Eugênio Leal: ‘São Cristóvão em festa!’

Por Eugênio Leal

eugenio_leal_carnavalesco1As vizinhas Mangueira e Tuiuti sobraram no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial 2018. Mas a proximidade geográfica não é a única coisa que elas têm em comum. As duas escolas trouxeram enredos de politizados e antenados com o momento social do país. Não tiveram medo de assumir suas críticas. Apostaram em carnavalescos jovens e talentosos. E em sambas de alto nível. Ambas deveriam voltar no sábado das campeãs, mas isso depende de cabeça de jurado. E a gente sabe como isso funciona no carnaval carioca.

Atual campeã, a Mocidade veio muito abaixo do que se esperava. O desenvolvimento pra lá de confuso do enredo sobre a Índia e o visual frágil acabaram gerando um efeito cascata e esfriando escola e público já cansados pela longa noite de desfiles.

Mais uma vez a Grande Rio chegou ao carnaval com pinta de favorita, cercada por boatos de bastidores, e perdeu para si própria. Primeiro pelo samba ruim, depois pela falha na última alegoria e por último pela demora para decidir o que ia fazer diante da situação. Esperou, esperou, desistiu do carro e atrasou cinco minutos. Mas é a Grande Rio, né, júri? Terá boas notas.

A Vila Isabel não uniu o moderno ao tradicional. Foi uma escola sem identidade. Desde a sua bateria com ritmo estaciano ao visual espelhado e prateado de carros e fantasias. Paulo Barros deu toques de sua criatividade, mas passou longe de seus melhores momentos. E a Vila que a gente conhece e gosta, não passou. Pode até voltar nas campeãs pelo peso do nome, pelo carnavalesco, e por ter feito um desfile sem atropelos num ano difícil. Mas não mexeu com ninguém.

O Império Serrano fez um desfile muito digno. Mas infelizmente abrir o carnaval é muito complicado. Há um preconceito geral contra as primeiras escolas. Sei lá, as pessoas tendem a não gostar. Ficam sempre esperando o que vem depois e não se soltam. E ainda tem a dificuldade do salto do grupo de acesso para o Especial: menos dinheiro e mais gasto. Acho muito injusto a escola que sobe ter que abrir os desfiles.

Deixei a minha São Clemente por último. O estreante Jorge Silveira desenvolveu o enredo de maneira brilhante. Contou sua história com bom gosto e criatividade. Teve leitura, início, meio e fim. Houve “altos e médios” nas alegorias, mas quem não teve? A escola sofreu com o mesmo problema do Império Serrano. Desfilou muito cedo e o público ainda estava chegando, se acomodando, entendendo o que é o desfile. A São Clemente mostrou mais uma vez que aprendeu a desfilar no Grupo Especial mesmo num ano tão complicado pela perda de sua voz de comando no barracão, a interdição do mesmo por um tempo e a troca de uma professora por um aluno. Que mostrou ter aprendido as lições.