Em ano de crise, Império da Tijuca abusa dos materiais alternativos em alegorias

Por Diogo Cesar Sampaio

imperiodatijucamateriaisCom uma extensa lista de trabalhos na carreira, Jorge Caribé é um carnavalesco já bastante reconhecido no carnaval por saber trabalhar com pouco, utilizando de materiais recicláveis e alternativos para conseguir o efeito desejado. Em um ano de crise, com as escolas recebendo verba a menos de um mês dos desfiles, com um corte de 50% em relação ao ano anterior, agravando a situação tradicionalmente já complicada da Série A, mais do que nunca, se fez necessário essas qualidades. Caribé, fazendo sua estreia na Verde e Branca do Morro da Formiga; assinando o desfile ao lado de Sandro Gomes, que retorna a agremiação; abusou do rústico que o enredo escolhido permite para baratear os custos sem comprometer a qualidade do espetáculo.

– Não só eu, mas a escola inteira está muito feliz. O objetivo hoje aqui é mostrar que o Império da Tijuca é capaz. A gente quer brincar o carnaval. Todos estão muito contentes porque não tivemos problema nenhum. Todas as roupas foram entregues, os carros estão inteiros, então ganhar ou não ganhar isso já não me importa. Isso do favoritismo, pra gente não interessa. O império da Tijuca quer passar, quer brincar e quer mostrar que é uma escola grande, não importa o grupo que esteja. Se der para subir, a gente sobe. Se não der…Paciência – afirmou Caribé um pouco antes de entrar na Avenida.

A segunda alegoria do Império da Tijuca é um bom exemplo desse trabalho. O carro que representava a magia do “voodoo” e foi todo confeccionado com palha da costa, de carnaúba e sisal. Com franjas de capim seco desfiado, materiais simulando dentes de sabre e búzios na lateral e barra do carro, o mesmo chama atenção por sua beleza. Seu grande destaque vai para as latinhas de cerveja decorada presentes na saia e em parte da decoração da alegoria, um exemplo da criatividade de que tudo pode ser usado para virar carnaval.

O terceiro carro alegórico também não fica para trás. Com uma grande escultura articulada de Nanã (mãe de Omolu, orixá homenageado pelo enredo) logo a frente, a alegoria traz plantas artificiais de E.V.A., recurso já utilizado por Jorge Caribé em outros carnavais, e impressiona por seus movimentos, detalhes e grandiosidade.

– Parece que o enredo já ajudou a gente. Primeiro que o enredo é maravilhoso, e a gente pode usar esse tipo de materiais. Segundo que eu já amo fazer carnaval de temática africana: usar palha, usar corda, usar esteira, usar cesto, então já foi um presente dos orixás. O resultado final pra mim foi maravilhoso. Em ano de corte de verba, uma escola de comunidade, que não tem um patrocinador nem de um lado e nem do outro… A gente fez na garra, com ajuda dos amigos, com o esforço do presidente e cada um se doou um pouquinho para esse trabalho. E eu estou julgando maravilhoso. Sem falsa demagogia, mas está bonito mesmo – finalizou Caribé.