Em “alto astral”, Império faz bom desfile e resgata “orgulho tijucano”

 

A viagem do Império da Tijuca aos confins da imaginação foi em grande estilo. Mostrando a que veio, a Verde e Branco tijucana, desde os primeiros minutos de sua passagem pela Sapucaí, fez um desfile para deixar orgulhosa a população de um dos bairros mais tradicionais do Rio de Janeiro. Apesar do enredo complexo, a escola mostrou muita desenvoltura e, embalada pela afinação perfeita da bateria do mestre Capoeira, evoluiu corretamente e cantou forte. Com a mistura certa de luxo e simplicidade, apresentou fantasias e alegorias bem trabalhadas e que compuseram um conjunto muito interessante.

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O primeiro setor da escola, falando dos Reinos Encantados, teve como destaque o belíssimo carro abre-alas, branco, com efeitos luminosos em tons violeta e com um neon verde na parte inferior. As roupas dos componentes eram um pouco pesadas, porém muito luxuosas. A partir da sexta ala, no entanto, o carnavalesco Severo Luzardo deu outra cara ao seu desfile. Mais simples, colorida e também de muito bom gosto. Representando o Doce Mundo da Cocanha, a segunda alegoria trazia imagens de doces como jujubas e bolinhos que abriram o apetite do público. Depois, vieram ainda El Dorado e o Reino de Sabá, outros locais que representam os sonhos utópicos de muita gente. Encerrando o desfile, a alegoria Eufônia no Reino da Formiga relacionou a música à comunidade sede da escola.

Com uma afinação perfeita, a bateria do Mestre Capoeira, que teve as companhias de luxo de Mestre Marcão e Mestre Odilon, embalou a escola com cadência bem interessante e bossas que arrancaram aplausos. Somente o desenho do tamborim pareceu não ter sido bem executado, mas nada que tirasse o brilho da apresentação. A comissão de frente também se apresentou muito bem, com coreografia elegante e fantasias luxuosas. Peixinho e Jaçanã, mestre-sala e porta-bandeira tijucanos, esbanjaram graça e leveza em seus movimentos. O único ponto negativo a se ressaltar no desfile do Império foi a falta de organização dentro das alas – a quatro e a cinco, por exemplo, a toda hora se misturavam uma com a outra, mesmo com as incessantes ordens dos diretores de harmonia.

Confira abaixo a análise do desfile cabine por cabine:

Cabine 1 – As roupas bonitas e luxuosas da comissão de frente da Império da Tijuca impressionaram. Apesar da leitura de seu significado não ser muito fácil, já que ela representava "O Reino de Seráfia", a comissão se apresentou corretamente, trazendo um tripé que parecia um dirigível e com quatro casais realizando passos diferentes dos outros componentes, que se revezavam entre movimentar o tripé e realizar a coreografia

Logo atrás da comissão, vieram Peixinho e Jaçanã, que fizeram uma execução perfeita dos movimentos necessários para se saírem muito bem no julgamento do quesito mestre-sala e porta-bandeira.

O carro abre-alas da escola foi a alegoria que mais chamou a atenção, por seu tamanho (eram dois carros acoplados) e iluminação futurista. No entanto, todas as outras alegorias, com exceção da última, também passaram bonitas, sem defeitos de acabamento, assim como as fantasias. Alternando luxo e simplicidade, mas sempre leves, facilitando a evolução de seus componentes, elas foram muito bem escolhidas e adequadas ao enredo e às descrições das alas.

A bateria também foi perfeita. Muito bem afinados e com paradinhas criativas, os ritmistas de Mestre Capoeira levantaram o ânimo dos componentes, que cantaram em um nível razoável.

Cabine 2 – Comissão de frente, apesar de se apresentar com belas fantasias, mostrou uma coreografia de difícil interpretação.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma apresentação muito boa. A bela dança foi realizada sem erros e Jaçanã estava sempre mantendo a bandeira para o alto, como manda o figurino.

As fantasias, da escola, luxuosas, tinham plumas em quase todas as alas, enquanto as alegorias, sem apresentar problemas, conseguiam representar bem o enredo da escola

A bateria do mestre Capoeira não apresentou nenhuma coreografia, mas executou uma bossa diante dos jurados.

No que diz respeito a animação, neste setor o Império da Tijuca não deixou a desejar. A escola estava bem alegre, com alas e integrantes das alegorias cantando muito o samba-enredo, além de interagir e animar o público presente, que aplaudiu as apresentações na área da cabine. Por fim, a escola evoluiu bem, sem buracos e com um bom ritmo do início ao fim da passagem.

Cabine 3 – Assim como na cabine julgadora anterior, a apresentação da comissão de frente se fez confusa para o entendimento de quem assistia. Os componentes se integravam com o tripé de uma maneira difícil de se interpretar. O jurado deste quesito, inclusive, assistiu a todo o desfile do império da Tijuca de pé.

Peixinho e Jaçanã só deixaram a desejar no canto. O simpático casal, que vinha com uma pesada fantasia, estava muito sorridente durante a apresentação para os jurados e a porta-bandeira do Império da Tijuca ficou tão emocionada durante a dança que chegou achorar. No geral, a apresentação dos dois foi boa.

A Bateria foi apresentada pelos mestres Odilon, Marcão e Ricardinho. Mestre Odilon, além de tudo, explicava as bossas exeutadas pelos ritmistas, conversando com o jurado, que, pela primeira vez na noite, se levantou para acompanhar uma apresentação.

Observando as alegorias, alguns problemas foram notados. O abre-alas da escola passou na cabine apagado e, quando estava prestes a sair, acendeu as luzes. Já na terceira alegoria, a maioria dos integrantes do carro não cantavam.

E a harmonia, que foi destaque na passagem pela cabine 2, caiu de produção na seguinte. A primeira ala praticamente não cantava e a falta do canto foi notada durante a maioria da passagem da escola. Porém, merecem destaque positivo os integrantes da segundo alegoria e a ala das crianças, que cantavam com muita empolgação.

Algumas alas também atrapalharam a evolução da escola, em especial os Turistas que vinham na ala à frente do segundo carro, que tiravam fotos durante o desfile.

* Confira a entrevista com o mestre de bateria do Império da Tijuca

Cabine 4 – Alguns dos principais pontos fortes do início do desfile acabaram não se repetindo no fim. O abre-alas, por exemplo, teve problemas na eletricidade e a iluminação parou de funcionar, assim como o efeito das asas de alguns de seus destaques.

A evolução da escola também caiu bastante. Diversas alas levaram broncas de seus harmonias por estarem posicionando-se mal e deixando buracos entre as fileiras.

O mestre-sala e a porta-bandeira se apresentaram corretamente, apesar de não mostrarem a mesma energia da primeira cabine, e a comissão de frente também repetiu os bons momentos.

A bateria, outra vez, foi aplaudida de pé pelos julgadores. Repetiu a bossa feita anteriormente e até arriscou uma coreografia.

No fim, a escola não precisou correr e deixou a avenida com a certeza de que apresentou muito bem tudo o que tinha para mostrar.

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