Eabadeiaia! Bangu canta e parceria de Diego Nicolau vence disputa de samba

Por Guilherme Ayupp, Dandara Carmo, Luis Felipe Aragão e Allan Duffes

bangu_final2018_festa_02O samba dos compositores Diego Nicolau, Dudu Senna, Richard Valença, Renan Diniz, Orlando Ambrósio, Rafael Tinguinha, Rafael Prates, André Kaballa, Marcio de Deus, Washington Motta e Ivan Câmara saiu consagrado campeão na disputa de samba da Unidos de Bangu, na noite deste domingo, no Cassino de Bangu. A obra superou as demais quatro parcerias finalistas e chegou à vitória. A composição será o hino oficial da escola no desfile do ano que vem, quando apresenta o enredo “A travessia da Calunga Grande e a nobreza negra no Brasil”, de autoria do carnavalesco Cid Carvalho.

Uma apresentação arrebatadora que enlouqueceu a quadra durante as seis passadas. O poderoso palco conduziu a apresentação com muita força. Liderados por Marquinhos Art’Samba os cantores foram os destaques da apresentação campeã. A torcida, apesar de não muito numerosa, cantou bastante a obra, principalmente, o refrão principal. Foi o samba que mais recebeu apoio dos segmentos da escola durante sua exibição.

bangu_final2018_festa_06A parceria é uma verdadeira seleção com as melhores canetas do carnaval. Diego Nicolau, um dos mais completos compositores da atualidade, possui sambas assinados na Mocidade, Viradouro e Renascer de Jacarepaguá, agremiação onde também é o intérprete oficial. Os demais integrantes do time são basicamente formados pela parceria que venceu a disputa na Acadêmicos da Abolição em 2017. Apenas Dudu Senna já tem um samba campeão na escola, na última vez que a Unidos de Bangu passou pela Sapucaí, em 2015.

Depois da vitória Diego Nicolau enalteceu a disputa, elogiou os concorrentes e revelou que o diferencial da obra foi o refrão, inspirado em antigas obras de Zé Katimba na Imperatriz.

bangu_final2018_festa_09– A disputa foi bem acirrada no melhor sentido da palavra. Tínhamos outras grandes obras nessa final e eu parabenizo a todos os compositores. Estou muito feliz pois o desejo da comunidade foi respeitado e graças a Deus foi com a nossa obra. O nosso refrão é maravilhoso, foi uma super sacada. Foi uma ideia do Richard Valença de usar essa onomatopeia. Nos inspiramos em alguns sambas passados do Zé Katimba para a Imperatriz e acertamos em cheio – definiu Diego.

Para o compositor Richard Valença, o segredo da vitória foi conquistar o apoio da comunidade.

– Todo mundo sabe que a minha escola de coração é a Mocidade Independente de Padre Miguel, mas a tenho um carinho imenso pela unidos de Bangu. É a escola do meu bairro, onde eu nasci, onde eu me criei. Ninguém conquistou a comunidade como conquistamos. Eu e o Diego Nicolau ganhamos pela segunda vez, mas temos na nossa parceria pessoas que já ganharam cinco vezes. Essa parceria é foda! Acho que todo o samba vai ser cantado na Sapucaí – contou Richard Valença.

Bangu sonha alto para o ano que vem

bangu_final2018_002Para o desfile de 2018, a Unidos de Bangu terá a ingrata missão de abrir os desfiles da Série A na sexta-feira de carnaval. Segundo o presidente Marcelo do Rap, a apresentação será histórica.

– O investimento é pra fazer um carnaval top. Como costumo falar, com toda humildade do mundo, nós não vamos para nós manter no grupo e sim brigar por título. Esse investimento não é de recursos públicos, buscamos parcerias para fazer o Carnaval 2018, com o objetivo de ficar entre as cinco primeiras. Vamos com o contingente de 2.200 componentes pra avenida, todos eles bem vestidos, já estamos com 70% de fantasias das alas formadas. Todas as alas são da comunidade, a Unidos de Bangu não trabalha com ala comercial – contou Marcelo do Rap.

‘A temática afro nunca será repetitiva nos desfiles’, diz Cid Carvalho

bangu_final2018_004O carnavalesco Cid Carvalho é um dos artistas de maior personalidade do carnaval. Sem se furtar de emitir opinião sobre qualquer assunto o artista, que em 2018 assina os desfiles da Beija-Flor e Unidos de Bangu, falou à reportagem do CARNAVALESCO a respeito do enredo da Vermelha e branca da Zona Oeste. Cid avalia que a temática afro nunca será repetitiva nos desfiles de escola de samba.

