Estácio “bota a banca na Avenida” e consagra a parceria de Alexandre Naval como campeã

Por Geissa Evaristo, Philipe Rabelo, Vinicius Vasconcelos e Magaiver Fernandes

whatsapp-image-2017-09-03-at-06-00-39Os versos “Bota a banca na Avenida… meu Leão, bate no peito, desce o São Carlos, é meu orgulho maior “Deixa Falar” que eu sempre vou te amar” serão entoados com força pelos estacianos no Carnaval 2018. Refrão principal do samba dos compositores Alexandre Naval, Filipe Mendrado, Luiz Sapatinho, Pelé, Thiago Sousa, Rodrigo Armani e Diego Tavares já deixou a impressão que a Estácio de Sá entrará na Avenida com garra, batendo no peito seu orgulho pela agremiação que acaba de completar 90 anos de fundação. A parceria vencedora mescla campeões e estreantes. Diego Tavares já se tornou campeão duas vezes, e Luiz Sapatinho e Filipe Medrado já alcançaram o sonho uma vez.

whatsapp-image-2017-09-03-at-05-37-36Batendo na trave há cinco anos, o compositor Alexandre Naval nunca havia sido campeão pela escola de coração. Coordenador da ala dos compositores participou de seis finais consecutivas e realizou na manhã deste domingo seu sonho de se tornar autor de uma obra da sua agremiação. O compositor fez de tudo para divulgar seu samba, inclusive, em missas da paróquia que a mãe frequenta. No melhor estilo “boca de urna” chegou a distribuir CDS com o samba nas saídas das missas.

– É uma felicidade que não tem como explicar, sou nascido e criado no morro do São Carlos e desde de criança que eu frequento a Estácio de Sá. Conseguir ganhar o samba-enredo na escola é uma cosia que não tem explicação. O que mexeu mais comigo foi falar sobre o mercado popular, falar sobre o vendedor, poder retratar o vendedor. É um povo sofrido que está sempre ali batalhando na feira, na banca da feira e isso mexeu comigo. A minha esposa trabalha com comércio e meu pai vendeu títulos de uma empresa por muitos anos. Eu dedico essa vitória aos meus 2 netos que nasceram, a Lais e o Caio – disse o compositor Alexandre Naval.

dsc_0910Representante do departamento cultural da escola de Ismael Silva, Filipe Medrado ganha pela segunda vez a disputa de samba na agremiação. O compositor conversou com a equipe do site CARNAVALESCO sobre curiosidades da obra:

– Achava que poderia ser campeão pela emoção que a gente traz. Por ser um samba de estaciano para uma escola que está completando 90 anos. Acredito que tenhamos alcançado a expectativa de toda a diretoria, quanto a letra, quanto a melodia, ao que o enredo pedia. Pra mim, a parte que vai “pegar” na Sapucaí será o final de segunda e o refrão da cabeça, quando a gente canta: “Eu sou mercador dessa folia / Sambista de berço, de corpo e alma/ Na era da modernidade sou tradição, uma escola de verdade”. A Estácio é isso. Durante sua história que completa 90 anos, exportou sambista para o mundo do carnaval. Uma escola de verdade. O refrão chama o morro do São Carlos, o componente da escola e mexe com o brio do estaciano, que é um sambista orgulhoso pela sua escola de samba. O estaciano é movido a base de emoção.

‘Eu sou Estácio desde que me entendo por gente’, afirma Serginho Porto

dsc_0904Vermelho e Branco são cores com as quais Serginho do Porto está acostumado. O atual intérprete da Estácio de Sá retornou à escola após passar dez anos no Salgueiro. Ele diz que é maravilhoso estar de volta para escola onde cantou por muitos anos e que a luta é de fazer a Estácio ir para o Especial.

– Salgueiro é um ciclo que se fechou, agora é hora da gente trabalhar na Estácio, se dedicar na escola que a gente abraçou e trabalhar aonde eu torço e tenho um carinho muito grande. Eu sou Estácio faz tempo, desde que me entendo por gente foi assim – comentou.

O intérprete chegou não só contribuindo com a voz, mas também deu o enredo para o Carnaval 2018.

– A gente já tinha umas ideias de mercado e mercador, como o enredo de Singapura não caminhou, nós achamos que este é um enredo popular, que tem a cara da Estácio. Está dando certo e vai dar cada vez mais – explicou Serginho.

Fantasias para a comunidade

dsc_0571Presidente da agremiação desde 2012, Leziário Nascimento garante que não mudará a quantidade de fantasias disponibilizadas para a comunidade. Após o rebaixamento do Grupo Especial em 2016, a escola luta para retornar à elite e permanecer nela. Em 2017 alcançou o terceiro lugar da Série A.

– Vamos colocar um carnaval bom pra ótimo na Avenida, mas estamos trabalhando por conta dessa crise. A Estácio, além de ter chão, vai disputar como qualquer outra. Nosso enredo não é patrocinado, o que temos são amigos ajudando. O enredo de Singapura não deu certo porque era um enredo caro, daí partimos uma proposta mais barata para conseguir botar na rua. Não vamos mexer no número de fantasias da comunidade. No samba campeão não podia faltar a garra tradicional da Estácio, o resto nos levamos – disse o dirigente.

