‘Eu hei de cantar por toda vida’. Wander Pires vence samba pela primeira vez na Mocidade

Nascido e criado em Padre Miguel e com uma marcante trajetória dentro da Mocidade Independente, tendo sido a voz do último título da verde e branco, o cantor Wander Pires conseguiu realizar seu sonho, venceu o samba da escola para o Carnaval 2016. Foi a primeira vez que ele venceu na escola que o projetou para o mundo. Se o cantor nunca havia vencido, dois de seus parceiros já estão calejados. Foi a oitava conquista de Jefinho Rodrigues e a sexta de Marquinho Índio. Completam o time campeão J. Medeiros, Domingos Pressão, Jonas Marques, Paulo Ferraz, Lauro Silva e Lero Pires. A Mocidade desfila em 2016 com o enredo "O Brasil de La Mancha – Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, Sou Quixote Cavaleiro, Pixote Brasileiro", dos carnavalescos Alexandre Louzada e Edson Pereira.

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Wander Pires não se furtou em afirmar que sua paixão pela Mocidade é um tesouro em sua vida. – Eu sou um profissional do carnaval e honro o pavilhão que defendo. Hoje sou intérprete da Portela, e já passei por diversas escolas. Mas meu coração bate diferente aqui. Tudo que eu tenho devo à Mocidade. Não há palavras para definir o que é especialmente pra mim vencer um samba-enredo na minha escola – afirmou Wander ao CARNAVALESCO.

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Assim como Wander Pires, o compositor Lauro Silva também ganhou pela primeira vez na Mocidade. E declarou que espera sensibilidade da verde e branco para não fazer mexidas no samba. – É uma emoção grande demais, não dá nem para traduzir em palavras. Tomara que não mexam no samba. Pra mim está perfeito – revelou Lauro.

Oito vezes campeão na escola, o compositor Jefinho ressaltou a força da letra do samba. – Os finalistas eram maravilhosos e todos estão de parabéns, mas acho que prevaleceu a nossa letra, a força do nosso refrão, que conquistou o coração de cada independente aqui presente e isso foi fundamental. O processo de criação durou cerca de três semanas. Fizemos uma leitura detalhada da sinopse para, depois, começarmos os encontros pra debater. Entender o que o carnavalesco quer expressar no desfile é fundamental pra começar a preparar um samba que entre pra brigar. O refrão do nosso samba entrou na veia do componente. Fiquei feliz demais de ver até torcedores de outros sambas contando o nosso enquanto nos apresentávamos. A Mocidade está unida e acredito que esse samba vai embalar um grande desfile.

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O vice-presidente Rodrigo Pacheco elogiou a disputa e prometeu uma Mocidade forte para 2016. – É preciso dizer que todos são vencedores. Agora não é o samba do Wander, é da Mocidade. Nossa ala de compositores nos brindou com excelentes obras e agora toda a escola vai cantar esse. Vocês podem esperar uma Mocidade belíssima em 2016 como nunca viram – garantiu Pacheco.

Intérprete da Portela desde outubro de 2014, Wander Pires teve sua última passagem pela Mocidade em 2009. A relação com a escola de coração é de idas e vindas. Mesmo vitorioso, o cantor rechaça a possibilidade de participar do carro de som da verde e branco. – Sou cantor da Portela enquanto me quiserem lá. Não se sabe o dia de amanhã, mas eu sigo na Portela até segunda ordem – revelou Wander em tom de mistério.

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Com um samba de característica melódica dolente, a obra de Wander Pires fez uma apresentação com poucas falhas e convenceu o corpo de julgadores da Mocidade a lhe conferir a vitória, quando muitos apontavam o samba da parceria de Diego Nicolau o favorito. Com algumas pessoas da escola junto da torcida, o samba se apresentou de maneira correta. Entretanto, muito melodioso, sofreu queda de rendimento na segunda parte, apesar de ser o trecho poeticamente mais rico. Bastante cantado na parte que exalta a escola e no refrão principal. Atuação muito segura de Wander Pires. Muito querido na escola que o revelou foi muito tietado pelo público na quadra. As passadas para o canto evidenciaram a força do refrão, que foi muito cantado. A reação positiva após o anúncio mostrou que a comunidade optou pelo samba da parceria campeã.

