Editorial: ‘É hora do carnaval reagir’

cuidar_pessoasO atual prefeito do Rio de Janeiro foi eleito com o slogan “É hora de cuidar das pessoas”. A maioria acreditou. E ele venceu em outubro de 2016. E teve apoio do mundo do carnaval. Os sambistas e seus dirigentes apoiaram. Por mais incrível que possa parecer os representantes das escolas de samba embalados por uma visita do candidato na sede da Liesa acreditaram nas promessas de campanha. Os experientes dirigentes, muitos cascudos de outras batalhas, confiaram na lábia política. A desculpa era sempre a mesma para não apoiar o candidato do outro lado. “Não vou apoiar comunista”, “É um lunático, barbudo, “não conhece o subúrbio, nunca visitou a Zona Oeste”.

Hoje, a gente relembra o Evangelho de Lucas 23:34 e deixa a mensagem para esses representantes: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabiam o que estavam fazendo”. E apresentamos alguns questionamentos: “cadê a promessa feita na sede da Liesa?”, “cadê o defensor do sambista?”, “cadê o pedido de desculpas dos dirigentes que apoiaram o 10 aos sambistas?”.

crivella_carnaval141016O site CARNAVALESCO caminha sempre lado a lado com os sambistas e escolas de samba. Nesse momento, o nosso editorial é carregado de tristeza, mas não esquecemos que foi feita uma opção clara no segundo turno das eleições de 2016. O preço está sendo pago. Porém, a gente não torce contra e nem está comemorando. Queremos apagar isso das nossas memórias. Basta! É hora de união. De todos. Escolas de sambas e ligas. Temos que acreditar na nossa força. Não temer, JAMAIS! Enfrentar e sempre lutar pelo nosso povo.

Temos erros? Milhares. Foram anos deitados em berço esplêndido. Achando que não era necessário pensar e repensar nossos desfiles e estruturas. O tal ser independente e os incentivos dos mecenas cobriria qualquer dificuldade momentânea. Porém, a gente sabe que não temos um conto de fadas. Conhecemos nossos defeitos, mas o site CARNAVALESCO pede que o momento agora seja de reconhecer nossas virtudes. Lembrarmos das pessoas que lutaram e dedicaram suas vidas para que os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro recebessem o título de maior espetáculo da terra.

Vamos cobrar do prefeito Marcelo Crivella o apoio incondicional ao carnaval. É dever da Prefeitura do Rio incentivar as escolas de samba, elas agregam cultura, arte, economia, turismo, representam o cotidiano da cidade. Esse apoio deve ser amplo e que inclua todos os grupos, sem esquecer dos blocos, tão fundamentais para o ressurgimento do carnaval popular no Rio de Janeiro. Os vereadores do Rio precisam estar ainda mais envolvidos nessa cobrança. Ela precisa ser diária.

crivella_liesaFalamos não apenas do corte da verba do Grupo Especial, Série A e Liesb. Precisamos cobrar o apoio do homem que prometeu “cuidar das pessoas” que ele cuide da gente também e da nossa cultura. Incentive os nossos eventos, lute para realização dos ensaios técnicos (o maior evento do Rio em janeiro) dando toda estrutura necessária, através das diversas secretarias municipais, e dê atenção prometida no ano passado. Essa mobilização de cobrança tem que ser barulhenta. Vamos levar nossas baterias para a porta da Prefeitura do Rio, vamos caminhar até o Palácio da Cidade, em Botafogo, vamos fazer vigília do samba no Sambódromo. Não podemos seguir parados. A luta só em gabinetes não funcionou. A cada reunião que passa somos ainda mais enganados.

O que tememos é que o conselho superior continue preferindo o silêncio. Essa tática não funcionou. Desde julho, as escolas esperam o depósito prometido de parte da verba. Começamos o mês de novembro e nada chegou. O que falta para reagir? Sempre ouvimos que o conselho superior defende o carnaval até o fim. Então, a gente repete: O que falta para reagir? Não adianta falar que entendemos a crise econômica. Essa desculpa não serve mais. Sabemos que é na crise que muita gente reúne força, criatividade e vence.

As pessoas que vivem o dia a dia do carnaval estranharam o momento que o Ministério do Trabalho decidiu realizar visitas aos barracões. Elas são fundamentais? Não temos dúvida. As escolas fazem gambiarras para colocarem seus carnavais na rua e devem ser fiscalizadas e cobradas sobre isso, afinal, nós falamos do maior espetáculo da terra. Só queremos entender o momento escolhido. A parte de maquinário nos barracões está parada há mais de 10 dias e não há previsão de volta. As obras que precisam ser feitas em alguns espaços podem durar mais de um mês e isso sem falar no valor da conta. Não é possível pensar em um termo de ajustamento de conduta que seja uma solução paliativa para o momento? E após os desfiles de 2018 cobrar realmente uma reforma nos espaços e que atenda todas medidas de segurança.

reuniao_liga_crivellaNa noite de terça-feira, a Lierj se posicionou após a notícia que o prefeito cortará em 50% a verba das escolas da Série A. Agremiações que não possuem nem barracões. O que é feito no Acesso é milagre cultural e social. Os locais não são dignos e, ainda assim, o homem que prometeu “cuidar das pessoas” decide cortar o pouco que essas instituições culturais, representantes de comunidades carentes do Rio de Janeiro, possuíam para fazerem suas apresentações na Marquês de Sapucaí. E na Liesb? O corte praticamente aniquila escolas fundamentais para suas comunidades e para a história do carnaval.

Não podemos esquecer da luta pela verba e estrutura digna para realização dos nossos eventos e desfiles, mas precisamos atuar em várias frentes. Temos também que tocar o carnaval. No meio de todos os problemas que enfrentamos não podemos esquecer que o regulamento de 2018 não foi decidido ainda. Saímos de 2017 com a promessa que muitas coisas mudariam no Grupo Especial. É preciso correr atrás das alterações benéficas no regulamento e no manual do julgador. Temos que falar dos sambas, cobrar os ensaios técnicos, falar dos enredos. Precisamos deixar o carnaval vivo.

O silêncio, a tristeza, e as portas fechadas só nos derrubam mais. Vamos escancarar a nossa festa. Somos fortes. Somos do povo. É preciso que a gente acredite na gente. Não vamos deixar que o nosso rebanho fique isolado e sem reação. Desde julho, a imprensa está cobrindo dignamente todos esses assuntos. Temos a imprensa como aliada nesse processo. Vamos atuar! Não temos dúvida que vamos estar juntos na Avenida em 2018, com ou sem alegoria, fantasias, porque samba no pé, na alma e no coração não vai faltar nunca. Acredita na sua força, carnaval!