Ensaio técnico de quadra da Imperatriz para o Carnaval 2018 revela que o samba está afiado entre os componentes

Por André Coelho

A chuva forte na noite de domingo, no Rio de Janeiro, mexeu com o ensaio técnico de quadra da Imperatriz. A bateria teve de ser deslocada de seu tradicional local ao lado da entrada para o palco em virtude da água que entrava em alguns pontos da quadra. Além disso, o temporal impediu ou desencorajou muitos dos componentes, mas quem participou do treino para o Carnaval 2018 mostrou um desempenho satisfatório.

imperatriz_ensaio0701_-3– A gente vai chegar próximo do que acreditamos ser o ideal perto do carnaval como fazemos todos os anos. A nossa grande vantagem é o samba-enredo que é muito bom. Envolve a comunidade o tempo inteiro, um samba alegre e feliz e eu acho que é o diferencial de Imperatriz. Todo mundo cantando o tempo inteiro, vibrando, acho que vai ser bem legal, é uma obra e um enredo com característica da Imperatriz, vem toda aquela coisa da história que tem a Imperatriz, que a escola gosta e eu acho que isso foi perfeito. O componente está muito motivado para fazer um grande carnaval. Algumas aulas precisamos ensaiar mais, a gente pratica também nos dias de semana na quadra para ajustar e fazer um grande trabalho – disse Junior Escafura, diretor de harmonia leopoldinense.

Segundo o diretor de carnaval, Wagner Araújo, a Imperatriz vai manter o número de componentes para o desfile de 2018 e todas as fantasias vão ser doadas para a comunidade.

imperatriz_ensaio0701_-14– Estão mantidos os 2600 componentes e todas as fantasias serão doadas. É claro que com menos dinheiro você corta um pouquinho ali, corta um pouquinho aqui, muda um tecido, discute mais uma mão de obra de reta final, mas o projeto do carnaval continua. Esse ano, em termos de material de fantasia, foi até melhor porque a gente conseguiu com antecedência tudo que a gente precisava. Tanto é que nessa semana que está começando a gente já começa a entregar as fantasias. O carnaval tem dia e hora e isso eu aprendi com uma costureira, que era chefe de costura, quando eu cobrava dela, respondia que ‘não tinha jeito, carnaval tem dia e hora, tem que acabar’ – disse o diretor.

Wagner Araújo explicou que o principal do ensaio técnico é o trabalho da harmonia e revelou uma tática.

– Os ensaios são bons para a harmonia, eu até parei de identificar as alas em alguns anos, passei a fazer camisetas iguais para a escola inteira, e obrigar a harmonia a estar atenta e trabalhar, não deixar embolar. Os ensaios são interessantes para o canto, estrutura, e a organização da escola. Basicamente, o forte é o canto e evolução. Sem o som oficial da Avenida, o componente precisa cantar e evoluir mais – comentou.

Harmonia

imperatriz_ensaio0701_-17Como foi dito por Escafura, a Imperatriz ainda não atingiu o nível necessário, mas está a caminho disso. Em que pese o reduzido número de participantes do ensaio, a grande maioria cantou o samba com vontade e parece estar familiarizada com a letra e com o andamento adotado. Apenas alguns pontos podem ser melhorados. Boa parte dos componentes teve dificuldade com o trecho inicial da segunda parte, após o refrão do meio onde canta-se “A lua me levou paro o Egito…” até “…sem jamais sair do tom”. Apenas a ala 24 tinha em sua maioria componentes que pouco cantavam, muitos com a letra nas mãos. No geral o saldo foi positivo, incluindo, a participação das passistas e baianas, que alternavam momentos de bom canto e outros apenas regular. Outro ponto a se verificar foi o alertado pelo diretor de carnaval Wagner Araújo. Antes do ensaio, ele disse que alguns componentes estão cantando “Maomé” em vez de “Daomé” no fim do refrão do meio.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O início da apresentação do casal foi prejudicado por um problema no sapato de Thiaguinho que foi logo resolvido. Passado o contratempo, o casal fez mais uma bela apresentação demonstrando ótimo entrosamento. Thiaguinho apresenta grande domínio sobre os movimentos, alternando, conforme a necessidade, ações mais vigorosas com outras mais delicadas. Já Rafaela Thedoro tem muita graça e leveza em seu bailado. Um ou outro pequeno detalhe a ajustar e o casal estará pronto para buscar os 40 pontos. Ambos usaram indumentárias típicas de ensaio de quadra e esbanjaram vitalidade.

imperatriz_ensaio0701_-19– Nós sempre trabalhamos buscando não só o preparo físico como também o psicológico, porque eu acho é fundamental manter sempre a tranquilidade, um sempre acompanhando o outro, sempre segurando a onda. É normal o friozinho na barriga, realmente a ansiedade vai aumentando, as insônias vêm chegando, porque ficamos muito ansiosos querendo que chegue o dia. Eu costumo dizer que quando chega realmente o dia, o coração vai além, vem aquela mistura de sentimento, mas ao mesmo tempo tentando manter a calma porque é um quesito que só depende de nós dois. Temos que chegar lá com toda calma e tranquilidade para que nada nos atrapalhe no decorrer da avenida – comentou a porta-bandeira.