Novamente a quadra da verde e branco recebeu excelente público. Apesar de bem esvaziada no momento do anúncio, por volta das 06h de domingo, houve uma enorme festa. Antes da disputa começar uma marcante apresentação de segmentos ao som dos sambas antológicos da história. Destaque para os diversos números criados pela ala de passistas, sob o comando de George Louzada. A bateria desceu do palco e tocou no chão cerca de uma hora ainda após o anúncio do samba campeão.

Bateria com 264 ritmistas

A cantora Cláudia Leitte, rainha de bateria da Mocidade, cumpriu a promessa e marcou presença na final de samba. Uma passagem discreta pela quadra, bem diferente das noites de apresentação e da própria escola do samba no ano passado. Claudinha desceu do camarote presidencial em duas oportunidades: a primeira na apresentação do samba de 2015, quando foi sambar junto da bateria e a segunda no ato do anúncio do samba vencedor.

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– Estou muito relxada. Eu acho que é porque sou marinheira de segunda viagem. Vai ser o melhor de todos os desfiles. A gente vai mexer em coisas bem emocionantes, vai passar diferença, vamos mexer em lugares muito sensíveis da nossa atualidade – disse Claudinha. Sobre sua energia, ela brincou: – Ela vem primeiro vem de Deus, eu sou muito grata a ele. Me alimento muito bem, tenho uma equipe que é massa – falou a cantora. Sobre a fantasia de 2016, ela fez suspense: – Eu já sei o que vou usar ano que vem, mas é segredo. 

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, mestre Dudu revelou que levará 264 ritmistas para o desfile de 2016. – Confesso que a bateria perdeu o andamento no último Carnaval. Não concordo com todos os pontos que perdemos e as respectivas justificativas, mas é vida que segue. Estamos focados para 2016 e eu tenho certeza que vai ser um ano totalmente diferente, teremos 264 ritmistas na bateria. Fizemos mudanças no andamento, afinamos caixas e marcações, a arrumação da bateria, enfim. Vai ser uma "Não existe mais quente" reformulada – explicou.

Dupla de carnavalescos garante que Mocidade não está atrás por troca de enredo

Alexandre Louzada e Edson Pereira afirmaram à reportagem do CARNAVALESCO que a troca de enredo ocorrida (a escola já havia lançado "#alendaimaginação") não afeta o cronograma da Mocidade. – O enredo é muito propício para o momento que o Brasil está vivendo, a gente achou que por melhor acreditarmos na proposta que a escola estava oferecendo pra gente. Até porque precisávamos de um enredo que interagisse com o momento atual e que falasse do momento da escola. Um era bem lúdico e o outro bem verdadeiro – afirmou Edson Pereira. – Foi uma decisão em comum acordo. Queríamos partir para algo mais polêmico , mais contundente que retratasse o momento que o Brasil vivesse – complementou Louzada.

O recém-chegado Edson Pereira explica que a concepção artística vai mudar na escola para 2016. – É uma nova proposta, diferente do ano passado. Quando fazemos o carnaval sempre pensamos no que pode acontecer, uma chuva por exemplo. Porque no é assim que funciona, estamos gostando muito, esse ano será o grande momento da Mocidade – prometeu. Louzada faz coro com o colega e afirma que esconder o jogo é uma estratégia. – Olha, está surpreendendo a quem esperava que a Mocidade fosse mal. Passamos por uma troca de enredo, muita gente pensou que ela se atrasou, por causa disso. Recuperamos o tempo perdido. Junto com as mais adiantadas, a Mocidade está entre elas. A escola está escondendo o jogo. Talvez seja o maior projeto de carnaval que vai sair da cidade do samba – disse.

O carnavalesco revela que o projeto da Mocidade é grandioso. – Olha, acho que a Mocidade vai surpreender a todos, pelo tamanho e pela qualidade do carnaval que ela vai apresentar. Prefiro que a gente cumpra o nosso papel e não crie expectativa ou prometa que vá acontecer alguma coisa. A gente está trabalhando com a realidade, com uma zona de conforto que o Rogério nos proporcionou. Não está nos faltando nada, a crise existe, mas está minimizada na Mocidade – explicou.

Edson evitou prometer o sonhado título que não vem desde 1996. –  A gente não trabalha pensando nisso. Se vier é consequência do trabalho. Isso é o mais importante, é o que nos motiva a cada dia. O grande adversário do carnaval é o tempo, o carnaval esse ano é mais cedo – lembrou.

