Eu tenho fé

Pela primeira vez escrevo sobre o surgimento de uma nova entidade representante das escolas de samba: a Lierj, que chega em substituição à Lesga, desgastada com a prefeitura principalmente depois de tudo o que aconteceu no último carnaval, em tema que já foi aqui discutido à exaustão.

Numa mensagem aberta ao presidente Deo Pessoa e à sua diretoria, fiz questão de dar o meu voto de confiança. Mas deixando claro que os olhos – não só os meus mas de toda a sociedade – estarão bem abertos.

Alguns amigos, mais radicais, acreditam que a nova organização é natimorta. Um deles soltou o seguinte desabafo: “só passo a acreditar depois de três carnavais sem dar nenhuma confusão”. Achei um exagero. Mas a sua reação foi perfeitamente compreensível. Afinal, os últimos carnavais do Grupo A deixaram manchas que são difíceis de serem apagadas.

Mas, sinceramente, vou manter intacta a minha teimosia no sentido de acreditar que o Grupo A ainda tem jeito. Não serve pra mim o argumento que ouvi por aí, de que, pelo fato de os presidentes das três últimas de 2012 terem sido alçados aos principais cargos da Lierj, a nova entidade já nasce sob suspeita.

Acho exatamente o contrário. A entrada em cena dos presidentes da Rocinha, do Tuiuti e da Estácio, escolas que vêm levando seus desfiles para a Avenida com muita dificuldade e bravura, é um indício de que novos e bons ares podem pairar sobre a Sapucaí no sábado de carnaval.

Por quê? Exatamente pelo fato de que este é um sinal de concórdia, uma espécie de bandeira branca acenada para a Prefeitura. Um grupo que, até anteriormente, estava em baixa na correlação de forças da Lesga assume a nova entidade com a missão de dar a ela uma nova história.

Um bom início pode ser se pôr à disposição do Município para, numa força-tarefa, organizar o desfile de 2013 e começar a reescrever um novo e bonito momento no desfile do sábado de carnaval. Eu tenho fé.
 

Comente: