vermelho e Branco. A apresentação dos segmentos da escola teve início com o samba exaltação da escola e em seguida o hino de 2017 para a apresentação dos casais. Antes de começar a disputa final o intérprete ainda relembrou na quadra os sambas de 1991, 2003, 1997, 2007, 1998, 2014, 2016, um verdadeiro desfile com os clássicos que marcaram a história da escola.

Viradouro reduz alas comerciais e vai doar 1.500 roupas

vira_2018_final3Visando o título da Série A a Viradouro vai reduzir o número de alas comerciais e investir na doação de roupas para a comunidade no desfile. Os ensaios de quadra devem ter início daqui 15 dias, conforme explica um dos diretores de carnaval, Dudu Falcão.

– Vamos trabalhar com o número de 1.500 fantasias doadas. Serão de 200 a 300 roupas comerciais. Acreditamos que esse seja o ideal para alcançarmos nosso objetivo maior que é uma escola com o chão forte. Vamos ensaiar em nossa quadra dentro de 15 dias, pois usaremos esse período para trabalhar o samba campeão e fazer os ajustes que se fizerem necessários – explica Falcão.

Alex Fab, que divide a direção de carnaval com Dudu, afirma que a Viradouro deve ir para a rua no mês de novembro e torce para que haja um entendimento com o poder público para a realização dos ensaios técnicos no Sambódromo.

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– Acredito que o mês de novembro é o ideal para irmos para a rua, já que estaremos ainda distantes do período de festas. Mesmo assim é claro que esperamos que os ensaios técnicos ocorram. Eu não acho que deva haver essa competição que se estabeleceu de que determinada agremiação fez o melhor ou o pior ensaio técnico. Mas na minha avaliação é uma forma das escolas avaliarem melhor a quantas anda sua estrutura de desfile – opina Fab.

Presidente reconhece favoritismo mas evita falar em valores

temporeal_viradouro-8Com uma das equipes mais fortes da Série A para o desfile de 2018 a Viradouro tem sido apontada pela crítica como grande favorita ao título do carnaval. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, o presidente Marcelo Calil Petrus Filho não se esquiva da força da escola, mas deixa claro que ninguém vence de véspera.

– Montamos uma equipe forte e é natural que as pessoas falem algo nesse sentido. A escola tem de lidar com essa situação sem se deixar iludir. Tem de fazer um desfile que corresponda à expectativa de todos, mas sabemos que a avenida é traiçoeira e temos de estar o tempo todo imbuídos de cumprir o nosso planejamento com muita consciência de que outras escolas também vai batalhar por esse disputado campeonato – detalha Calil.

Mediante a crise e ainda a indefinição da verba para as escolas da Série A, Calil explica que a Viradouro tem o trabalho adiantado, embora prefira não mensurar os valores para o desfile da Viradouro em 2018.

temporeal_viradouro-11– Eu acho precipitado falar em valores agora, pois ainda estamos aguardando a definição dessa situação com a prefeitura. Tenho certeza que a Lierj está fazendo tudo que está a seu alcance para conseguir o melhor para a Série A. Estamos com nosso cronograma dentro do que foi planejado, tanto no barracão quanto nos ateliês – garante o presidente.

O mandatário da Unidos do Viradouro também opinou sobre a possibilidade de não haver ensaios técnicos no Sambódromo para o Carnaval 2018.

– Esquecendo minha condição de presidente eu acho que como sambista o ensaio técnico é uma oportunidade única para que muitas pessoas possam estar perto das escolas. Não apenas no aspecto financeiro, mas muito gente fica impossibilitada de estar nos desfiles. O ensaio técnico é muito importante nesse sentido. Torço para um entendimento para a realização dos ensaios ano que vem – finaliza.

Edson Pereira encontra novos ares no retorno para Viradouro

temporeal_viradouro-1Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Edson Pereira contou a diferença que notou nesse regresso para Viradouro. O artista foi o responsável pelo desfile de 2010. Em relação aos preparativos para o Carnaval 2018, Edson Pereira contou que a escola está bem adiantada, e espera chegar na reta final de preparação sem pressa e com tudo bem feito.