Casal espera ano especial

Dançando juntos pela primeira vez, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade, Diogo e Cristiane Caldas, só pensa em coisas boas para o desfile do ano que vem. –  Vai ser um ano muito especial pra mim. Me vi fora do carnaval depois da Ilha ter me dispensado. Eu não imaginava receber essa oportunidade e, quando ela chegou, fiquei muito feliz. Sou muito grata e pode ter certeza de que vou procurar honrar essa chance fazendo um belo desfile em 2016 – disse. Diogo revelou que a dupla já conhece a fantasia pra o desfile: – A gente já sabe o que vamos representar no desfile, apesar de eu não poder te contar (risos). Foi legal o processo de criação dessa fantasia junto ao Louzada e ao Edson (carnavalescos da escola). Eles foram o máximo comigo e com a Cristiane. Antes mesmo de começarem os esboços, eles nos consultaram. Nós apontamos e eles fizeram o trabalho considerando cada coisa que pontuamos. Isso só beneficia a escola como um todo.

Rodrigo Pacheco promete carnaval responsável e competitivo

Depois de gastos elevados com o audacioso projeto de Paulo Barros para o desfile deste ano, a intenção na Mocidade é um desfile mais dentro da realidade, o que não significa que será menos belo, conforme revela o vice-presidente Rodrigo Pacheco. – Os preparativos estão muito bem, os projetos estão prontos, a escola está alcançando um nível administrativo muito bacana, uma organização muito estrutural. Não finalizamos o volume do investimento, vamos fazer o carnaval que a escola está merecendo. Estamos com bastante coisas encaminhadas, agora em novembro e dezembro devemos receber algumas cotas de patrocínio que vem a colaborar e o carnaval com certeza vai sair na totalidade – prometeu.

Pacheco enalteceu, em entrevista ao CARNAVALESCO, o momento de união na Mocidade. – Com certeza, acho que a comunidade como um todo está mais próxima, mais unida, mais aguerrida, nós temos um trabalho mais concentrado, as cosias estão bem homogêneas, fizemos um trabalho bem solidificado em termos de quesito e o projeto é maravilhoso, a cara da mocidade. Voltamos a sermos o que éramos, com muito luxo e muito glamour, então podem esperar a Mocidade de outrora dos tempos altos – declarou.

Com uma das comunidades mais fortes do carnaval, Rodrigo Pacheco valoriza cada vez mais a importância dos componentes da escola. – A importância da comunidade é total, ela tem que estar com a gente. Quem faz o carnaval acontecer são os membros, as 4 mil pessoas que desfilam conosco – elogiou Pacheco.

Confira como foram as outras apresentações na final:

Parceria de Paulinho Mocidade: A apresentação deixou a desejar. O experiente Paulinho Mocidade comandou o palco de seu samba junto do cantor Pixulé. Entretanto a obra teve sérias dificuldades de cativar a quadra e até a própria torcida. As pessoas trouxeram réplicas de carteiras de identidade em grande tamanho com a foto de independentes ilustres, além das tradicionais bolas coloridas e bandeiras da escola. Durante as passadas apenas para o canto da quadra ouviu-se pouco os versos do samba na voz das pessoas. A quadra também não se manifestou.

Parceria de Diego Nicolau: Com um número alto de torcedores a parceria iniciou a apresentação com muita força. O samba com uma melodia valente e sem grandes trechos de queda, se manteve com uma passagem linear ao longo dos 30 minutos. O refrão teve um desempenho de destaque fazendo o público pular na quadra. A dupla de cantores Ito Melodia e Wantuir demonstrou grande entrosamento e cativou a torcida. Um castor de pelúcia divertiu o público, em referência ao eterno patrono da Mocidade, Castor de Andrade.

Parceria de Ribeirinho: O samba iniciou sua apresentação depois das 05h e pegar uma quadra mais vazia foi prejudicial. A torcida demonstrou desânimo e pouco cantou o samba. A quadra também não manifestou muito interesse na apresentação. Os cantores encontraram dificuldades em manter a composição com bom rendimento. A apresentação que menos mostrou credenciais para disputar a vitória.

A Mocidade Independente de Padre Miguel procura esquecer o decepcionante sétimo lugar de 2015, sendo a quinta escola a desfilar no domingo de carnaval pelo Grupo Especial. A faixa da verde e branco no CD oficial da Liesa acontece na próxima terça-feira, 20, na Cidade do Samba. A Estrela Guia realiza seu ensaio técnico no dia 10 de janeiro de 2016 no Sambódromo.