Eugênio Leal sobre os desfiles de sábado da Série A: ‘Não dá mais pra segurar’

Por Eugênio Leal

eugenio_leal_carnavalesco1Há anos a Unidos de Padre Miguel merece uma vaga no Grupo Especial. Há anos o júri encontra uma forma de não dar a ela a vaga. Não sei qual pode a ser a justificativa desta vez. Sim, a Viradouro foi brilhante, também: tem mais mídia, uma história longa de sucessos no Especial, uma nova diretoria mais alinhada com a LIESA. A Cubango foi sensacional. Mas não superaram a escola de Padre Miguel.

O desfile que encerrou a segunda noite da Série A 2018 foi o mais grandioso, bonito e impactante do grupo. Sim, nenhuma apresentação de Escola de Samba é perfeita de ponta a ponta. Você poda achar um detalhe de acabamento, considerar que poderia ter evoluído um pouco melhor. Mas na comparação item a item com as demais, foi quem mais mereceu vencer. Também pelo histórico que tem. Não devia contar, mas na cabeça de todo mundo isso ganha peso.

A Cubango tem um espaço grande na história deste sábado. Foi o desfile mais lúdico, emotivo e sensível que a Sapucaí presenciou na Série A 2018. Um trabalho de muito talento de seus jovens carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad. Claro que a escola, como um todo, mostrou-se pronta para emoldurar o enredo sobre Bispo do Rosário, o melhor do grupo. Bateria e samba foram ótimos, casal e comissão deram conta do recado. Olha, dá até pra sonhar com um título. Mas, como diria Luis Carlos Magalhães, a “exuberância volumétrica de materiais” impressiona em favor das duas citadas antes dela.

A Viradouro estava linda, com cara de Grupo Especial. Mais um grande trabalho de Edson Pereira. O abre-alas era sensacional. Pena ter ficado sem iluminação na sua parte traseira. Gostei muito também do segundo carro alegórico, com o 14 bis e a torre Eiffel. Se ganhar não será susto nenhum. Fez desfile para tal.

Achei muito boa também a apresentação da Inocentes de Belford Roxo. Outra que teve falha de iluminação em uma das alegorias. No todo, entretanto, passou com qualidade e criatividade um enredo contado a partir das obras e Heitor dos Prazeres sobre a cidade de Magé. Samba e bateria ajudaram muito, mas o destaque foi para o terceiro carro. Pequeno, sim, mas um dos melhores de todo o desfile. Muito bem resolvido.

Lamentei muito as dificuldades da Rocinha com alegorias e fantasias. Dava pra ver que havia um projeto interessante de Marcus Ferreira que não conseguiu ser executado completamente. Muitos problemas de acabamento nos carros e de confecção nas alas se juntaram a problemas na evolução e comprometeram a escola num carnaval em que a briga contra o rebaixamento não ficou muito clara pois não houve uma escola que tenha errado gravemente em sua apresentação como em outras temporadas.

Alegria da Zona Sul cumpriu tabela sem brilho, mas como disse, sem erros grosseiros. Santa Cruz foi a Santa Cruz dos últimos anos. Apenas correta. Precisa encontrar seu caminho.

Foi um carnaval de superação, principalmente para estas agremiações. Elas conseguiram. Mostraram em espetáculo bem acabado. Claro, com desníveis enormes, mas isso faz parte do jogo. Parabéns à direção da LIERJ e às Escolas da Série A.