Em busca da identificação

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Permitam-me retomar este espaço que ficou tanto tempo "abandonado" com um pedido de desculpas. Como muitos sabem, minha vida profissional é dividida entre o samba e o futebol. E a cada quatro anos o futebol consome mais do que as vinte e quatro horas do dia. Foi humanamente impossível conciliar os afazeres da Copa do Mundo com os deste espaço carnavalesco. Por isso as "férias forçadas" me afastaram daqui. Agora que as quadras estão recomeçando a esquentar os tamborins, volto ao meu lugar.

Durante esta ausência a maior parte das escolas do Grupo Especial divulgou seus enredos. Ainda faltam Portela e Vila, além da sinopse da
Porto da Pedra. De qualquer forma é possível fazer uma projeção da "safra". Destaco os temas de Tijuca, Beija-Flor, Salgueiro e
Mangueira (sem ordem de preferência) como os que mais me agradaram. Acredito que os enredos devam buscar uma aproximação com a realidade da população média; falar de assuntos que se identifiquem com a indústria cultural atual.

Temas históricos estão "surrados". A miscigenação brasileira e a tradicional viagem pelas civilizações antigas já passaram um milhão de vezes pela avenida. É hora de mudar para trazer de novo o público para perto.

Nos anos oitenta os enredos politizados exerceram este papel. Agora é a vez de Paulo Barros jogar na pista o cinema de terror para arrepiar a platéia. Grande idéia. Carnaval, acima de tudo, precisa ser diversão. Um desfile não é exatamente uma sala de aula. Então, vamos nos divertir e emocionar! Vem aí mais uma temporada excitante da maior festa do mundo!

São Clemente

Um enredo histórico, porém leve e sempre bem vindo. Falar da maravilhosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro não é novidade, mas existem mil maneiras de mostrá-la na avenida. Cabe à promessa Fábio Ricardo mostrar sua criatividade.

A sinopse aborda itens já exaustivamente mostrados, mas tem passagens praticamente inéditas. É uma interrogação. Imperatriz
Enredo histórico, sobre um tema importante, porém de difícil "carnavalização". Sinopse traz referências a signos já vistos no último carnaval
da escola, com uma forte ligação à religião (seu último tema). Corre o risco de virar mais uma "volta ao mundo" terminando no carnaval. Não empolga.

Mocidade

Busca relacionar a agricultura às festas e ao carnaval. Tem sua lógica, mas de agricultura mesmo parece falar pouco. Em alguns trechos
se assemelha ao enredo da escola anterior (Imperatriz). Assim como a outra verde e branco, passa por Grécia e Roma, critica a igreja católica e termina no nosso carnaval. Também não empolga.

Unidos da Tijuca

Um sopro de criatividade em meio às caretices reinantes. Paulo Barros busca temas e linguagens diferentes, se aproxima do imaginário popular, traz novos desafios e novos públicos para o carnaval. É o amadurecimento de um artista que já marcou nossa maior festa e pode ser muito importante para sua perpetuação.

Talvez nem todos gostem do cinema de "terror", mas um desfile bem humorado sobre este tema promete. E muito. Estou curioso para ouvir
os sambas-enredo. Este é o grande "x" da questão. Mangueira
Falar de um dos grandes nomes da MPB e da própria escola é fantástico. Resgatar a nossa cultura e reafirmar nossos ícones é um bem que se faz ao país. A Mangueira acertou em cheio ao homenagear Nelson Cavaquinho. É um tema único, cheio de vida e emoção.

União da Ilha

O carnavalesco Alex de Souza não esconde de ninguém: quer impressionar pelo visual. Ele não vai mostrar a ciência de Charles Darwin, mas a exuberância da natureza que o cientista presenciou em sua viagem pelo mundo. Claro que o enredo traz consigo a mensagem de preservação e busca o que há por trás desta natureza que conhecemos. Parece interessante, mas despretensioso.

Salgueiro

Elogiei, ali em cima, a peripércia de Paulo Barros ao buscar no cinema de "terror" a inspiração para seu carnaval. É preciso dizer, aqui,
que Renato Lage já busca inspiração nas "telonas" há algum tempo e, que desta vez, extrapolou. Desde já seu enredo está indicado para o
"Estrela do Carnaval" de melhor roteiro original. Trazer para a avenida as grandes histórias do cinema, misturando-as e situando-as no cenário carioca é simplesmente genial.

Renato admitiu após o último desfile, que se sentia instigado pela criatividade de Paulo Barros. Ele é o artista com mais potencial para
devolver este sentimento em forma de um desfile brilhante. A minha expectativa é enorme! Grande Rio
Não sou fã de enredos patrocinados do tipo folheto turístico. Mas, se tantas cidades e estados já foram exaltados na avenida, Florianópolis também pode e… até merece. Se o Rio de Janeiro não existisse eu moraria lá. Quem sabe isso um dia não acontece? Adoro a capital catarinense.

O texto está bem escrito, explorando a "magia" das "bruxas" da Ilha e contando um pouco da história do lugar. Não repete fórmulas recorrentes neste tipo de enredo e descreve o local de forma leve e interessante. Se a tradução para alegorias e fantasias for criativa e o samba captar o clima da cidade, o desfile pode ser muito bom.

Beija-Flor

Nada como uma escola gigante mordida. Ver a Beija-Flor, a poderosa Beija-Flor, abandonar os enredos complicados e cair dentro de um tema extremamente emotivo e popular é realmente muito bom. Perceber a trajetória do ser humano Roberto Carlos que entregou sua vida e suas emoções aos fãs, numa narração recheada de citações de músicas que refletiram a vida de tanta gente, que compuseram a trilha

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