Estácio faz bom ensaio e sonha em voltar a rugir no Especial

A dura volta ao Especial já persiste durante quatro anos. Para sonhar com a vaga na elite, a Estácio de Sá realizou um bom ensaio técnico na noite deste sábado no Sambódromo. A agremiação soube aproveitar – e muito bem – seu único ensaio antes do desfile. Uma comunidade forte, cantando o samba, sendo regida pela bateria de mestre Chuvisco e complementando com seu intérprete Leandro Santos em um dia inspirado.
 

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O cantor iniciou com o samba de exaltação "Pavilhão do Amor", que já era uma prévia da passagem da escola pela Avenida. Antes mesmo de o ensaio começar, ele já havia pedido a todos no Sambódromo um minuto de silêncio em alusão ao ocorrido na última quarta-feira com o desabamento de três prédios na Rua Treze de Maio, no Centro do Rio. Um gesto bonito e que foi respeitado por todos os presentes.
 

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As homenagens não pararam por aí. À frente da escola, uma faixa de apoio ao seu diretor de barracão Rony, que sofreu uma ruptura nos ligamentos e terá que passar por cirurgia. Com todo o gás, a escola iniciou seus trabalhos cantando e rendendo bem na Avenida. A comissão de frente, coreografada por Júnior Scapin, recebeu aplausos do público presente em todos os setores do Sambódromo. Os componentes usavam um leque nas mãos e, com muito samba no pé, cantaram o samba do início ao fim, valorizando ainda mais a harmonia da escola. – Estou muito feliz com o desempenho da comissão. No desfile oficial serão três coreografias e no ensaio técnico nós apresentamos duas dessas coreografias, que são coreografias de deslocamento. Uma coreografia não foi apresentada porque eu preciso de um objeto cênico de mão que será utilizado no dia do desfile. E esse objeto cênico forma figuras. É muito interessante o efeito que ele vai causar. Em relação à representação da comissão de frente, posso adiantar que ela virá como um personagem do carnaval carioca, que é um mito e tem música e tudo em homenagem. Esse trabalho é especial porque eu sempre quis fazer uma comissão com homens vestidos como mulheres e, finalmente, vou poder colocar essa ideia em prática – disse o coreógrafo.

O casal e mestre-sala e porta-bandeira, Daniel e Alcione, fez coreografias básicas nos primeiros módulos, porém a dança de Daniel foi muito bem executada e se encaixou perfeitamente com a sua companheira. – A gente vem ensaiando há 6 meses. É a minha estreia como mestre-sala da Estácio, então, a responsabilidade é ainda maior. Mas se a Estácio me deu essa oportunidade é porque eu tenho capacidade. Felizmente tudo certo nesse ensaio e não choveu. Caso chovesse, nós estaríamos preparados também – afirmou o mestre-sala.
 
A agremiação levou entre componentes e integrantes das composições cerca de 20 alas, o que para uma escola do Acesso é um bom número. A única ala coreografada foi à primeira da escola, na qual os integrantes faziam suas coreografias durante a passagem do refrão do meio do samba. Também se destacou a ala das crianças, onde todas cantavam e estavam organizadas. Infelizmente, as alas que vinham logo atrás do tripé da terceira alegoria cantavam apenas o refrão e outras duas alas (uma logo depois das passistas e a outro após o quarto tripé) que marcava a posição de alegoria passaram com pessoas com câmera fotográfica na mão e sem comprometimento com o ensaio. No geral, o canto de toda a escola foi muito bom e todas as alas perfiladas e com seus componentes levando a sério todo o ensaio.

Na bateria, de mestre Chuvisco, a ilustre presença dos mestres Thiago Diogo (Porto da Pedra) e Casagrande (Unidos da Tijuca) que acompanharam todo o ensaio além de mestre Ciça (Grande Rio). Vale destacar que no segundo módulo de jurados, quando a bateria parou para simular sua apresentação os ritmistas usaram confetes e serpentinas e jogavam para o alto durante realização de suas bossas com maior destaque para a elaborada com os atabaques. O público delirou. Já dentro do segundo recuo, depois de toda a troca de posição o peso da bateria fez com que tivesse uma pequena embolada.

– São 5 convenções com duas coreografias, todas as executadas serão as que levarei para o desfile oficial. Hoje, 270 ritmistas ensaiaram e esses mesmo 270 desfilarão. Nessa reta final temos feito ensaio extras para acertar os erros que ainda ocorrem. Como representaremos o Olodum, introduzi alguns timbaus na bateria e fazemos uma bossa que é uma bateria de timbalada. Nesse momento, os timbaus entram no corredor e tocamos um ritmo baiano. NUm outro momento no refrão fala sobre carnaval, daí fazemos um verdadeiro carnaval, uma festa dentro da bateria e levantamos os instrumentos. No geral, analiso o ensaio como bom. Minha nota é 9. Ocoreu tudo bem, temos alguns detalhes mínimos para acertar. Buscaremos o 10 para o dia do desfile – contou mestre Chuvisco.

O que não poderá se repetir no desfile oficial são os espaços deixados na entrada e na saída da bateria do box. A bateria estava um pouco acelerada, mas diferente do ano passado onde a mesma estava acelerada e embolada. Luana Bandeira, rainha de bateria da escola, pelo primeiro ano, veio com o corpo pintado e com o símbolo da agremiação, o leão, do lado direito da barriga e como não podia ser diferente com uma pintura de uma coleira no pescoço onde se lia: Pitel, uma homenagem ao seu namorado.

– O que a gente queria fazer, a gente conseguiu. Passamos dois meses ensaiando na quadra, trabalhando canto e evolução e hoje estamos vendo o resultado. Fizemos um dos nossos melhores ensaios. Estou exatasiado com esse ensaio. Mas é o que eu digo: a gente sempre pode e vai melhorar para o dia do desfile oficial. Nossa intenção não é fazer 100%, mas 110% no sábado de carnaval. De qualquer forma, o público pode ver a força do leão da Estácio – explicou Edvaldo Fonseca, diretor da Estácio de Sá.

A Estácio de Sá será a terceira escola a desfilar no sábado de carnaval e traz como enredo: Luma de Oliveira: Coração de um país em festa!, do carnavalesco Marcus Ferreira. A escola luta para voltar ao Grupo Especial e nos dois últimos anos acabou na terceira colocação.

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