Esculturas de Arlequim e Pierrô tristes roubam a cena em desfile da Mangueira

Por Diogo Cesar Sampaio

arlequimmangaNo desfile apresentado pela Mangueira neste domingo, merece destaque as soluções simples, porém impactantes dadas pelo carnavalesco Leandro Vieira.

Além das críticas ao prefeito Crivella e aos governantes em geral, o artista fez também uma autocrítica, abordando desde o distanciamento das agremiações para com seus componentes, até a rigidez e a militarização do modelo de desfile atual, passando pelo o esvaziamento do sentido real da festa. Tudo isso foi colocado em cheque no desfile da Estação Primeira.

O ápice de toda essa crítica do enredo culminou na quinta alegoria da escola, que encerrou a passagem da Verde e Rosa pelo Sambódromo. Se despindo do luxo e do brilho, na alegoria predominava os tons cobre, com ferros e alumínios “enferrujados” formando o carro. Duas esculturas de Arlequim com expressões melancólicas estavam na lateral, assim como enormes engrenagens que se mexiam. Na frente, uma enorme escultura de um Pierrô choroso, com todo o seu corpo feito de retalhos de pano com cores foscas e apagadas. Na traseira, três palhaços tristes, também com os corpos feitos de pedaços de tecidos. A alegoria encantou pela simplicidade e impacto.

Compondo a alegoria vinha ainda o grupo de teatro “Tá na Rua”, representado a ralé. A integrante da trupe Renata Batista, de 38 anos, que fez sua estreia na Mangueira, neste domingo, falou da importância para eles de participar do carnaval da Estação Primeira.

– A gente está representando a ralé. Nosso diretor foi convidado para vir representando o barão da ralé. Para nós, o desfile foi maravilhoso porque tem tudo haver com o nosso trabalho, porque fazemos teatro de resistência. Esse carro representa um pouco a história do grupo, que com dinheiro ou sem dinheiro a gente continua e faz teatro. Parece até que o samba foi feito para nós. E que a gente possa voltar nas campeãs, que vai ser muito bom! É uma honra estar na Mangueira – concluiu.