Enredo Afro da Vila faz ligação entre Angola e Martinho

Uma homenagem a Angola e a Martinho. Foi assim, na noite de quinta-feira, que a Unidos de Vila Isabel deu o pontapé inicial para o carnaval 2012, entregando a sinopse do enredo “Você Semba Lá…Que Eu Sambo Cá! O Canto Livre de Angola” aos seus compositores.

O tema do enredo já tinha sido divulgado em abril durante a posse do presidente Wilsinho. Entretanto,” o trabalho de pesquisa e de estudos foram muito abrangentes, para que nada desse errado”, explicou Wilsinho às centenas de pessoas presentes na quadra.

A carnavalesca da agremiação, Rosa Magalhães, pelo segundo ano consecutivo, não pôde estar presente, devido aos trabalhos particulares extra-carnaval. Quem ocupou seu papel foi o pesquisador da agremiação, Alex Varela.

Solícito, Varela explicou ao CARNAVALESCO como a escola vai contar esse enredo na Avenida:

– Vamos começar falando de Angola por meio da natureza daquele lugar, até então estranho ao europeu, que, quando chega até esta terra vai achar tudo muito diferente (animais e vegetação). Então ele não reconhece, mas depois vai ver todos os bichos que eram chamados por ele de bestas e que viu com sentindo inferior, na verdade eram rinocerontes, hipopótamos, palancas negras (que hoje é o animal símbolo de Angola), e aqueles habitantes, que tinham cor diferente (porque eram negros). Então começamos nesse mundo, de uma Angola que não era Angola e sim um reino de Ndongo e Matamba, habitada pelos povos ambundos e o jagas. A Angola de hoje não existia, era o grande Reino do Congo. Depois dessa primeira parte, falaremos do interesse português na região, que é pela mão-de-obra escrava, eles não querem saber do ouro e nem do diamante. A partir daí, Angola e Brasil vão começar uma relação de aproximação. Os braços negros, oriundos de Angola, vão ter uma importância fundamental para a economia do Brasil. Vamos falar do tráfico negreiro. Vamos destacar o aspecto da resistência. No enredo destacamos a Rainha Njinga, uma mulher guerreira, batalhadora, uma estrategista política. Ao mesmo tempo em que ela resistia aos portugueses, ela tentava se aproximar. Ela era tão poderosa, que se vestia de homem e  tinha seu harém, com os homens vestidos de mulher. Depois, quando os negros são trazidos para cá, eles trazem em suas memórias as danças, costumes, tradições e mitos. Aí, o primeiro momento que a gente começa a sentir a nossa festa popular começou pelo Campo de Santana, onde os negros se organizavam e faziam festas, até bater nos redutos da Tia Ciata, quando o Semba se transforma em Samba. Então, Terminaremos com esse produto nacional que é o samba fazendo uma homenagem ao canto livre de Angola, um projeto musical do Martinho da Vila que é considerado o embaixador do Brasil na Angola. Temos que lembrar também que o Brasil foi o primeiro a reconhecer à independência de Angola e também foi o primeiro a celebrar a paz, e nesse ano faz 10 anos dessa paz – concluiu o pesquisador.

A ala dos compositores será aberta. A entrega dos sambas acontecerá no dia 25 de agosto, na quadra da escola, das 19h às 22h. A agremiação de Noel é a sétima e última escola a pisar na Avenida, no domingo de carnaval.