Em casa, Portela faz ensaio para exibir seu poder de competitividade

Por André Coelho

portela_ensaio_2901-2A Portela realizou nesse domingo mais um ensaio de rua, dessa vez, “em casa”, na Estrada do Portela, mostrando força e a palavra bastante utilizada pelo presidente: competitividade. A concentração e o início do desfile aconteceram na Praça Paulo da Portela e a dispersão na esquina da Rua Clara Nunes onde fica a quadra da escola. A direção portelense fez questão de frisar que o treino era mais uma oportunidade para os integrantes brincarem e se divertirem do que propriamente para seguir e observar o rigor técnico de uma preparação para o desfile. Entretanto, em seu discurso antes do início do ensaio, o presidente Luís Carlos Magalhães fez questão de chamar atenção de todos para algo que considera fundamental: disciplina. E o recado foi entendido, pois durante os 72 minutos em que a escola ensaiou, mesmo com alguns problemas no som, os cerca de 2500 componentes mostraram um canto forte e consistente indicando que a obra escolhida pela escola será muito bem defendida pelos portelenses, que evoluíram exatamente de acordo com as orientações dos diretores de harmonia. A Tabajara do Samba, sob o comando de Mestre Nilo Sérgio, foi, mais uma vez, um grande destaque da apresentação portelense.

– A gente tem ensaiado exaustivamente aqui na Estrada do Portela e na Intendente Magalhães. Na Intendente Magalhães, a gente faz um trabalho de simular a avenida, marcação de cabines, tempo. Aqui nós interagimos com a nossa comunidade. Acho que a escola está pronta. O processo de ensaio já é uma evolução, a cada dia que passa a gente evolui mais. Começamos esse trabalho na quadra em novembro depois da escolha de samba e em dezembro ainda começamos os ensaios de rua – disse Fabio Pavão, da comissão de carnaval portelense.

portela_ensaio_2901-7Samba-Enredo

Se a qualidade do som não era das melhores, o desempenho da obra portelense foi. Mesmo com o som apresentando dificuldades para alcançar a cabeça e o final da escola, os desfilantes não deixaram o hino ir mal e percebendo a dificuldade, se esforçavam para ajudar na performance cantando tão alto quanto possível. Toda a habilidade e força de Gilsinho também foram fundamentais para que o samba fosse bem. À primeira vista pode-se imaginar que com uma letra um pouco mais longa que o costume, o samba possa chegar a “arrastar” em alguns momentos, mas ao vivo passa longe disso.

Harmonia

Para os componentes não importava se não era exatamente um ensaio técnico, todos cantavam o mais forte possível. Em alguns momentos parecia ser uma competição entre alas para ver qual delas cantava mais alto. Destaque para as alas 13, 16, 17 e 26 que entoavam o samba a plenos pulmões. O trabalho dos diretores de harmonia foi muito bem feito nos ensaios anteriores, a prova disso é que na maioria das alas nem era necessário incentivar o canto, pois os integrantes já o faziam espontaneamente. Se levar para a avenida, no dia do desfile, a harmonia exibida nesse treino, a Portela tem tudo para gabaritar o quesito.

Evolução

A direção da Portela deixou claro que o ensaio desse domingo seria mais para o componente e a comunidade brincarem. Evidentemente havia organização e a tão enfatizada disciplina. Embora não tenha sido uma evolução típica de desfile, pois houve períodos de ritmo mais acelerado e outros bem mais lentos, é compreensível que tenha ocorrido essa alternância dadas as características do local, bem mais estreito que a Sapucaí e a Intendente Magalhães, e em curva, portanto o mais importante a se observar foi o controle que os diretores exercem sobre os componentes. Nesse ponto pode-se notar que têm a escola nas mãos e que os desfilantes seguirão as orientações necessárias, sejam elas para acelerar ou diminuir o passo. A ala 13, que é coreografada e terá 90 integrantes, mostrou uma coreografia que empolgou o público presente usando canos que serviram para simular as lanças que levarão para o desfile. A ala 25 levou balões de gás que foram estourados ao fim do ensaio. Diversos trechos do samba ganham a coreografia de braços sendo levantados, todas elas em momentos em que a melodia sobe como em “Oi, o mar, maré de saudade, oi o mar” e “Ô saudade que vai na maré”, porém a coreografia mais executada e mais vibrante é a do trecho “22 vezes minha estrela lá no céu” quando os componentes erguem e balançam os braços.

portela_ensaio_2901-14Bateria

A Tabajara do Samba sabia que não estava ali apenas para mais um treino, mas também para entreter um público carente de ensaios técnicos e de estar próximo de suas escolas queridas. Ciente disso, meste Nilo Sérgio presenteou a comunidade com um desempenho, mais uma vez, excelente e ainda usou e abusou de bossas, paradinhas e coreografias feitas a todo momento e divertindo os presentes. O público reconheceu, aplaudiu e, ao final do desfile, seguiu a bateria até a entrada da quadra. Teve passeio da rainha por um corredor aberto pelos ritmistas, teve coreografia de abaixar e levantar, de movimento para os lados, um espetáculo à parte da Tabajara.

– Toda vez que a escola vem ensaiar com um contingente como esse não pode ser de brincadeira. Sempre podemos tirar proveito e observar um tamborim, ir limpando caixa, repique. Acho que a bateria da Portela está pronta. Pelo menos para o meu gosto, não sei se será o dos jurados, mas acredito que a bateria da Portela está pronta. Hoje nós mantivemos o andamento desde a (Praça) Paulo da Portela até aqui na quadra, estou rouco já fazem dois meses (risos), não consigo ficar calmo. Para manter os 40 pontos é complicado, sempre há um rigor a mais, eu fico nervoso – contou Nilo Sérgio.