– Eu não tinha tanta liberdade, como eu tenho agora, além de ver atualmente uma escola consolidada, sabendo do que quer, uma escola que quer crescer e voltar para lugar que é dela. Estou muito feliz, estamos trabalhando dia e noite para que esse sonho vire realidade – disse Edson Pereira.

Bateria terá 280 ritmistas

Com 280 ritmistas e regida por mestre Maurão, a bateria Furacão Vermelho e Branco iniciará seus ensaios nesse mês de agosto. O comandante da bateria em entrevista ao site CARNAVALESCO explicou que o foco para o Carnaval 2018 é o aprendizado, sendo assim, foi retomada da oficina de ritmos.

temporeal_viradouro-5– Esse ano optamos por focar mais em escolinha de bateria que há muito tempo a Viradouro não tem. Iremos começar nossos ensaios agora após a escolha do samba. Para a preparação da gravação do CD, realizaremos duas semanas de ensaios fechados com o carro de som e em setembro abrimos para a comunidade. Gosto de trabalhar e estamos fazendo isso. Já sabemos o nosso figurino, apesar de ser surpresa, posso adiantar que é leve e ideal para os ritmistas. Eu gosto de um andamento mais cadenciado, mas a cara da Viradouro não é essa. Para 2018 teremos novamente algo em torno de 146 e 147 BPM (batidas por minuto).

Casal top do Especial na Série A

Após 15 anos afastada dos desfiles do Grupo de Acesso, Rute Alves estreará na Série A em 2018 como porta-bandeira na Unidos do Viradouro, ao lado do mestre-sala Julinho, que se reencontra a Viradouro após 10 carnavais.

temporeal_viradouro-3– Não vejo diferença em ser porta-bandeira na Série A ou no Grupo Especial, também não considero ter que dar nota 10 como um peso, vejo como uma grande responsabilidade e quando uma grande responsabilidade vira uma meta, a gente trabalha para alcançá-la tanto na Série A, quanto no Grupo Especial. Fiz 20 anos de Avenida. Já vivi muita coisa, muitas festas, não me deslumbro com mais nada. Gosto de ter um pavilhão pra chamar de meu e isso eu tenho – disse Rute.

– A Viradouro é uma escola que já foi campeã do carnaval. Tem uma força imensa, tremenda, uma comunidade, um chão, um histórico de grandes sambas. Após 10 anos poder voltar a viver tudo isso é maravilhoso. A forma como a comunidade está nos recebendo e a forma como a diretoria nos trata desde o primeiro contato é emocionante. O projeto de resgate da Viradouro nos incluia e isso nos fez querer estar aqui – afirmou Julinho.

Confira abaixo como foram as apresentações das outras parcerias finalistas:

Parceria de PC Portugal

whatsapp-image-2017-08-20-at-03-23-07A composição foi defendida pelo jovem cantor Piti Menezes e o experiente Ronaldo Yllê. O samba encontrou muita dificuldade em fazer a torcida cantar. Muitas pessoas não sabiam a letra e poucos cantavam. Os que cantavam necessitavam acompanhar a letra. A parceria coloriu a quadra com bolas e bandeiras nas cores vermelho, branco, azul e vermelho. O canto foi melhor quando a bateria parou de tocar por uma passada.

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Parceria de de Paulo Cesar Feital

Com a torcida menos numerosa da noite a parceria encontrou dificuldades em sua apresentação com uma melodia excessivamente dolente, que impedia a explosão da obra. A pequena torcida não cantou a composição a contento, comprometendo seu rendimento. De destaque a segura atuação de Wantuir.

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whatsapp-image-2017-08-20-at-04-05-15Parceria de Felipe Filósofo

Incorporado no espírito do enredo o compositor Felipe Filosofo subiu ao palco fantasiado. O samba favorito durante toda a disputa acabou não confirmando o favoritismo, embora tenha sido a melhor apresentação da noite, cativando os segmentos da Viradouro mais que os demais. Um show de Tinga no palco, o ‘mister final’. O refrão principal com o verso ‘virou, pirou’ incendiou a quadra da Viradouro.

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