Estácio reúne todo o carnaval para homenagear Luma de Oliveira

Após o anúncio oficial do enredo "Luma de Oliveira: coração de um país em festa" pipocaram na internet e nas rodas de bate-papo de carnaval muitas críticas ao tema que a Estácio de Sá levará para a Avenida em 2012. Na entrega da sinopse aos compositores da Vermelho e Branco, na noite desta segunda-feira, na quadra da agremiação, o carnavalesco Marcus Ferreira e o pesquisador Marcus Roza, autor da sinopse e da defesa do enredo, explicaram ao CARNAVALESCO que o enredo não terá o desenvolvimento que muitos imaginavam.

De acordo com a dupla, o foco central do enredo foi inspirado num texto escrito pelo cantor João Bosco, que aborda a expectativa dos foliões brasileiros de verem Luma de Oliveira na Marquês de Sapucaí. Marcus Ferreira revelou que todas as expressões carnavalizadas do nosso país se encontrarão no Rio de Janeiro para prestigiarem a musa.
 
– Tiramos esse proveito de chamar todos os foliões brasileiros para virem ao Rio. Vamos fazer uma brincadeira. Na Rio Branco, os grupos de Clóvis e Bate-bolas recebem os folguedos, maracatu, frevo e caboclinho. Na Lapa, o Orunmilá recebe a Timbalada, o Olodum, Ilê Aiyê e Filhos de Gandhi, que partirão para a Sapucaí para ver a Luma. No quarto setor, dos blocos de embalo, o Cordão do Bola Preta, na Cinelândia, receberá o Bacalhau do Batata, Galo da Madrugada e a Banda de Ipanema. O último setor é Coração de um país em festa, onde a Luma virá, a grande homenageada. Faremos também uma homenagem também ao mestre Ciça, que esteve muito tempo ao lado da Luma e é um eterno mestre de bateria da Estácio. Os ritmistas também serão mencionados neste setor.

Marcus Ferreira revelou também que, por hora, não há perspectiva de patrocínio para esse carnaval, mas mostrou-se confiante quanto ao desenvolvimento plástico do desfile. Ele confessou que fala quase que diariamente com Mem de Oliveira, irmão da homenageada. Além disso, Luma vem colaborando com a pesquisa, cedendo reportagens e registros históricos de sua passagem pelo carnaval. Ciente da enxurrada de críticas já direcionada ao tema, Marcus não teme preconceito com o desfile da Estácio.
 
– Carnaval é na Avenida. Ano passado ninguém esperava o desfile que a Estácio fez. Passamos corretos plasticamente. Não deixamos nada a desejar para escolas que gastaram muito mais do que nós. Confio plenamente na minha equipe e na escola. O carnaval está bem desenvolvido. As pessoas estão pensando em algo que não é o enredo. A vida pessoal e profissional da Luma não estão envolvidas. O que está envolvido é a imagem dela perante o carnaval. Isso ninguém pode negar. Só ela soube respeitar aquele chão da Avenida e as escolas por onde passou.

Convidado para ajudar a encontrar um rumo no desenvolvimento da defesa do enredo, o pesquisador Marcus Roza, que já participou da criação de enredos que fizeram sucesso na Sapucaí (Mangueira 2002 e Império Serrano 2006), deu detalhes da construção do enredo.
 
– Foi um trabalho muito especial. Todos os comentários diziam que o enredo não tinha nenhum fundamento, nenhum histórico, que Luma de Oliveira não daria enredo. Partindo desse princípio já se inicia com alguns pneus arreados. Buscamos um estudo para transformar esse tema tão criticado numa coisa palpável, carnavalesca e que tivesse fundamento teórico, histórico e, sobretudo, cultural. A Luma se intitula filha das três raças, uma sambista de coração. Juntando essas duas coisas você pode falar da cultura vasta, dos diversos brasis que o nosso país tem. Com esses elementos nós começamos a formular uma nova musa, com todas as responsabilidades para desenvolver algo tão fundamentado. Esses brasis precisam homenagear essa grande musa, daí surgiu a ideia do enredo. Acho que conseguimos dar uma curva nessa ideia inicial que as pessoas tinham. O enredo ficou limpo, direto, híperultra criativo. Poderemos trabalhar com o leque de possibilidades culturais que o nosso país tem. Acho que esse enredo é uma resposta positiva às pessoas que perguntavam o que seria feito com Luma de Oliveira. Carnaval é isso. Qualquer coisa dá enredo. Você pode falar de uma pedra ou uma vassoura. Basta a sua inteligência aflorar ao passo que você perceba que em torno daquilo que você se propõe a falar há algo significativo – disse o pesquisador, que também é autor do Roteiro dos Desfiles, informativo que é distribuído gratuitamente ao público do Sambódromo, com informações detalhadas dos desfiles do Grupo Especial e Acesso A

A Estácio de Sá tenta voltar ao Grupo Especial, onde esteve pela última vez em 2007 e acabou rebaixada com a reedição do enredo "O ti-ti-ti do sapoti". Campeã da elite do carnaval em 1992, a agremiação do morro de São Carlos buscará o seu sétimo título da divisão de acesso do Carnaval carioca. Sinopse na mão, os compositores da Estácio tem até o dia 05 de agosto, quando haverá apresentação dos sambas concorrentes na quadra da escola, para apresnetarem suas respctivas obras.