– A nossa fantasia traz a nobreza da Imperatriz, a nobreza do enredo. É muito nobre. E para quem viu na avenida um casal ano passado, pode esperar para ver outro – disse o mestre-sala. – Ano passado tínhamos um enredo indígena, muita pressão, muita expressão, muita força, esse ano vocês vão ver um casal buscando outro caminho, uma outra dinâmica – revelou Rafaela Theodoro.

Samba-Enredo

imperatriz_ensaio0701_-7A obra leopoldinense para 2018 apresentou um rendimento muito bom. Sem dúvida, caiu no gosto da comunidade de Ramos e encontrou um belo par na bateria de mestre Lolo. Mesmo tendo trechos com palavras pouco conhecidas, o desempenho do samba, de modo geral, foi muito bom, inclusive, destacando os momentos em que os cantores e a bateria paravam para ouvir o canto dos componentes.

– O importante é que o samba está vindo numa crescente muito grande. A cada ensaio a gente percebe que vai crescendo com a escola junto com nosso canto, harmonia enquadrando com a gente a todo momento e, graças a Deus, está fluindo. Já achamos o andamento do samba, encaixou direitinho e agora estamos lapidando algumas notinhas e respiração. Para poder chegar na perfeição que queremos – contou o intérprete Arthur Franco.

Bateria

imperatriz_ensaio0701_-6Mestre Lolo optou por um comportamento mais conservador, ousando pouco, provavelmente priorizando facilitar o canto dos componentes e o encaixe com os cantores. Ainda assim a Swing da Leopoldina apresentou três bossas num pequeno intervalo. Uma iniciada no refrão do meio e que foi até o quarto verso da segunda do samba. Outra bossa, essa mais curta, nos três últimos versos da segunda do samba. E, finalmente, uma outra dentro do refrão principal. A rainha Flávia Lyra chegou bem na hora do início do ensaio geral e rumou direto para o palco onde estavam seus “súditos”. Flávia optou por um figurino discreto, com calça e blusa brancas e permaneceu durante todo o tempo próxima aos ritmistas. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, mestre Lolo analisou o ensaio e comentou a rápida ascensão da bateria leopoldinense, uma das melhores do Grupo Especial.

imperatriz_ensaio0701_-21– A gente faz um trabalho querendo resultado o quanto antes, mas muito antes assim eu não esperava não. Comecei o trabalho pensando em dois, até três anos, mas já estar dando nota para escola como já fizemos foi muito bom. A gente vem com 270 ritmistas igual vem em todos os anos. Graças a Deus aqui não mexeram em nada, a bateria vai vir igual os outros anos. venho com três bossas novas, inéditas e uma a gente que vai resgatar, já que o enredo que vem falando do museu. Por isso, teremos uma bossa antiga que a Imperatriz já fez e vai botar no desfile de 2018. Não teremos coreografias. Os jurados não olham muito esse negócio, eles querem ver um bom ritmo – afirmou mestre Lolo.

Evolução

Sendo um ensaio de quadra e menos componentes presentes, os responsáveis pela evolução tiveram pouco trabalho e não comprometeram. Organizadas em filas de seis integrantes, as alas tinham espaço para evoluir e não enfrentaram maiores problemas. Não houve qualquer menção a integrantes da comissão de frente, o que é habitual nos ensaios da Imperatriz e, mais uma vez, sua ala de passistas mostrou muita empolgação e samba no pé.

Quinta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval com o enredo “Uma Noite Real no Museu Imperial” a Imperatriz tem tempo para realizar outros ensaios com mais componentes e ajustar os detalhes que faltam para fazer um belo desfile, sem se acomodar, o que não parece que vá acontecer, pelas palavras de diretor de harmonia Junior Escafura. Contando com um bom samba, um carro de som de qualidade, uma bateria afiada, um casal em grande fase e desenvolvendo um bom trabalho nos demais quesitos, a escola pode almejar uma boa colocação no resultado final.