Especialistas falam sobre a nova acústica do Sambódromo

Um dos desafios que surgirá com a nova arquitetura do Sambódromo dá conta da forma que o som se propagará ao longo dos 700 metros de pista da Marquês de Sapucaí. Sem o tão criticado paredão de camarotes é prematuro dizer se a mudança será benéfica ou maléfica para o espetáculo, mas mesmo não sendo consultados pela Ambev, empresa responsável pela construção do novo módulo de arquibancadas, os responsáveis pelo aspecto sonoro dos desfiles na Avenida já parecem se mexer.

Já se sabe que, ao invés de caixas de som em apenas um lado da pista, os dois lados do Sambódromo ganharão os chamados ''pirulitos'', hastes que seguram as caixas de som. Mario Jorge Bruno, produtor executivo do CD do Grupo Especial e um dos responsáveis pelo ajuste do som da Sapucaí, revelou que ainda não houve uma reunião entre as partes interessadas, mas durante plenária realizada com diretores de bateria e diretores de carnaval a questão já foi brevemente debatida.
 
– Até agora não houve uma reunião entre a Liga e a empresa responsável pelo som, mas acredito que seja cedo. O carnaval é um mega-evento, existem muitas outras questões que a Liesa precisa resolver. A questão do som será apenas mais uma, mas ainda não dá para ter uma posição definitiva. O que garanto é que vamos trabalhar com os mestres durante os ensaios para auxiliá-los.

Mestre de bateria da Unidos da Tijuca, Casagrande, ainda acha cedo para preocupar-se com a questão, mas sugere um grande ensaio com todas baterias como teste.
 
– O ideal seria juntar todos os mestres e cada um levar uns dez ritmistas de naipes diferentes para formar uma espécie de superbateria e ensaiar antes do primeiro ensaio na Avenida. Ali já teríamos como tirar algumas conclusões. O que sei é que temos de ser chamados e acredito que a Liesa vá fazer isso. Já houve uma breve conversa. Nos disseram que os dois lados terão caixas de som. Será preciso um ajuste para que não haja dissonância entre elas.
 
Quem concorda com Casagrande é o coordenador da superdireção de bateria da Mocidade, Andrezinho. Ele lembra que o ideal seria promover o encontro, com toda a aparelhagem de som da Sapucaí montada.
 
– A ideia do Casão é bem legal, mas acho que isso seria necessário fazer com todo o som montado. Se é para testar, que se teste da melhor maneira possível. É necessário aprimorar para que no dia do desfile ninguém seja prejudicado. Tem que sonorizar os instrumentos, até para dar uma noção aos cantores.
 
Mario Jorge acha improvável que toda a aparelhagem de som da Sapucaí esteja instalada antes do início dos ensaios, devido ao trabalho que isso daria. Ele chama a atenção também para um fator que pode acontecer: a diminuição do número de ritmistas nas baterias.
 
– Acho que baterias com 300 elementos ocupam um espaço muito grande no momento de deslocamento da ala na pista de desfiles. Na hora do efeito elástico – momento em que os componentes da frente começam a andar – o espaço entre o mestre de bateria e o carro de som é tão grande que supera o limite de trinta metros, aconselhável para que não haja atraso na chegada do som, já que, este ano, teremos caixas de som nos dois lados da pista. Já conversei com todos os mestres, 280, 270 ritmistas é o número ideal para desfile. 300 é loucura.

Acostumado a vencer desafios, já que assumiu a bateria da Beija-Flor juntamente com mestre Binho há dois anos e manteve o padrão de qualidade dos ritmistas da Deusa da Passarela, mestre Rodney disse confiar na capacidade de organização da Liesa.
 
– Não resta dúvida que é um novo desafio. Ainda não sabemos o que vamos encontrar lá, mas acredito que a questão está em boas mãos. A Liga já provou que sabe administrar bem essas situações. Nos resta trabalhar e fazer as observações necessárias nos ensaios técnicos. Na Beija-Flor, vamos usá-los para que essa questão não nos surpreenda no dia do desfile.

Apesar de a questão já estar sendo abordada pela Liesa, não são só as escolas do Grupo Especial que enfrentarão esse novo desafio. Mestre Gilmar, diretor de bateria do Império Serrano, atual vencedora do prêmio Estrela do Carnaval, chama a atenção, lembrando que até mesmo algumas notas já foram mal atribuidas em razão da acústica deficitária de outrora.

– Na verdade a dificuldade só vai ser tirada no ensaio mesmo, mas temos que ficar atentos com isso. Notas de bateria já foram mudadas por causa da acústica. Pretendo estar presente em todos os ensaios que eu puder para observar. Prefiro até ouvir as outras baterias para avaliar. No meu ensaio, fico preocupado com tanta coisa que o senso de observação fica prejudicado. Acho importante uma aproximação entre a Lesga e a Liesa. Todas as escolas vão passar na Avenida e não se pode distinguir, até porque, a acústica é a mesma para todos. Acredito que, até lá, essa questão será resolvida.

A previsão de entrega do Sambódromo é o dia 18 de dezembro, e os ensaios técnicos devem começar no dia 08 de janeiro.