– Tenho lido alguns comentários no sentido de que será mais um enredo afro. Sim será. Como se denunciar o que se fez e se faz com a raça negra neste país fosse desnecessário. Denunciamos e nada acontece. Eu tinha esse enredo na gaveta. Penso que nós brasileiros não somos herdeiros de escravos, mas de reis, rainhas e princesas africanos, que foram escravizados. Por isso seja um povo que resiste e luta tanto. Está no sangue – diz Cid.

Dupla no comando do carro de som

A Unidos de Bangu terá os cantores Thiago Britto e Leandro Santos em seu carro de som para 2018. A dupla conversou com o site CARNAVALESCO.

bangu_final2018_067– Eu já tive a experiência na Inocentes de Belford Roxo em 2013 e graças a Deus deu tudo certo. Aqui não tem porque ser diferente. Eu e Leandro somos amigos desde moleques, desde pequenininhos. A gente começou praticamente juntos, a nossa história é bem parecida, aqui é um conjunto. A gente quer que a escola faça um carnaval a altura para chegar bem competitiva lá na Marquês de Sapucaí. É dupla somente no nome, aqui nós somos uma só família todos juntos em prol da Unidos de Bangu – afirmou Thiago.

Leandro Santos ressaltou a força do samba vencedor.

– O samba possui aquela garra. A gente larga na frente. Eu tenho certeza que vai ser um grande samba para passar muito bem na avenida – garantiu.

Casal premiado é a segurança de Bangu

bangu_final2018_064A Unidos de Bangu correu atrás e trouxe o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego Falcão e Jack Gomes, com a certeza que alcançará pontuação máximo no desfile.

– A responsabilidade é a mesma de todos os anos. A escola na Sapucaí ou não o casal sempre entra focado nos 40 pontos. A gente sabe que tem um desafio maior porque existe um pré-conceito com a escola que sobe. Mas a nossa experiência da uma tranquilidade nesse quesito. Estamos trabalhando, muito ensaio e muita coreografia para na hora dar tudo certo – disse Diego.

A porta-bandeira revelou que a preparação da dupla já começou.

– Estamos ensaiando três vezes na semana. Cada um tem sua preparação pessoal, como musculação e dança. A partir de segunda feira, com o samba já escolhido, começamos a montar a coreografia.

Novidade na bateria

bangu_final2018_005Um outro reforço chegou para o comando da bateria. Mestre Léo, ex-Curicica, assumiu o comando dos ritmistas e está ciente da responsabilidade na pontuação do quesito.

– Cada ano é uma nova experiência. Está sendo positivo. Uma nova escola, um novo pavilhão, estou colocando um pouquinho do meu jeito, da minha cara. Nós teremos 220 ritmistas. Estamos trabalhando justamente para isso, colocar uma coisa nova para o pessoal da casa, mas também com a minha cara – explicou.

Como foram as outras apresentações:

Parceria de Felipe Filosofo: O som de má qualidade prejudicou sensivelmente o desempenho da parceria. O samba não mostrou na final o favoritismo indicado durante toda a disputa. A torcida não era muito numerosa, mas conseguiu fazer uma bonita festa na quadra, com bandeiras e bolas. Naturalmente mostrou sua força na passada sem bateria. A parceria, no entanto, não trouxe os intérpretes que defenderam o samba na gravação.

bangu_final2018_102Parceria de Fabio Fonseca: A torcida da parceria fez uma festa grandiosa na quadra. Com placas de efeitos luminosos, balões e bandeiras, cantaram o samba desde antes da apresentação iniciar. O intérprete Thiago Acácio incendiou o público. Durante a apresentação a torcida deu um show de empolgação e canto.

Parceria de Marcelo Guimarães: Não foi uma tarefa simples para a parceria se apresentar depois da avassaladora atuação de Diego Nicolau e seus parceiros. Foi o próprio Marcelo Guimarães quem cantou a obra. A passagem do samba foi irregular em uma final de alto nível.

Parceria de Thiago Martins: O samba que destoou no bom nível apresentado na final da Unidos de Bangu. Praticamente sem torcida se apresentou para uma quadra muito vazia, o que interferiu na apresentação.