ENTREVISTAS: Fernando Horta sem limites

Há 24 anos presidindo a Unidos Tijuca, Fernando Horta talvez seja o dirigente mais bem-sucedido do Carnaval Carioca atualmente. Campeão pela primeira vez com a escola de Borel em 2010, ele revela, em entrevista exclusiva ao Carnavalesco, como transmite para uma escola de samba a capacidade administrativa obtida ainda na juventude, quando era comerciante no bairro da Tijuca. O dirigente tijucano revela também como começou no samba; diz que Laíla está com medo da Tijuca e os planos para a disputa presidencial no Vasco da Gama. Confira:

Carnavalesco: Como foi a vida em Portugal? Conte um pouco de que lugar você é de Portugal, como era sua casa e família lá?

Fernando Horta: Minha vida em Portugal foi curta. Sai de lá com apenas 12 anos. Vivíamos numa cidade do interior de Portugal, pertencente à região de Porto.

Carnavalesco: Como foi a história da vinda para o Brasil?

Fernando Horta: Meu pai veio para o Brasil como imigrante dois anos antes do que nós. Depois viemos e eu tive uma trajetória tipicamente carioca. Morei no Bairro de Fátima, estudei no Colégio Rivadávia Corrêa, próximo à Central do Brasil. Com 16 anos arrumei um emprego para ajudar já que a situação em casa que não era muito fácil. Com sorte, aos 22 anos eu me estabeleci no ramo de quadros, vidros e cristais.

Carnavalesco: Como que frequência visita Portugal e que lugar mais gosta de lá? A Unidos da Tijuca vai muito em Portugal?

Fernando Horta: Ainda mantenho minhas raízes. Vou lá frequentemente e continuo tendo muita ligação com a colônia portuguesa. Toda hora a escola recebe convites para voltar em Portugal. Logicamente que temos que acordar o lado financeiro, ver se é interessante para a escola e para os profissionais que vão pra lá. Estamos preparando um trabalho para voltar no ano que vem.

Carnavalesco: Já pensou em convidar o primeiro-ministro de Portugal, José Socrates, para vir ao desfile ou ensaio da Tijuca?

Fernando Horta: O Sócrates nunca visitou a Unidos da Tijuca, mas nós tivemos o prazer de receber o Mario Soares (ex-presidente) na comunidade do Borel. Se não me engano foi o primeiro presidente estrangeiro a visitar uma comunidade. Nós nunca convidamos o José Sócrates, mas quando o fizermos é bem capaz de ele aceitar esse convite.

Carnavalesco: Como o Fernando Horta foi parar no samba e na Unidos da Tijuca?

Fernando Horta: Tive um estabelecimento na Rua Conde de Bonfim, onde havia uma aproximação muito grande com a comunidade do Borel, muitos funcionários da minha firma eram da Unidos da Tijuca e me pediam para ajudar a escola, quando vi já era presidente em 1987. Comecei a ajudar a escola com 30 anos de idade. Tinha um terreno na Usina e emprestei para a Unidos da Tijuca fazer as fantasias e esculturas. Desde então estou nessa trajetória de luta.

Carnavalesco: Alguma vez foi tratado com preconceito?

Fernando Horta: O preconceito existe até hoje. A Unidos da Tijuca já merecia ter sido campeã há muito tempo, talvez isso seja um preconceito. Já na comunidade não, sempre fui bem acolhido, senão nem estaria na Tijuca, eles continuam tendo um carinho muito grande por mim.

Carnavalesco: A Tijuca é uma escola de comunidade que participa. Quando essa união com a comunidade ganhou a força que hoje tem?

Fernando Horta: Desde sempre. O povo enxerga as coisas. Eu sempre mantive um laço de amizade com todo mundo, o tratamento é de igual para igual. A escola nunca usou de violência, sempre tentamos levar os problemas na base da conversa. Por isso falamos que a Unidos da Tijuca é uma família.

Carnavalesco: Com a pacificação do Borel é possível que a Tijuca faça ensaios lá algum dia? Existem projetos sociais da Tijuca no Borel? Quais?

