Eugênio Leal lê o manual do julgador do Grupo Especial e percebe evolução

Alvíssaras!

Acabei de ler e reler o manual do julgador para este carnaval e gostei do que encontrei. A nova redação é um claro avanço (pelo menos na teoria) quanto ao julgamento dos desfiles. É verdade que ainda é uma evolução tímida em relação às grandes necessidades de reforma, mas deve ser encarada como um passo à frente.

Não era de se esperar que a LIESA fosse promover uma revolução no seu julgamento da noite para o dia. Além de ser uma entidade tradicionalista, uma mudança radical significaria assumir a total falência do julgamento. E não é o caso. Como já escrevi anteriormente o julgamento do Grupo Especial evoluiu muito na última década. Teve uma recaída neste ano, é verdade, mas melhorou bastante em relação ao que era sete ou oito anos atrás.

A grande vantagem é que, para 2012, os julgadores serão obrigados a avaliar a criação artística além de simplesmente fiscalizar erros. A valorização da concepção de enredos, alegorias, fantasias e comissões de frente é fundamental. Aí está o diferencial do carnaval. Não basta colocar algo “bem acabado” na avenida. Ele precisa ser bem pensado.

Isso pode dar um “nó” na cabeça de alguns julgadores que baseiam suas justificativas exclusivamente nos erros apresentados pelas escolas. A alguns deles faltará capacidade intelectual para identificar as nuances criativas dos artistas. Será preciso, a médio prazo, identificar quem pode avaliar com mais inteligência as “viagens” das “mentes brilhantes” do carnaval.

Outra notícia interessante foi a renovação de parte do júri. Alguns “dinossauros” foram deixados de fora desta vez. O processo de oxigenação é importante para que o processo não fique viciado. Há ainda outros que poderiam descansar algum por tempo para que o julgamento fosse menos repetitivo.

As notícias são boas, mas significam apenas um pequeno passo na longa estrada que o julgamento ainda precisa percorrer. Na redação do quesito comissão de frente, por exemplo, a existência dos elementos cenográficos continua ignorada.

Cabe destacar também que a LIESA decidiu voltar atrás na redação do quesito mestre-sala e porta-bandeira. A ideia era dar o mesmo peso à fantasia e à dança do casal. Houve uma grita geral no meio do samba e isso foi repensado. É outro grande avanço. Mostrou que o clamor popular tem, sim, peso. E passa a ser considerado nas reuniões da cúpula do carnaval. Aliás, as mudanças como um todo tem como mola mestra eventos como o seminário que a imprensa carnavalesca promoveu em junho passado.

Eu vou continuar aqui fazendo a minha parte. Publicando minhas reflexões e opiniões que não são verdades absolutas, mas contribuições sérias e bem intencionadas. Se todos insistirem nisso, acreditem, juntos podemos fazer nossa festa melhorar muito ainda. Como já disse a Mocidade, “Sonhar não custa nada” e sem sonho não há vida. Vamos em frente!

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