Escola de Belas Artes da UFRJ e seus 200 anos de história marcam o desfile da São Clemente

Por Marina Magalhães

abrealasA supremacia do Neoclassicismo sobre o Brasil Colonial do século XIX imperou na Avenida neste domingo de carnaval. Com o enredo “Academicamente popular”, Jorge Silveira estreou no Grupo Especial do Rio de Janeiro em grande estilo, cumprindo com maestria a proposta de levar para a Marquês de Sapucaí os 200 anos da Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Com passagem pela Unidos do Viradouro, da Série A, e da Dragões da Real, de São Paulo, Jorge é conhecido pelo talento para o desenho, com um traço próprio, singular. Para o primeiro ano no Grupo Especial do Carnaval Carioca, o carnavalesco, que também é professor de desenho formado pela EBA da UFRJ, realizou um desejo que já existia há muito tempo ao retratar a instituição na Avenida. De acordo com ele, dentro de uma escola de samba, encontra-se o que há de mais supremo nas belas artes: pintura, escultura, música, dança, arte. E a vinda da Missão Artística Francesa para Brasil, em 1816, influenciou o cultivo do carnaval no Brasil, que, antes, era um traço cultural forte da França.

Alinhado ao enredo da escola para este ano, o abre-las foi uma das alegorias de destaque, retratando a chegada dos artistas parisienses ao Rio de Janeiro e a fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, primeiro nome dado à EBA da UFRJ. Na frente do carro, o nome da escola era escrito em grandes letras iluminadas com lâmpadas que lembravam a tecnologia LED. Com predominância do cinza e detalhes dourados, a primeira alegoria deu vida à arquitetura da instituição utilizando o gesso. Na lateral do carro, abaixo das pilastras que sustentam o prédio da Escola de Belas Artes, havia esculturas de rostos, uma referência aos artistas franceses.

sao-clemente_desfile_2018_95-1O segundo carro, intitulado “O Rio de Debret”, foi mais um destaque da escola. A alegoria levou para a Avenida grandes estátuas de gesso e madeira que reconstruíram um fragmento do Rio de Janeiro colonial, pano de fundo das aquarelas de Jean Baptiste Debret. Dialogando com as pinceladas do artista que registraram a diversidade cultural presente nas ruas da capital do Império Português na época, o carro alegórico representou a ancestralidade africana, contando com a presença de baianas.

O intérprete da escola, Leozinho Nunes, pisou na Avenida confiante sobre o samba e o enredo, apesar de a agremiação ter enfrentado obstáculos ao longo do ano de preparação para o desfile.

– Passamos por muitos momentos difíceis nos últimos meses, como a perda de um dos nossos presidentes. Mas isso nos deu mais força para nos preparamos para este dia. O público vai deixar a Sapucaí vendo uma outra São Clemente, mais feliz – prometeu.

Leozinho ainda ressaltou a chegada do carnavalesco Jorge à escola, reforçando a garra da agremiação para o desfile.

– Ele é um gênio, ele é fantástico – elogiou.