Diretor de carnaval do Leão, Marcão complementou as palavras do presidente:

– É impossível calcular nesse momento qual será o investimento do Carnaval 2018. Vai depender do material que o carnavalesco vai pedir entre outras coisas. Temos 23 alas, apenas 3 são comerciais. Todo mundo quer ensaiar na Sapucaí, mas se não puder não teremos o que fazer. Nossos ensaios de rua estão programados para dezembro, mas podem iniciar um pouco mais cedo, dependendo da demanda.

Carnavalesco pensa em superar dificuldades com muita arte

dsc_0395No ano em que completa 9 décadas de história, a Estácio apostará na modernidade para o Carnaval 2018. Com carnavalesco jovem, porém experiente, o Berço do Samba vai falar sobre os mercados populares e como eles foram e são importantes no processo de desenvolvimento da cidade desde sua fundação. A equipe do site CARNAVALESCO conversou com Tarcísio Zanon. Há quatro anos na vermelho e branco e que pela primeira vez assinará sozinho um projeto ele tem como missão levar a Estácio de Sá de volta ao Grupo Especial.

– O Chico Spinosa estava a frente do projeto de um enredo patrocinado de Singapura, mas não aconteceu e ele preferiu sair. Ter o Chico, grande carnavalesco, ao meu lado, era sinônimo de divisão de responsabilidades. Agora a responsabilidade é um pouco maior, mas a equipe permaneceu, o que me deixa tranquilo. Esse será meu quinto ano na escola, já tenho experiência. Nosso enredo chegou através do intérprete Serginho do Porto. A divulgação do enredo de Singapura não atrapalhou o planejamento do nosso trabalho porque independente disso as escolas de samba estavam atrasadas por conta da demora da subvenção. A Estácio está dentro do tempo. Será o carnaval da crise, da crise, mas costumo dizer que não existe crise quando se tem uma equipe disposta a fazer arte e depende do carnavalesco motivar a sua equipe. A gente pega do lixo, recicla, faz de novo e fica bonito novamente. A marca do carnaval do Tarcísio será modernidade. Vou fazer um carnaval moderno, pegando o gancho que a escola já foi campeã do carnaval com o Modernismo – afirmou o jovem artista.

dsc_0470Juventude na bateria

O comando da bateria da Estácio de Sá em 2018 será do jovem Gaganja. Ele substitui mestre Chuvisco, que foi para a Vila Isabel, mas ganhou o posto de presidente de honra da bateria Medalha de Ouro.

– A responsabilidade é enorme. Assumir o lugar do mestre Chuvisco, que pra mim é tsunami, granizo. Aquele cara é enorme, um pai pra mim. Eu estou aqui há 10 anos e aprendi muito com o Chuvisco. Ele tem Uma importância enorme na bateria. Serão 270 ritmistas fixos da casa.

Casal quer consagração

Zé Roberto chegou nos 45 minutos do segundo tempo para ser o par de Alcione no carnaval 2017 em substituição ao Marcinho. A dupla correspondeu a expectativa almejada e planeja consagração para 2018. O site CARNAVALESCO conversou com a dupla sobre o julgamento do Carnaval 2017 e como estão se preparando para 2018:

dsc_0748– O Carnaval 2017 foi a primeira vez que dancei com o Zé e nós tivemos as melhores notas. Vamos continuar na mesma linha, claro que tentando inovar sempre, mas respeitando a dança do casal e o regulamento. A Ariadne, que agora é a coreógrafa da comissão de frente, continua com a gente. É um trabalho de três pessoas. Ela dá uma ajuda fundamental, consertando, mas respeitando nosso limite e nossa dança. Somos responsáveis por toda a pontuação de um quesito e portanto trabalhamos pela nota máxima. Após a escolha do samba a gente prepara apresentação de quadra e inicia o preparo de um esboço para o desfile. Aumentamos também de 2 para 3 vezes os nossos encontros semanais – explica Alcione.

O mestre-sala José Roberto concorda com a porta-bandeira e complementa:

– Tive a honra de virar o mestre-sala da Alcione, uma porta-bandeira de quem eu apreciava como profissional e ser humano, nos 45 minutos do segundo tempo. Como nossa parceria deu certo, agora é o ano da nossa afirmação, e aí a busca da nota 10 é necessária, mas não como uma obrigação, como uma necessidade. Apesar da responsabilidade de defender o pavilhão e toda sua comunidade não levo como peso, nem obrigatoriedade, mas com alegria – analisa Zé Roberto.

Como foram as apresentações:

dsc_0864A primeira parceria a se apresentar foi de Roni. A turma levou muitas bandeiras vermelhas e branca e chuva de bolas coloridas. A torcida estava animada, apesar disso, a obra não empolgou o público fora da torcida.

O segundo samba da parceria de Alexandre Naval pisou na quadra com canto forte. O público já estava deixando a quadra e do lado de fora muitos fogos no início da apresentação. Destaque para o refrão principal. A torcida batia no peito, mostrando valentia. Apresentação forte.

Os sambas das parcerias de Arthur das Ferragens e de Xande de Pilares se apresentaram com a quadra bastante vazia. A primeira parceria contou com jovens cantores, como Rafael Tinguinha. A torcida, embora pequena cantou o samba, como destaca para a parte bota a banca, medalha de ouro.

A parceria de Xande de Pilares contou com Leozinho Nunes e Wander Pires, que chegou durante a apresentação. Os integrantes da harmonia cantaram o samba e a torcida fez seu papel. No fim, a vitória ficou com Naval e seus parceiros.