É o “boom”, quem não viu? A casa caiu

É o "boom", quem não viu? A casa caiu

O verso que dá título à coluna é do samba da Unidos da Tijuca. Além de estar dentro do espírito do enredo ele tem uma outra interpretação, mais ampla. Podemos entender que a escola está mandando um recado aos tradicionalistas, após a vitória de seu desfile inovador de 2010. Uma sacada interessante, assim como outras que existem ao longo do samba que permitem encenações, coreografias e teatralizações.
Como exemplo, no trecho "Apague a luz" a quadra da escola ficava às escuras após o anúncio do samba campeão.

Julio Alves e Totonho venceram mais uma vez porque seus sambas têm conseguido entender o estilo de carnaval que a escola propõe. São enredos pouco convencionais e por isso difíceis para quem está acostumado com temas históricos, romãnticos, e exaltações. A abordagem
da letra é diferente: não pode revelar todos os detalhes da história para não quebrar o impacto e a melodia precisa permitir marcações bem definidas para as coreografias.

É verdade também que a sequência de vitórias da dupla desanima outros compositores de concorrerem na escola. Isso torna a disputa
mais fácil para eles. Não havia em toda a safra um samba sequer que pudesse lhes fazer frente desta vez. Era uma vitória esperada desde que os concorrentes foram divulgados.

FESTEJANDO NOVAS GERAÇÕES

André Diniz ganhou mais uma vez na Vila. Já são doze vitórias. Ninguém discute o talento dele, mas eu acredito que a escola precisa apostar também nos seus novos valores. Nos últimos a Vila tem conseguido revelar bons grupos de novos compositores. Alguns estiveram
na final de ontem com muito brilho. Eles são o futuro da escola.

O samba escolhido tem muitas qualidades – especialmente pela letra – e vai representar bem a escola, mas representa um estilo que já soa um tanto repetitivo pelas inúmeras vitórias que a parceria tem alcançado. Seria bom para a Vila e para o carnaval um sopro de novidade. Daria novo fôlego e mais oxigenação para todos. Além de motivação para os novos talentos que precisam de espaço para mostrar que
sabem criar com qualidade também. A COMUNIDADE ABRAÇOU
Não acompanhei tão de perto a disputa na Grande Rio, mas fiquei feliz porque pela primeira vez na história recente da escola não ouvi fofocas sobre acertos para vitória deste ou daquele samba. Ganhou aquele que conquistou a quadra numa disputa com outras obras de nível muito parecido.

Não é um samba para entrar para antologias do gênero, mas se for realmente "abraçado" pela comunidade vai trazer um brilho muito maior
ao desfile do que obras anteriores que foram enfiadas "goela abaixo" dos componentes. Cantar com orgulho é a melhor coisa para os componentes e, consequentemente, para a escola.