Estácio faz festa para o seu Rei

Diz o ditado que triste é o povo que não conhece a sua história e, para que a comunidade estaciana seja cada vez mais feliz, a diretoria da Vermelho e Branco promoveu, durante todo este domingo, uma viagem ao que há de mais significativo em sua rica trajetória: Ismael Silva, fundador da Deixa Falar, primeira escola de samba do Brasil, originária da Estácio de Sá. Se vivo fosse, Ismael completaria 106 anos na última quarta-feira, dia 14 de setembro.

Pela manhã, a Velha Guarda e a diretoria da escola depositaram flores na estátua do músico, localizada na Praça Ismael Silva, que fica praticamente em frente à entrada da quadra da Estácio. A homenagem foi seguida de um farto café da manhã, servido a todos os presentes, e da apresentação do grupo de samba Medalha de Ouro, formado por ritmistas da escola.

Durante todo o dia, a festa seguiu na quadra da escola com  os grupos Arte de Amar e Medalha de Ouro, a Velha Guarda Musical da Vila Isabel e os cantores Jorge Caetano, Alex Ribeiro, Dominguinhos do Estácio, Marquinho Sensação, Wilson Moreira e Luis Camilo. Detalhe para o trabalho de pesquisa realizado pela diretoria da Estácio de Sá, que se preocupou em fazer o cardápio da festa todo voltado para o gosto do próprio Ismael Silva. Tripa Lombeira e Batida de Maracujá são alguns exemplos do que foi servido. A decoração da quadra também  merece menção. Vários banners com fotos de Ismael Silva e frases de personalidades falando sobre o homenageado puderam ser vistos. Vídeos com imagens de Ismael Silva e desfiles antigos da Estácio também foram exibidos.

Um dos responsáveis pela festa, o diretor de carnaval Edvaldo Fonseca falou sobre a organização do evento.

– Buscamos nos sites e em documentos históricos, além de um trabalho de resgate com pessoas da Velha Guarda que realmente viveram com ele e no Museu da Imagem e do Som, que nos ofereceu muitas coisas também. Ninguém melhor do que a Estácio para fazer essa homenagem com muito carinho a quem merece. A história só tem continuidade se for passada de geração a geração e o conhecimento foi disseminado. Não adianta a o conhecimento morrer com a pessoa. A participação dos jovens e, eu até me incluo nisso, pois tenho 46 anos e falo de alguém com 106, é importantíssima. A bateria, repleta de jovens, é o maior segmento que nós temos e está em peso aqui hoje, vendo como começou a nossa história.

Desde as primeira horas da manhã presente no evento, o presidente da escola, Leziário Nascimento, discursou no mesmo tom que Edvaldo.

– A sensação é a melhor do mundo. A Estácio é a primeira escola de samba do mundo e não há nada mais importante do que comemorar o dia de nascimento de Ismael Silva. É importante fazer as pessoas tomarem conhecimento da história da Estácio. Tudo começou lá atrás. Temos que homenagear aqueles que são responsáveis pelo fato da escola existir hoje.

Outro que mostrava muita felicidade com a homenagem era o presidente da Velha Guarda da escola, Odorico da Silva Meira. Não é para menos, Odorico teve o prazer de conviver diretamente com Ismael Silva, já que, desde a década de 60, conviveu com o mestre.

– O Ismael foi o fundador da escola de samba, ele teve essa sacada. Para a Estácio representa muito que ele tenha a sua história ligada à da escola. Vivi alguns momentos com Ismael. Sentei muitas vezes com ele na esquina da rua Gomes Freire com rua do Riachuelo e nós conversávamos muito. Ele era muito reclamão(risos), reclamava de tudo, falava sobre os direitos autorais, que era muito injustiçado, mas era uma boa alma, uma pessoa de caráter – disse Odorico, que elegeu o ano de 1992, quando o Leão foi o campeão do carnaval, como o mais importante da história estaciana.

Falando em história na Estácio de Sá, o nome de Dominguinhos do Estácio é parada obrigatória. Atualmente na Imperatriz Leopoldinense, Dominguinhos cantou algumas músicas, para delírio da legião de fãs que deixou na escola. Não é para menos, foram muitos anos dedicados à Vermelho e Branco, além de ter sido o intérprete oficial quando a escola do morro de São Carlos ganhou o seu único título.

– Ele ensinou tudo pra gente. Deixou esse legado todo. Eu me criei ouvindo Ismael Silva e as suas lições. Todos os monstros sagrados que passaram pelo Estácio devem um pouquinho a esse grande mestre. Não poderia deixar de vir aqui numa ocasião como essa. Ele sempre falou aqui que um dia o carnaval seria a maior festa do mundo e isso está provado. O Estácio é o meu cordão umbilical, sempre expus a minha relação com a escola e sempre me respeitaram por isso, tanto é que carrego a escola no meu nome artístico. Hoje, existem outras escolas com maior poder aquisitivo, mas sempre que posso estou aqui contribuindo de alguma forma – destacou Dominguinhos.

No encerramento da festa, a bateria Medalha de Ouro fechou com chave de ouro as comemorações do 106º aniversário do Rei da Estácio.

 

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