Fernando Horta: A escola não saiu da comunidade do Borel por problemas de violência. Aliás não saímos de lá, a sede continua no mesmo lugar. A comunidade sempre respeitou a escola e a mim. Nós saímos de lá por falta de espaço. A quadra começou a ficar pequena. Aquele local foi a primeira quadra própria de uma escola de samba carioca coberta, mas as pessoas que a fizeram não pensaram no futuro. A capacidade é de 1.500 pessoas e não há estacionamento. Por isso procuramos um espaço maior para acompanhar o crescimento da Unidos da Tijuca. Quando a Tijuca saiu de lá foi em 1992, a situação era muito calma do que se transformou depois. Temos tem o seguinte pensamento aqui: vamos buscar o dinheiro de quem pode pagar para aqueles que não podem.

Carnavalesco: Existem projetos sociais da Tijuca no Borel? Quais?

Fernando Horta: Hoje mantemos lá os nossos projetos sociais. A Escola Mirim, atendimento odontológico, academia, cursos para a terceira idade, uma biblioteca com cinco mil livros. Isso funciona diariamente

Carnavalesco: A Tijuca sempre se caracterizou por ter excelentes sambas. Qual é o segredo?

Fernando Horta: O segredo é que nós sabemos que o público que vê o Carnaval é diferenciado do público mais tradicional, hoje os ingressos são mais caros. A questão do tempo de desfile também influencia. Temos que passar com quatro mil componentes, sete alegorias e três tripés em 82 minutos. Você tem que levar um samba que tenha um certo pique. Temos dado sorte. Os compositores da escola já aprenderam a fazer samba para a Unidos da Tijuca. O samba do ano passado não era apontado como um dos melhores e funcionou na Avenida. Em 2011, isso vai acontecer outra vez.

Carnavalesco: Apesar disso, as pessoas reclamam que sempre a mesma parceria vence. Como estimular a ala dos compositores com essa sequência de vitórias da dupla Julio Alves e Totonho?

Fernando Horta: Os próprios compositores é que precisam se motivar, procurar se renovar, mas não são sempre os mesmos. Nos anos 90, tivemos o Vicente das Neves que é lá da comunidade e ganhou sete vezes. A parceria que ganhou esse ano venceu pela terceira vez. Isso não acontece só na Unidos da Tijuca não, mas em todas as escolas. Existem os compositores que se dedicam mais e conhecem mais o que a escola quer, acabam sendo felizes na hora de fazer a obra. A Tijuca não tem preferência por a, b ou c.

Carnavalesco: Como surgiu na sua cabeça a ideia de contratar o Paulo Barros em 2004?

Fernando Horta: O meu pensamento quando trouxe o Paulo Barros era que a Tijuca vinha fazendo grandes carnavais, mas muito parecido com as grandes escolas. Eu seria só mais um naquele modelo, não conseguiria ganhar, o peso da bandeira era menor. Quando vi o trabalho dele no Tuiuti percebi que era esse o carnavalesco que poderia fazer algo diferente dos concorrentes.

Carnavalesco: Qual foi o seu sentimento quando viu nos barracões os carros de 2004, como o DNA, por exemplo?

Fernando Horta: Nunca tive insegurança. Eu acompanhava o trabalho e acreditava na equipe. Tudo o que foi feito, aconteceu com o meu consentimento. Eu tenho formação artística, não que eu seja carnavalesco, mas sabia que aquilo ia funcionar, dei liberdade ao artista. A imprensa, as pessoas que visitavam o barracão e até em membros da minha diretoria estavam inseguros, mas eu não.

Carnavalesco: Depois dos desfiles de 2004, 2005 e 2006, você ainda achava que era possível ser campeão do carnaval?

Fernando Horta: Tinha certeza que venceríamos. Sabia que o tabu estava prestes a cair. Isso vai acontecer mais vezes daqui pra frente. A bandeira da escola pesa um pouco. É assim no samba e no futebol. É a mesma coisa que jogar Vasco e São Cristóvão, na dúvida, o juiz dá para o Vasco. Mas isso vem mudando, os jurados estão se aperfeiçoando, a Liesa vem trabalhado muito em cima disso

Carnavalesco: A bateria da Tijuca sempre é bastante elogiada, mas nunca tira todas notas máximas. O que acontece?

