Em ensaio técnico, Viradouro mostra rendimento de Grupo Especial

Canto forte, garra dos componentes, ótima bateria, samba rico melódica e poeticamente, torcida apaixonada. Essas características costumam descrever uma escola do Grupo Especial. De fato, a impressão deixada pela Viradouro em seu ensaio técnico no Sambódromo, na noite deste domingo, foi a de que se tratava de uma escola da elite do carnaval carioca. Pelo menos no que tange os quesitos de ‘chão’, a agremiação de Niterói, caso repita o rendimento no desfile oficial, brigará com força para voltar ao Grupo Especial em 2013.
 

* Vídeo: veja aqui como foi o ensaio da Viradouro

– A apresentação de hoje vai revelar o resultado de muito ensaio e trabalho. Temos realizado, além dos ensaios na quadra, os ensaios de rua na Amaral Peixoto, em Niterói. A comunidade vai pisar firme na Sapucaí durante o sábado de carnaval – disse o presidente Gusttavo Clarão.
 

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Não que o ensaio tenha sido perfeito, a Vermelho e Branco tem sim alguns detalhes para corrigir até o desfile, mas eles são pequenos perante a demonstração dada por sua comunidade: de que é possível uma escola do grupo de acesso ensaiar com praticamente a totalidade de seus componentes cantando o samba e evoluindo com alegria e vibração. Estes foram as principais destaques do treino da Viradouro.
 

* Vídeo: veja aqui a performance da bateria da Viradouro

Mesmo que a força do canto tenha caído um pouco da metade para o final do ensaio, a garra mostrada pelos componentes da Vermelho e Branco impressionou. Destaque para a primeira ala, a ala 6, e as alas 24 e 25. Até mesmo os componentes das composições das alegorias, que costumam ser o calcanhar de Aquiles das escolas do Acesso nos ensaio técnicos, foram muito bem. O belo samba também ajuda bastante e a interpretação dos quatro intérpretes da escola, Leléu, Diego Nicolau, Niu Souza e Gilberto Gomes merece elogios.
 

* Vídeo: veja o desenho de tamborim da Viradouro feito no ensaio técnico

Quem também merece ser elogiada é a bateria Furacão Vermelho e Branco, comandada por mestre Pablo. Em seu segundo ano à frente dos ritmistas, Pablo, que é cria da Viradouro, voltou a mostrar as bossas arrojadas e o andamento característico da bateria da agremiação. Mesmo com algumas oscilações ao longo do ensaio, o andamento serviu perfeitamente ao treino da Viradouro. Destaque também para o desenho rítmico dos surdos de terceira na segunda parte do samba e a forma exclusiva que a bateria ‘sobe’ no samba.

– Para mim a nota da bateria é dez, dez, dez e dez. Não tenho nada para reclamar e estou satisfeito. Acho que com a abertura do Sambódromo o som está demorando para chegar lá na frente e isso nos atrapalhou um pouco para manter o andamento. Sobre a nossa subida, é aquele negócio, né… Não gosto de copiar ninguém. Criei essa subida e acho que já virou uma marca nossa – explicou ele, que tem como rainha de seus ritmistas a bela Monique Alfradique, cada vez mais em forma. De vestido vermelho, ela atraiu muitos olhares do público das frisas.

À frente da escola, uma faixa de agradecimento ao gênio Joãosinho Trinta abriu os caminhos para o ótimo ensaio da Viradouro. A mensagem fazia menção ao único título conquistado pela Viradouro no Grupo Especial, em 1997, nas mãos do inesquecível carnavalesco. Um tripé com o nome da escola também estava na abertura, além de outros quatro, espalhados ao longo do ensaio e demarcando os locais das alegorias. A comissão de frente coreografada por Luciana Yegros, que estreia na agremiação, exibiu uma coreografia muito bem humorada e com ótima interpretação dos integrantes. A performance do grupo arrancou aplausos de praticamente todos os setores do Sambódromo.

– Mostramos a coreografia oficial, não temos o que esconder. Estamos aqui para isso. Com certeza a escola terá uma entrada impactante e muito bonita. Usaremos um tripé na nossa coreografia no dia do desfile oficial. Não podemos revelar o significado da comissão de frente, mas ela é um misto das obras de Nelson Rodrigues. Nossa coreografia é acima de tudo teatral. A fantasia já está pronta, já fizemos a prova, mas só ensaiamos com os adereços. Nosso ritmo de ensaio é intenso, diariamente. Além da coreogria, os rapazes praticam educação física, com aulas ministradas pelo meu assistente e eu também sou professora de Yoga e acabo levando um pouco disso para eles também. Além disso, temos o auxilio de um nutricionista e a parceria com uma academia, onde eles praticam diversas atividades físicas. A nova Marquês de Sapucaí só veio para abrilhantar ainda mais o espetáculo maravilhoso que é o carnaval – afirmou a coreógrafa Luciana Yegros.

Atrás deles, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho e Alessandra Chagas, apresentou coreografia, entrosamento e leveza dignos para empunhar o pavilhão da escola. – Apesar de parecer, nossa coreografia não era a oficial, apenas brincamos com o samba-enredo e apresentamos um pouco do nosso trabalho para a imprensa e o público presente que merecem isso. A oficial está guardada a sete chaves para o dia do desfile. Nosso ritmo de ensaios nessa reta final se intensificou. Treinamos cinco vezes por semana, inclusive, aqui no Sambódromo. Por isso, já estamos localizados quanto a nova posição das cabines de jurados. Já provamos e ensaiamos com a fantasia que está linda e impactante, representaremos a "Flor da Obsessão', uma das peças de Nelson Rodrigues. Além dos ensaios, pratico corrida na praia, academia e faço dieta para manter o corpo forte e preparado para o desfile. Estou retornando para a escola onde comecei minha carreira como porta-bandeira e a emoção fala e falará mais alto do que tudo – contou Alessandra Chagas.

Já sobre o quesito evolução, a Viradouro precisa ter mais atenção em alguns detalhes. Não que buracos e correria tenham feito parte do cenário do ensaio, mas alguns pontos precisam ser trabalhados. O primeiro deles é o espaço entre a comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Nos dois primeiros módulos de julgadores neste domingo, o espaço entre eles estava um pouco maior que o aconselhável. Vale lembrar que, no desfile do ano passado, a escola apresentou o mesmo problema logo no primeiro módulo de julgamento.

O segundo ponto trata da coreografia nos refrões. A escola canta bastante o samba, principalmente neles, mas a direção de harmonia pode sugerir aos componentes que não façam o famoso movimento das mãozinhas para cima nos refrões. A escola tem ’chão’ para deixar os componentes mais espontâneos nesse momento.
 

O terceiro ponto a ser trabalhado é tentar manter a mesma correção na distribuição dos espaços depois que a bateria entra no segundo recuo. Depois da manobra, foi comum ver algumas alas um pouco desorganizadas em frente ao último módulo de julgadores. São pequenos detalhes, mas importantes para alcançar a nota máxima no quesito.
 

Com enredo sobre a obra de Nelson Rodrigues, a Viradouro será a sexta escola a desfilar no sábado de carnaval.

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