Emoção, técnica e superação: diferenças entre os ensaios do Especial e da Série A

 

 

"Bom mesmo era quando os ensaios técnicos começavam em dezembro". Essa foi a frase mais escutada durante o último final de semana, na Marquês de Sapucaí. Noites mescladas com ensaios das agremiações do Grupo Especial e da Série A, já não existem mais. Para alguns, a tendência é daqui a alguns anos isso tudo se extinguir, tirando a oportunidade de uma parcela que só tem a oportunidade de ter contato com um "desfile" durante os ensaios técnicos.

 

Quem é sambista, não importa se a escola é grande, pequena ou de qual grupo pertence. Ele quer brincar, cantar e ver os segmentos passarem na Avenida, mesmo que despidos de fantasias e luxuosas alegorias.

 

– Eu acho que as escolas da Série A que fazem seus ensaios técnicos no Sambódromo não deixam nada a desejar, até porque muitas tem uma equipe de Grupo Especial. Tem escolas que são tradicionais no Especial, estão no Acesso e o carnaval fica bem nivelado. O Acesso está provando que esse grupo está com força – diz Diego Falcão, mestre-sala da Caprichosos de Pilares.

 

Embora o público compareça, o número de pessoas está muito abaixo daqueles que marcam presença nos treinos das escolas do Grupo Especial, que em um passado não tão distante, tinham o direito de ensaiar duas ou até três vezes na Marquês de Sapucaí.

 

– Por incrível que pareça as escolas da Série A empolgam mais que as do Especial porque passam sem tanta técnica, brincando mais e eu acho que existem públicos para todos curtirem do mesmo jeito. Samba é samba, só a estrutura que é diferenciada – disse Cassiane Motta, de 27 anos, e torcedora da Mangueira.

 

Para o coreógrafo Hélio Benjani, que por mais um ano se dividirá no comando de comissões de frente do Grupo Especial e da Série A, sua dedicação tanto no Salgueiro, quanto na Caprichosos, escola para qual presta seus serviços, é a mesma.

 

– O profissionalismo e a minha responsabilidade é a mesma. Claro que a gente tem uma estrutura e se apresenta para um púbico também menor, mas pra mim e a minha equipe, não muda em nada – declarou o coreógrafo.

 

A falta de mais divulgação nas grandes mídias das escolas da Série A também foi apontada pelo público do último ensaio técnico por ser um dos motivos para o menor interesse das pessoas em prestigiarem seus ensaios.

 

– As pessoas conhecem mais as escolas do Grupo Especial e por isso se entusiasmam mais. Até os próprios componentes que vem ensaiar, estão mais familiarizados com os sambas do Especial do que da Série A – afirma Regina Rodrigues, 69 anos, torcedora da Mangueira.   

 

Segundo Simões Gama, presidente da Unidos de Padre Miguel, as diferenças no carnaval de hoje nos dois grupos são poucas, que passam principalmente pelo público, que na Série A é formado principalmente por pessoas que acompanham e conhecem as escolas, não apenas no período do carnaval.  

 

– Pra mim, a diferença é única: Os títulos Especial e Série A. A televisão deu brilho para o Acesso. O público do nosso grupo é muito mais empolgante do que do Especial, porque lá, as vezes, as pessoas não tem muita identidade com a comunidade, não sabe nem aonde a escola fica. Já na Série A não é só uma paixão pela bandeira, é uma paixão pela comunidade, pelo pé no chão, pela humildade e pela nossa dificuldade. É essa a diferença. O carnaval, quanto mais humilde for, mais alegria vai conquistar, deixando muito mais felizes quem participa.

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