Fernando Horta: O caso da bateria é justamente o da bandeira pesar. Meu diretor de bateria (Casagrande) tem 32 anos de Unidos da Tijuca. Eu promovi. Faltava a ele, talvez, peso no nome. Como tem muito jurado que vai julgar achando que só pode dar três, quatro notas dez, acaba escolhendo os nomes de mais fama. A bateria é excelente, vem crescendo bastante, foi outro quesito que a escola arriscou também. Eu gosto disso, a Unidos da Tijuca é uma das escolas que mais lança artistas. Já sabia que tinha um potencial dentro de casa. Este ano, o Casagrande vai conseguir as notas dez, tenho certeza.

Carnavalesco: Seu sonho era ter o Odilon no comando? E a volta do Celinho, é possível?

Fernando Horta: O Odilon não. Gosto muito dele, é meu amigo, um grande diretor de bateria, mas a escola está bem servida. Não vejo nele o perfil para comandar a bateria da Tijuca. O Celinho não foi tirado da escola, ele é cria da escola, foi lançado por mim. O Casagrande já fazia parte da equipe dele.

Carnavalesco: O que você sentiu quando soube como seria a apresentação da comissão de frente em 2010? E na hora do desfile, você ficou emocionado?

Fernando Horta: É um momento em que a gente fica feliz demais. Tinha certeza que a comissão de frente ia estourar. A preocupação existia. Quem arrisca tem mais chances de errar. Meu medo era que houvesse um erro. E o jurado não perdoar. Acompanhei os ensaios, embora eles fossem desgastantes, pois eram as quatro, cinco horas da manhã. Muitos diretores da escola não sabiam que a comissão iria se apresentar daquela maneira.

Carnavalesco: Aliás, o Fernando Horta é durão ou paizão?

Fernando Horta: Eu sou um paizão. Durão na hora que tem que ser. Não tem mistério. Na hora de ser bom é bom, na hora de ser mal também, por isso que as pessoas confiam em mim e gostam de mim.

Carnavalesco: O carnaval deu amigos ou apenas colegas?

Fernando Horta: O carnaval me dá muitas pessoas que me olham diferente. Levo muito a sério. Pode ser até da minha família. Se eu achar que não está enquadrado no desfile da escola eu tiro. Levo o desfile muito profissionalmente. Todos sabem que na hora em que você é duro começa a ganhar fama de antipático. Se o cara vem aqui só pedir camisa, por exemplo, eu não dou. A minha escola é limpa. É a que menos sai com camisa de diretoria.

Carnavalesco: A Unidos da Tijuca mostrou que é possível fazer carnaval somente com a subvenção? Qual é o segredo?

Fernando Horta: A Tijuca não faz Carnaval só com a subvenção. Quem falar isso está errando. A subvenção ajuda o Carnaval da Tijuca em 50%, os outros nós buscamos com parceria e trabalhos da escola: shows e faturamento na quadra. Seria bom se conseguíssemos, temos que partir para esse lado, mas no momento é impossível.

Carnavalesco: É verdade que em 2011, o desfile vai custar R$ 10 milhões? Por que essa mudança nos gastos?

Fernando Horta: Só vou saber quanto vou gastar depois do Carnaval. Se não chegar a dez milhões, vamos ficar muito perto disso. A mudança foi porque todos estão esperando um pouco mais da Tijuca. Então resolvemos carimbar mais uma vez o passaporte. Estamos tentando superar o desfile feito em 2010.

Carnavalesco: O Laíla criticou os valores gastos pela Tijuca. Disse que o valor seria melhor empregado se fosse destinado à comunidade. Como recebeu as críticas?

Fernando Horta: O Laíla fala muita bobagem. É bom rapaz, mas de vez em quando fala bobagem. Ele está vendo um concorrente à altura e começou a entrar no desespero. A Tijuca investe mais na comunidade do que a Beija-Flor. Eu visto mais gente que ele. Ele não sabe quanto a Beija-Flor gasta, não é ele que mete a mão no bolso. Ele não conhece bem a escola. A Tijuca só tem cinco alas comerciais. Gostaria de saber quantas alas comerciais tem a Beija-Flor, deve ter bem mais que a Tijuca. Ele está com medo da Tijuca.

Carnavalesco: Hoje, a Tijuca possui uma equipe de marketing. Quem trouxe essa ideia e o que o marketing acrescentou para Tijuca?

Fernando Horta: A ideia partiu de mim e ela amadureceu. Ainda não está do jeito que eu quero, mas estamos nos preparando para isso. Estamos contratando mais profissionais. É desta maneira que a escola está conseguindo colocar o carnaval na rua.

