Eugênio Leal: ‘A campeã da Série A 2018 não desfilou na sexta-feira’

Por Eugênio Leal

eugenio_leal_carnavalesco1O primeiro dia de carnaval é complicado para todo mundo porque muita gente trabalha e chega cansado à avenida. Imagina abrir a noite? Foi o que fez, com correção a Unidos de Bangu. A escola da Zona Oeste mostrou quesitos fortes como Comissão de Frente, Mestre-Sala e Porta-bandeira e samba-enredo. Deixou a desejar em harmonia e evolução, embora sem cometer grandes erros. O visual teve altos e baixos, mas deve ser suficiente para mantê-la no grupo.

O Império da Tijuca apostou em carnavalescos experientes como Caribé e Sandro Gomes. Eles responderam com um trabalho dentro do esperado, de bom nível. O grande destaque do desfile, entretanto, foi o excelente samba-enredo que embalou um bom desfile de chão. A bateria parecia se desencontrar dos cantores ao longo do desfile. Pode ser que tenha havido algum problema no som que tenha causado tal efeito, mas soou estranho para quem estava na pista.

Terceira a desfilar a Acadêmicos do Sossego trouxe uma bateria que, se teve problemas técnicos, conseguiu ser a primeira a mexer com o bom público das arquibancadas e frisas. Mestre Átila tem mesmo carisma. Apesar do samba ousado, sem rimas, e da grande interpretação de Nego, o chão da escola respondeu pouco. Muitas alas passaram sem saber cantar. Plasticamente foi o desfile mais frágil da noite.

Não vi muito do desfile do Porto da Pedra pois estava me deslocando para desfilar na Renascer. Deu pra perceber muito capricho e bom gosto na alegorias e um samba bem acelerado no início que diminuiu o andamento na reta final.

Vim no carro de som da escola de Jacarepaguá. Acompanhando de perto uma grande apresentação solo de Diego Nicolau. O jovem intérprete teve se superar a morte da avó na véspera do desfile. Mas o fez com muita personalidade. Deu uma aula de interpretação do sambaço do qual é um dos autores. Foi contagiante alegria dos integrantes do carro de som. Também, embalados pela bateria de mestre Dinho, tudo fica mais fácil. Ritmo, precisão e criatividade marcaram o desfile da bateria da Renascer. O visual da escola foi até supreendente para quem sofreu com dois incêndios em seu barracão. A Renascer mostrou que ali tem escola de samba.

A Estácio foi a melhor da noite, sem dúvida. Imponente e brilhante – devido ao material usado nas fantasias e alegorias, a escola do São Carlos passou como gente grande que é. Forte, vibrante e bonita. Mas sabendo que o sábado lhe trará concorrentes de peso.