Ensaio técnico revela que Império da Tijuca precisa ter mais ‘corpo’ até o desfile oficial

 

 

 

Com um dos sambas mais bem cotados da safra de 2014, o Império da Tijuca não fez o chão da Sapucaí tremer como pede a obra da agremiação. A primeira impressão deixada é de que a escola ainda precisa ganhar mais "corpo" para o desfile. Antes do início do ensaio o presidente Antônio Marcos Teles, o Tê, fez um discurso inflamado em que pediu para sua comunidade mostrar no ensaio o porque da escola estar de volta ao Grupo Especial depois de 18 carnavais. Em seguida, Pixulé cantou o samba exaltação da escola. Inflamado, o cantor oficial do Império da Tijuca esqueceu-se do seu tradicional grito de guerra e foi logo cantando “O chão vai tremer”.

 

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O início do ensaio tijucano deu a impressão de que a escola iria rasgar o chão da Marquês de Sapucaí. A comissão de frente e as primeiras alas chegaram a causar arrepios com muita gente incorporada no espírito do enredo “Batuk”, desenvolvido pelo carnavalesco Júnior Pernambucano. Alas cantando forte e evolução digna de nota 10. Pena que o que se viu a seguir foi uma série de equívocos que precisam ser acertados até o domingo de carnaval.

 

– A comunidade está de parabéns. Estamos ensaiando há 7 meses. A escola está pronta. Hoje foi nosso primeiro desfile, dia 02 será o segundo e se Deus quiser faremos um terceiro no sábado das campeãs – afirmou Luiz Carlos, diretor de carnaval da escola.

 

* VEJA AQUI: LUIS CARLOS MAGALHÃES ANALISA O ENSAIO

 

* VEJA AQUI: RODRIGO COUTINHO ANALISA A BATERIA

 

Mestre Capoeira analisou o desempenho da bateria no ensaio. – Eu fiquei um pouco penalizado porque o som está muito distante. Eu tenho todas as convenções em cima dos atabaques e eu acabo ficando sem referência. Mas no geral o balanço foi bem positivo. Teve uma saidinha lá no começo, mas no carnaval eu tenho certeza que isso não vai acontecer.

 

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Comissão de Frente

 

Com a coreografia oficial que será mostrada no desfile a comissão de frente deu um show para o público e para quem estava presente na pista. Havia um componente central com um adereço de cabeça do mesmo modelo usado na comissão de 2013 e os demais estavam com o corpo todo pintado em estilo tribal. A coreografia seguiu a letra do samba e no momento do “Vai tremer” todos soltavam um grito. Apresentação emocionante do grupo de dançarinos. Um dos pontos altos do ensaio.

 

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– Fizemos a coreografia original. Uma de cabines de jurados e duas de deslocamento. Temos 8 homens e 7 mulheres, a nossa comissão representará uma tribo que faz um ritual africano muito importante e o restante é surpresa. Utilizaremos 4 tripés como elemento cenográfico da nossa comissão. Agora na reta final estamos ensaiando três vezes na semana entre Sapucaí, barracão e ensaio de rua. Nosso figurino já está praticamente pronto. Aguardem uma comissão de frente com muita energia, dinamismo e dança do início ao fim da Passarela – disse o competente coreógrafo Junior Scarpin.

 

Mestre-sala e porta-bandeira

 

Um registro importante deve ser feito para falar da performance de Peixinho e Jaçanã. Até agora foi o único casal, do Grupo Especial, a se apresentar com uma fantasia completa, uma forma de demonstrar respeito com o público presente ao Sambódromo. Sobre o desempenho de ambos, Peixinho passou o tempo todo com o olhar fixo em Jaçanã. Os dois são entrosadíssimos e sabem exatamente a hora certa de cada gesto. Em determinado momento do samba (“Batuqueiro, arrasta multidões”) ambos erguem os punhos cerrados. O único "problema" ficou por conta do nervosismo marcado no rosto de Jaçanã.

 

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Apontada pela equipe do site CARNAVALESCO como destaque do ensaio, ela é um dos símbolos da magia imperial. Jaçanã foi presenteada com um kit da D'Samba e falou sobre a importância do ensaio técnico. – A gente tem que ensaiar para encaixar o que está certo e retirar o que está errado. Depois temos quer acertar tudo o que vamos passar para os jurados, quando tudo tem que ser perfeitinho e para o público temos que passar emoção – disse a porta-bandeira, que afirmou que a coreografia apresentada durante o ensaio não é a oficial.

 

Harmonia

 

Precisa de muitos ajustes até o dia do desfile oficial. Apenas a cabeça da escola passou cantando o samba todo. Mas bastou surgirem as primeiras alas depois do tripé representando o primeiro carro para se notar que o canto caiu. Algumas alas, como uma coreografada representando a capoeira, simplesmente passaram mudas. Aliás, a julgar pelo ensaio desta noite, o Império da Tijuca vai trazer muitas alas coreografadas. Dessas muito poucas cantaram. A maioria da escola só cantou o refrão, quando a expectativa criada era de um verdeiro espetáculo de canto da forte comunidade da Formiga. O competente Pixulé conduziu muito bem o samba-enredo. Ele foi apontado como destaque do ensaio e ganhou o calendário do ano de 2014 feito pela Brazil Carnival Ooah!

 

– Ser premiado pelo site CARNAVALESCO é como um orgasmo (risos). Achei nosso ensaio positivo. O momento de errar é aqui. Tenho quase certeza que não erramos em nada – disse o intérprete oficial do Império da Tijuca.

 

Evolução

 

A maioria das alas passou evoluindo desenvolta e os diretores de harmonia estava sempre preocupados com o preenchimento total da pista. A bateria entrou no recuo aos 42 minutos de treino e também o deixou sem maiores problemas, por volta de 1 hora. O único senão em evolução foi uma certa correria da escola no final, nas alas que estavam atrás da bateria. O ensaio terminou em pouco mais de 1 hora e 15 minutos.

 

Outro fato digno de registro positivo do ensaio imperiano foi a presença dos tripés que foram o ponto alto do desfile de 2013, as carrancas que levaram muita gente às lágrimas no último carnaval. Além disso, a escola levou destaques de chão representando orixás e mulheres muito bonitas com os corpos pintados. Um autêntico mini-desfile. Respeito com o público, acima de tudo. A se lamentar, mais uma vez, a falta de compromisso de alguns componentes, principalmente das alas iniciais, que insistem em retornar, após o desfile, pelo meio da escola, atrapalhando o trabalho da direção de harmonia.

 

O Império da Tijuca volta a desfilar no Grupo Especial depois de 18 anos e será a 1ª escola a desfilar no domingo de carnaval com o enredo “Batuk”, do carnavalesco Júnior Pernambucano. 

 

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