Carnavalesco: O título em 2010 deu mais visibilidade ou nada mudou? Se mudou, o que aconteceu?

Fernando Horta: Nós já estamos há muitos anos com visibilidade. As pessoas acreditam no nosso trabalho. Tudo o que tratamos nós cumprimos. Não vou dizer pra você que não melhorou. A escola precisa de títulos. Estávamos há muito tempo sem conquistar um título isso vai abrir novas portas. Temos que saber tirar proveito da situação e estamos conseguindo. Durante o ano mantivemos a escola na mídia e faturando. Eu posso te falar que já faturamos mais de R$ 2,5 milhões só com shows. Nas outras escolas não vejo capacidade para fazer isso. Qualidade elas tem.

Carnavalesco: E a participação das rainhas de bateria no Carnaval atual? O que pensa sobre o assunto?

Fernando Horta: O povo gosta de tirar fotografia da rainha de bateria, ela é uma atração a mais. O artista é importante para escola, mas no lugar dele. Não esquento a cabeça com isso, ela não dá pontos para a escola, é um componente e faz parte do show. Eu respeito muito a Adriane Galisteu, mas se amanhã tiver que ser oura será outra. Se não se enquadrar eu troco. Não vejo isso como uma peça importante. O que importa é ter um bom diretor de bateria, um bom cantor, um bom conjunto harmônico e etc. O resto é participante.

Carnavalesco: Dentro do carnaval qual é sua maior alegria e tristeza?

Fernando Horta: A maior tristeza é fazer um bom trabalho e ver que foi injustiçado na abertura dos envelopes. Não sou movido pela paixão, mas pelo profissionalismo. A alegria maior é você ver um trabalho acontecer na Avenida. Sentir a comunidade feliz por desfilar. O resultado é importante, mas mais importante é saber que você um trabalho correto.

Carnavalesco: O português Fernando Horta sempre foi muito respeitado entre os patronos e demais presidentes das escolas de samba e da própria Liesa. Qual foi o segredo para conseguir ser respeitado?

Fernando Horta: Sempre respeitei para ser respeitado. Eles sabem da minha luta e honestidade. Sou o único presidente sobrevivente desses anos todos que não pertencia ao outro lado. Todos os outros quebraram se arrebentaram e eu sempre continuei, nunca gastando aquilo que não posso. Temos crédito. Sempre respeitei o trabalho de todos. Cada um tem a sua maneira de dirigir, mas a Tijuca ainda tem muita coisa para crescer.

Carnavalesco: Já temeu enfrentar algum presidente ou patrono?

Fernando Horta: Não. Já bati de frente, no bom sentido, algumas vezes. Se eu discordar de algo mostro minhas idéias, até mesmo ao presidente da Liesa. A Liga é uma casa democrática e cada um tem o direito de se posicionar. Não vou me omitir nunca. Não posso entrar mudo e sair calado das reuniões. Nunca ficou divergência nenhuma com outro presidente.

Carnavalesco: Como é o processo eleitoral da Tijuca? O Horta nunca vai sair da escola?

Fernando Horta: Pretendo deixar a Tijuca, mas nas duas últimas eleições não tivemos nenhuma outra chapa. Até gostaria que alguém entrasse para eu medir a minha força, mas acho que ninguém quer, só quando eu largar mesmo. A Tijuca é uma escola democrática.

Carnavalesco: Se sair já viu em alguém dentro da escola como provável substituto?

Fernando Horta: Estamos preparando. O que acontece é o seguinte: dentro de uma administração, o processo de substituição é como se fosse de pai pra filho. O pai sempre acha que não existe ninguém com a capacidade dele. Aqui nós sempre achamos que não existe ninguém com a minha capacidade, mas isso é coisa da cabeça do ser humano.

Carnavalesco: Agora, o sonho do Horta é ser presidente do Vasco? Qual motivo?

Fernando Horta: Sonho com isso desde jovem. A minha pretensão já foi muito maior. Resolvi tentar por ser um grande vascaíno. Eu ia ficar quieto, mas após quase cairmos este ano novamente não teve jeito. Se eu percebesse que o meu clube estivesse sendo bem dirigido não me candidataria. Quero ver o Vasco retomar o lugar que está perdendo.

