Ecos do seminário

Findo o seminário fica a impressão de uma nítida radiografia. Ou, para ficar mais atualizado, uma ultrassonografia das boas. Na verdade uma exposição relevante do que pensam aqueles que, afinal, são os que fazem o carnaval acontecer. Não a opinião de jornalistas e blogueiros ou de internautas menos ou mais tradicionalistas. Não a opinião daqueles que dirigem o carnaval a partir do ponto de vista das funções que lhes cabe na grande festa. Não, ali não era a opinião dos sites, dos torcedores, dos dirigentes das escolas. Também não a opinião da LIESA, da RIOTUR ou da TV GLOBO. Desta vez o que vimos foi uma imensa bandeja com pedaços de ressentimentos, queixas, dúvidas, muitas dúvidas e até frustrações: muitas frustrações. E também, e é o que nos importa, sugestões de artistas da folia.

Ninguém ali com espírito de confrontação a esta ou aquela entidade, ninguém com o espírito “sabe tudo” a querer cuspir regras infalíveis. Pessoas comuns que fazem o carnaval, só isto. A intenção, uma só: levar esta bandeja à LIESA, à RIOTUR, à LESGA, à ASSOCIAÇÂO para que dela fossem tirados os pontos considerados essenciais para melhorar nossa festa tão bonita.

A certeza tirada dali, à unanimidade, da imensa distância entre o sucesso da estruturação da festa em si, do êxito do fomento turístico e um julgamento que não corresponde nem de longe ao que o carnaval precisa e merece. Algo que já sabíamos todos, mas não sabíamos tão claramente.

Por mais e melhor que se consiga exprimir em letras, nada se comparará às imagens colhidas, aos depoimentos tomados. Quanto valerá em percentual do saber carnavalesco a mesa composta por Wagner Araújo e Laíla?

E não se pense que tudo foram flores ou sugestões concretas e objetivas. Quem poderá, sem ver/ouvir, imaginar a discussão intensa da mesa sobre bateria, composta por Odilon, Ciça, Nilo Sérgio e Gilmar, sobre a sugestão saída de outra mesa, de Laíla e Wagner, de se instalar mais um box de bateria no centro da pista, para “esquentar” de vez o carnaval.

Ou então imaginem a mesa composta por Carlinhos de Jesus e Jaime Arôxa, representando a dança de salão, e mais Missailides e Bejani, da dança clássica, discutindo se os quinze integrantes da comissão de frente devem ser considerados ocultos ou aparentes.

Sim, grandes discussões e debates tanto para preservar tradições como para buscar inovações.

O grande avanço verificado em direção do aprimoramento do julgamento é, sem dúvida, a decisão que fez publicar, além das notas, as justificativas dos julgadores. Um avanço que só se completará através de um processo constante de avaliação do comportamento, da relação entre o julgador, a regra de julgar, e o conceito do que se procura julgar e premiar.

Essa defasagem esteve lá… exposta.

A pergunta que se impõe é esta: por que tem que ser assim?

E mais: Precisa ser assim? É possível que não seja assim?

Da mesma forma como se deseja um julgamento menos superficial, e que se busque o direito a um resultado que premie a beleza da arte popular, se reconhece o direito, e até a obrigação, das autoridades em buscar a eficiência orgânica dos desfiles e a atração de turistas de toda parte que beneficie a economia da cidade.

O seminário mostra que tal composição é possível. E só é assim a partir da sinceridade de propósitos, do equilíbrio entre os atores e, principalmente, da vontade tão grande que todos temos de fazer dela a festa, não a maior, mas a mais bonita de todas.

A ideia é essa. Ano que vem faremos outro encontro, sempre e logo após a publicação das justificativas. Bem uma coisa nossa que gostamos do carnaval das escolas de samba, que nos dedicamos a ele e por considerarmos que podemos melhorá-lo realizando, como agora, essa mediação entre os “fazedores” e os dirigentes do espetáculo.

O relatório vem aí, já, já…