Eugênio Leal analisa os desfiles do Grupo A

As escolas do Grupo de Acesso responderam positivamente à crítica que fiz antes do desfile. O nível geral das apresentações, que vinha caindo, recuperou fôlego neste carnaval 2012. A primeira noite adulta da folia carioca transcorreu sem qualquer grande problema para as escolas. Todas elas se mostraram em bom nível, dentro do orçamento que recebem.

Cabe portanto registrar esta evolução e também parabenizar a organização da LESGA neste aspecto: não houve atrasos ou atropelos maiores. Não teve carro quebrado, pedaço de fantasia faltando, grandes buracos na entrada da pista nem escola estourando tempo limite. Fruto de um belo trabalho de planejamento do espetáculo.

O grande problema, absurdo aliás, não tem relação com a entidade que agrega as escolas do Grupo de Acesso. As frisas não estavam prontas e os espectadores foram remanejados. Quem me acompanha sabe que estes problemas foram anunciados há tempos.

NA PISTA

Império Serrano e Viradouro mostraram porque são as escolas de maior peso no grupo e se destacaram num desfile nivelado. A homenagem a Ivone Lara emocionou o público que pode ver um Império revigorado com cara de escola grande de novo. Desde a interessante comissão de frente comandada por um emocionado Carlinhos de Jesus, passando pelo show da bateria sinfônica e chegando ao auge com a presença da homenageada no último carro, a escola da Serrinha esteve muito bem e conquistou o posto de
favorita ao título.

Num nível parecido, a Viradouro mergulhou no enredo sobre Nelson Rodrigues com muita irreverência. A bateria de mestre Pablo mais uma vez deu um show de ritmo e bom humor. Os diretores vestidos de juiz de futebol se comunicavam com os ritmistas através de cartões amarelos e vermelhos. Pura criatividade. A leitura do enredo foi o grande trunfo da escola que sonha com a volta ao Grupo Especial.

A Inocentes de Belford Roxo fez o desfile mais rico da noite. Isso causa impacto. Sem cometer erros técnicos, a escola da baixada pecou apenas no enredo pouco carnavalesco, que não conseguiu mexer com a platéia. Corre por fora.

Já a Rocinha foi o contraponto da Inocentes. Com orçamento muito mais baixo, mas rica em alegria e criatividade, a escola de São Conrado fez um desfile irretocável do ponto de vista de leitura do seu enredo sobre as praças. Fantasias e alegorias simples, mas bem acabadas e muito representativas, marcaram uma apresentação feliz da borboleta encantada. Destaque para a irreverência da Comissão de Frente, muito alegre, e para o bom nível da bateria.

As demais escolas fizeram desfiles apenas corretos, sem grande brilho. O Tuiuti enfrentou os problemas naturais das escolas que abrem desfile: não chegou a comprometer; a Estácio não conseguiu se diferenciar com o enredo sobre Luma de Oliveira; o Império da Tijuca mostrou bom gosto em fantasias e alegorias pecando apenas na leitura do enredo; a Santa Cruz melhorou um pouco sua parte visual mas voltou a fazer um desfile morno, e a Cubango terminou a noite com algum luxo mas sem força para brigar com as favoritas.

Vamos se teremos surpresas a apuração mais uma vez.
 

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