Carnavalesco: É possível derrotar o Roberto Dinamite?

Fernando Horta: O esquema de eleição do Vasco é complicado. Dizem que o clube tem 20 milhões de torcedores, mas quem elege o presidente são duas mil pessoas. Se fosse uma eleição feita de forma aberta, se todo vascaíno tivesse direito a votar, eu ganharia com o triplo de votos, com toda a certeza. Com a idade que eu tenho não pretendo entrar numa disputa para perder. Pra fazer aventura eu não entraria, tenho grandes chances de ganhar. Os vascaínos me conhecem, sabem como funciona o meu tipo de administração, sou um cara arrojado.

Carnavalesco: O Eurico Miranda é seu amigo? Ele apoiaria o Horta em uma eleição do Vasco?

Fernando Horta: Venho com o apoio de todos os grandes vascaínos. Se o Eurico Miranda quiser me apoiar vou aceitar. Até porque ele é presidente do Conselho de Beneméritos do clube, tem força no Vasco. Na eleição, venceu o Antônio Soares Calçada com o triplo de votos. O fato de eu ser amigo do Eurico, ou ele votar em mim, não quer dizer que eu compartilho de suas opiniões e atitudes. Se eu vencer quem vai administrar o Vasco serei eu.

Carnavalesco: Por que o desfile de 98 sobre o Vasco não deu certo?

Fernando Horta: Não deu certo porque 90% dos jurados eram flamenguistas e os outros dez não gostava do Eurico Miranda, por isso derrubaram a escola. Além disso, o presidente da Liga também era flamenguista doente, o falecido Djalma Arruda. O desfile foi um dos melhores que a Unidos da Tijuca fez em sua história.

Carnavalesco: É possível enfrentar o Roberto Carlos na Beija-Flor?

Fernando Horta: É um enredo apelativo, de grande apelo popular. Mas acho que o enredo da Tijuca tem mais conteúdo. Vai depender do trabalho que cada um apresentar. Os jurados já estão mais bem preparados para julgar. Respeito a Beija-Flor até se vier com um enredo sobre Fernando Horta, mas acho que eu daria melhor enredo que o Roberto Carlos, tenho mais história no samba do que ele. Não é só a Beija-Flor, tem outras escolas que precisam ser respeitadas.

Carnavalesco: A Tijuca pode ser considerada uma das favoritas para o título de 2011?

Fernando Horta: Favoritos não. Somos um das candidatas ao título. Favoritismo no samba é muito perigoso. O Carnaval é um campeonato de uma partida só. Se você errar no tempo em que está na Avenida perdeu um ano de trabalho.

Carnavalesco: Qual a importância de ter o Paulo Barros como carnavalesco da Tijuca?

Fernando Horta: A importância da Tijuca para o Paulo Barros é maior do que o contrário. A Unidos da Tijuca nasceu em 1931 e já passaram aqui grandes carnavalescos: Renato Lage, Fernando Pinto. Muitos cantores, mas a escola é mais importante que o artista. Logicamente, o Paulo Barros é uma novidade no Carnaval, assim como outros já foram. Aqui ele encontrou um presidente que o deixa trabalhar à vontade, que viaja nas maluquices dele. As pessoas passam. Vai passar Paulo Barros, Fernando Horta, Bruno Ribas, mas a escola permanece.

Carnavalesco: O que o Horta ainda daria para o carnaval carioca e o que o Horta gostaria que não estivesse presente no carnaval carioca?

Fernando Horta: Acho que eu já estou dando tudo. O poder público é quem que pensar em dar mais alguma coisa. A Prefeitura do Rio tem que valorizar mais o Carnaval. Montar mais estrutura para as escolas, arrumar mais verba. Se eu tivesse como dar mais, compraria uns carros com motor pra poder voar até a Avenida. Tudo isso pra não ter que ver carro quebrar embaixo de árvore e no asfalto esburacado. Os órgãos públicos é que tem que dar mais para essa festa que é única no mundo.

Carnavalesco: Para fechar: Aproveitando o samba de 2011, o Fernando Horta possui medo de alguma coisa?

Fernando Horta: Não tenho medo de nada, cara. Não tive medo nem no dia que tacaram fogo nos ônibus. Sou um homem que respeito tudo, não temo nada.