‘Endiabrada’, Mangueira mostra força em ensaio técnico com sacode da bateria

Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes

ensaio-rua_mangueira_2018_40Do jeito que o bispo Crivella não gosta. Assim pode ser definido o ensaio técnico de rua da Estação Primeira de Mangueira, realizado na noite de quinta-feira, próximo à quadra da agremiação na Zona Norte do Rio. Com o ‘diabo’ no corpo os mangueirenses deram um aperitivo do que pode ser o desfile da verde e rosa no domingo de carnaval. O espetáculo da comunidade foi embalado por um sacode da bateria “Tem que respeitar meu tamborim”.

Samba-Enredo

Pode não ser o samba do ano, na visão da crítica. Mas a obra mangueirense tende a ser o mais gostosa desse carnaval. É um manifesto, um protesto contra todos os ataques sofridos pela cultura popular. Adequado ao canto do mangueirense, bem defendido pelo intérprete Ciganerey e merecedor de um adendo: a equipe de apoio formada pelo experiente intérprete está muito entrosada, o que valoriza ainda mais o rendimento do samba. Várias passagens merecem destaque com relação ao canto dos componentes. O refrão, claro, que tende a ser a coqueluche do carnaval. E o trecho ‘bate na lata para o povo sambar’ levantou o povo no ensaio. Ciganerey está muito confiante com o desfile.

– O que eu posso dizer sobre o samba da Mangueira? Que o couro vai comer. É claro que faz muita falta o ensaio técnico, pois em nosso ensaio de rua só podemos ensaiar o canto e não o andamento. Como cantor gostaria de ensaiar mais vezes com o Péricles, mas compreendo que ele tenha seus compromissos profissionais. Na avenida formaremos uma dupla fantástica e que se Deus quiser irá conduzir a Mangueira a mais um grandioso desfile – destacou o intérprete.

Harmonia

ensaio-rua_mangueira_2018_67O canto que vem da alma. Esse é aquele merecedor da nota 10 na avenida. Foi possível sentir a energia emanada de cada componente ao entoar a obra da escola no ensaio. Há poucos dias do desfile, espera-se aquela harmonia próxima do que é exigido no quesito para o desfile. Em perfeita consonância com a equipe do carro de som o mangueirense cantou muito, o tempo todo, o samba inteiro. Pareciam estar com o diabo no corpo, pois pecado é não brincar o carnaval.

Evolução

Alguns aspectos que precisam ser observados pela equipe de evolução da Mangueira. O início do ensaio foi exacerbadamente truncado. A movimentação feita pela escola para atingir a pista principal, que não ocorrerá na avenida, talvez, tenha sido responsável por isso. Entre o casal Matheus e Squel foi possível observar um considerável clarão, que segundo a comissão de carnaval da escola foi proposital pois será preenchido no desfile. No aspecto de técnica de desfile bem coesa e compactada. Alas evoluindo soltas, brincando, sem os barulhos de calçados arrastando ou grupos de componentes sem animação.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

ensaio-rua_mangueira_2018_08Matheus Olivério e Squel Jorgea desfilaram a habitual elegância, mas esconderam o jogo para o grande dia. Não executaram a coreografia oficial e apenas evoluíram para demarcação de tempo e espaço. Um grupo de guardiões acompanhou a evolução da dupla na frente e atrás, dando alguma indicação do que pode haver na avenida.

– Não fizemos nossa coreografia oficial, pois existe um público grande que gosta de ver a Mangueira e claro faz vídeos e nosso temor é que alguma parte sigilosa de nossa coreografia possa ser vazada. Eu como sambista lamento muito a não realização dos ensaios técnicos no Sambódromo. Ia para assistir todas as escolas. Espero que nossos governantes consigam viabilizar a volta dos ensaios no ano que vem – disse a porta-bandeira Squel.

– Responsabilidade é grande demais. Estrear dançando com minha sobrinha e alcançar as notas máximas foi incrível, mas com certeza a cobrança será muito maior para este ano. Segredo não tem. Dar sequência no nosso trabalho e focar nos ensaios. 2017 está no passado – revelou Matheus Olivério.

Bateria

ensaio-rua_mangueira_2018_54Um sacode da “Tem que respeitar meu tamborim”. Um festival de bossas e convenções que deixaram o ensaio ainda melhor. As convenções executadas no ensaio deixaram a impressão de que a tradicional bateria da Mangueira vai desfilar com muita ousadia. A valorização dos tamborins em uma das bossas marca a assinatura de um trabalho consolidado de Rodrigo Explosão, Vitor Art e toda direção de bateria.

– Fizemos aqui umas seis bossas, mas pretendemos levar para a avenida no máximo quatro. Ainda iremos fazer vários testes para definirmos quais vamos executar na avenida. O ritmo de ensaios está muito forte. Estamos ensaiando terças, quintas, sábados e domingos. O que o ensaio técnico nos faz falta é a definição de andamento com o canto de toda a escola. Ensaiar onde se vai desfilar é fundamental – ponderou Rodrigo Explosão.

Outros Destaques

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Evelyn Bastos prendeu todos os olhares dos presentes no ensaio da Mangueira. Sua presença à frente da bateria petrifica os olhos. Simpática, distribuiu sorrisos e mostrou novamente toda sua perícia para sambas. É a maior rainha de bateria da história da Mangueira. Uma ala antes da bateria foi dividida por um caminhão. Perguntado por nossa reportagem o motivo da presença dele no ensaio, um integrante da comissão de carnaval revelou que se tratará de uma surpresa no dia do desfile. * VÍDEO: EVELYN NO ENSAIO DE RUA